Quem mais ganha com a tecnologia?

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Quem mais ganha com a tecnologia?

A digitalização nem bem começou e vem transformando completamente o nosso modo de viver. Quem tem mais de 35 anos percebe o quanto o mundo de hoje é diferente do que há três décadas. É difícil imaginar agora que o aparelho de som mais bacana era o 3 em 1, da Sony, lembra? Que comprar o vídeo cassete da Argentina era algo super moderno, e que era preciso mandar revelar o filme da Kodak pra guardar as lembranças nos álbuns de fotografias. Esse mundo já era! Também não dá pra gente imaginar a vida sem usar um aparelho celular, já pensou voltar pro “orelhão”? Ou ouvir música no walkman?

Quem ganha, quem perde

E as tendências tecnológicas sinalizam que nos próximos anos, muitas novidades irão aparecer enquanto outras coisas sairão de cenário numa velocidade muito mais rápida e intensa do que falei lá no início. Não dá pra saber se isso é ruim ou bom e independentemente da resposta pender pra um lado ou pro outro, o que a gente precisa refletir é pra quem – realmente – a tecnologia é mais interessante: pra encher os bolsos das empresas capitalistas, pra trazer benefícios à população ou o quê ou pra quem?

A outra metade

O Relatório da Banda Larga de 2019, da Comissão de Banda Larga, que reúne um grupo de representantes de empresas e das Nações Unidas, afirma que neste ano, o acesso à internet passou a estar disponível a 51% da população do globo terrestre, parece muita gente, né? Mas, saber que praticamente a outra metade não tem acesso é muito assustador.

Não que estar diante de um monitor teclando seja a coisa mais importante do planeta, porém, saber que esse montante “não tem acesso” é algo sinistro! E adivinha, quais são as áreas geográficas (urbanas x rurais), renda (ricos x pobres), idade e gênero em que o acesso é mais restrito?

Fim da pobreza?

Quando Henry Ford inventou o carro o mundo passou por uma enorme transformação! Em prol de uma sociedade igualitária, inclusiva e justa, o desenvolvimento do modelo industrial parecia ser a solução para boa parte dos problemas humanos, e, realmente, a produção em escala proporcionou uma condição de vida melhor e mais confortável, além de gerar milhões de postos de trabalho.

Entretanto, sabemos que esse “desenvolvimento capitalista” produziu além de todos os benefícios, um exército de explorados e desencadeou muitos problemas sociais. Não somente os homens, mas, sobretudo, as mulheres, idosos e crianças contribuíram para elevar a riqueza de grandes grupos que, inclusive, – muitos deles – resistiram ao tempo e estão por aí! Mas, esse crescimento também foi responsável pelo gigantesco fosso social que dividiu pra sempre pobres e ricos.

Longe da construção da tal sociedade justa, hoje sabemos que – cada vez mais os ricos estão mais ricos e os pobres, mais pobres! A concentração de renda fez surgir dois mundos: um, destinado a poucos, em que tudo se pode e outro, em que a vida humana não carrega valor algum e a população é manipulada, abusada e descartada.

Agora a esperança de dias melhores está por conta e risco da tecnologia, que promete melhorar a humanidade, proporcionando uma vida longínqua, saudável, justa e igualitária. Além disso, a esperança é que a tecnologia crie novas profissões e postos de emprego, mas com metade da população sem acesso à internet, isso parece meio distante no tempo e no espaço…

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