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Qualificação é fundamental para haver Inovação


Fala-se muito sobre empreendedorismo e inovação e sobre a necessidade de implementarmos ações neste sentido, incentivando assim a fundação de novas empresas e criando oportunidades de empregos qualificados. O termo startup passou a fazer parte do vocabulário de um grande número de pessoas, desde jovens a até nem tão jovens assim, muito pela necessidade de gerar renda, produto das sucessivas crises do mercado de trabalho. Essas pessoas partiram para formar empreendimentos em diversas atividades e áreas do conhecimento. É importante lembrar que, por definição, uma startup, obrigatoriamente, tem que trazer em seu produto inovação, algo que a diferencie dos demais, senão ela é apenas mais uma empresa tradicional, dentro de um mercado limitado e com dificuldades de crescimento. Além disso, para obter sucesso em uma startup, é preciso estar atento para pontos importantes que, se não atendidos, retiram do empreendimento o diferencial que pode conduzir ao sucesso.

O objetivo aqui não é discutir conceitos de startup ou oferecer uma receita para o sucesso, até porque isso não é possível, mas,   podemos afirmar que, se cuidados não forem tomados e se não forem seguidas algumas medidas que garantam o monitoramento dos resultados de cada decisão tomada, a chance de insucesso cresce exponencialmente.   Controle financeiro, estratégia junto ao mercado e o estabelecimento de indicadores que permitam verificar se o negócio está em evolução, são fundamentais e devem estar presentes na vida de qualquer empreendedor.

Há poucos dias, participando de um evento, ouvi uma declaração que, se mal interpretada pela plateia, pode levar ao fracasso uma boa ideia. Em uma fala, uma jovem empresária disse que não adianta só colocar no papel um plano, que quando ela começou não tinha plano algum e o que interessa é a ação. E completou dizendo que, quando se viu em apuros, parou para pensar e reinventou o negócio. Disse ainda que teria falido se isso não tivesse acontecido. Na minha opinião, se ela tivesse desde o início construído um planejamento estratégico e uma análise detalhada do mercado, um exercício sem grandes complicações que o modelo Canvas disseminado pelo SEBRAE possibilita, certamente seus riscos teriam sido bem menores, pois nem todos conseguem se reinventar e evitar a falência. Ação é fundamental, claro, mas não há como menosprezar a importância de se construir um planejamento antes de colocar recursos normalmente limitados em um negócio, sem uma noção muito clara de onde se quer chegar e de como fazer para conseguir isso (objetivo e método).

Basta somente isso? A resposta é negativa. Embora aparentemente sem relação direta com o empreendedorismo, quando falamos de inovação, a formação acadêmica é fundamental.  O projeto Sinapse da Inovação, concebido pela Fundação Certi e executado pela Fapeam no estado do Amazonas, demonstra isso quando analisamos seus resultados. Foram apresentadas inicialmente 1188 propostas que incluíam 2461 participantes, destes, 10,52% tinham pós-graduação completa. Na segunda fase, onde ficaram 150 projetos, este percentual subiu para 37%,  na penúltima fase, que selecionou 80 projetos, o percentual foi de 44% de proponentes com pós-graduação completa. Na última fase, em que foram selecionados 40 projetos para receberem o aporte de recursos, o percentual subiu para 50% com pós-graduação completa e mostrou que outros 20% estavam cursando a pós-graduação,  incluindo mestres e doutores. Isso deve-se ao fato de que não existe no mundo atual muito espaço para inovação sem o uso de tecnologias que gerem valor ao cliente.

Tecnologia implica em formação, que normalmente é proporcionada pela atividade acadêmica e de investigação científica, que precisa ser incentivada e receber investimentos. A existência de instituições de referência é ponto fundamental para que a inovação aconteça. Na primeira fase do processo de seleção dos projetos, as áreas de Biotecnologia e Bioeconomia representavam 12,37% do total de projetos e Tecnologia da Informação 34,17%.  Na fase final o percentual das áreas de Biotecnologia e Bioeconomia alcançou 65% e de Tecnologia da Informação 17%.  A vocação regional para a biodiversidade aliada à existência de cursos de mestrado e doutorado na área e de  instituições de pesquisa renomadas e a intensa atividade de institutos de pesquisa e desenvolvimento atuando na construção de aplicações para telefonia móvel e equipamentos digitais, somados a cursos de graduação e pós-graduação qualificados e bem avaliados, demonstram nos resultados destas áreas no processo de seleção, o grau de importância destes fatores para o sucesso.

Os números alcançados no projeto Sinapse mostram que existem muitos empreendedores interessados em produzir inovação e o caminho para o sucesso está bem claro nas análises dos resultados de experiências como esta. Investir nos pilares que sustentam a inovação é o caminho mais seguro para obter resultados consistentes. Programas de pós-graduação de excelência, investimentos em projetos de pesquisa, qualificação de docentes e discentes, parcerias nacionais e internacionais, fortalecimento da infraestrutura de laboratórios e de redes de comunicação, são requisitos básicos para que um novo horizonte econômico para o Amazonas seja edificado.

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