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27 de outubro de 2020
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O País da bajulação

Ele é patrimônio cultural do Brasil. Está em todas as classes sociais, em todos os lugares, raças, credos, religião ou ideologia

O País da bajulação

Ele é patrimônio cultural do Brasil. Está em todas as classes sociais, em todos os lugares, raças, credos, religião ou ideologia. Olhe ao lado e você o verá. Ele está nas instituições públicas e privadas. De forma sorrateira, se aproxima da pessoa, não se importando com o gênero. Sua origem e destino comportam o mesmo tempo histórico do homo sapiens. Suprassumo do desprezo, ele é mais do que arlequim, pois se este servia a dois amos, aquele servirá quantos amos forem necessários para saciar seu prazer.

Interesseiro, emotivo e patológico, não passa de um ser que nas suas inúmeras interpretações, verdade e mentira possuem os mesmos pesos. Em nenhum momento, se importa com justiça social, igualdade econômica ou desenvolvimento do Estado. Sua consciência há muito tempo está entorpecida.

Na Inglaterra do século XVI, ele tinha papel importante nas cortes: limpador de bunda do rei. Ganhava a chefia da destinação dos recursos do reinado e era confidente do monarca. Tinha vida próspera e também atormentada pela desgraça, numa época em que ele dominava a vida dos nobres e das majestades sedentas por riquezas e vaidades.

Quando Hans Christian Andersen na obra “As Roupas novas do Imperador”, faz um rei extremamente vaidoso desfilar num cortejo totalmente nu, o nosso personagem está lá, na plateia, aplaudindo. Seu melhor papel desenvolve-se nos bastidores, na penumbra, nas sombras e nas brechas do poder. Para ele, mesmo o rei estando nu, tudo vai bem. Foi preciso uma criança inocente avisar ao rei que o soberano tinha sido enganado.

No Brasil, ele tem fama. Comporta-se com lisonjeio excessivo para obter vantagens, possui diversas variações conceituais e de origens: bajulador, puxa-saco e capacho. Existe bajulador em todos os ramos do conhecimento e atividade humana. Onde ele aparece todos percebem, mas a vergonha, o caráter e a ética não são suas maiores qualidades. Sua vida só possui um objetivo e um prazer: bajular.

A bajulação já está institucionalizada. Quem está no poder gasta milhões comprando placas, medalhas e certificados para se exaltar e a seus compadres. Tem autoridade brasileira bajulando até governantes de outros Países.

Na história dos debates políticos no Amazonas, destaca-se o episódio do confronto entre o descascador de tucumã e o entregador de pupunha. Ambos populares bajuladores de um conhecido político. Uma espécie de bajulação amazônica.

Conheci um que era uma espécie de bajulador necrófilo, bajulava até governadores mortos. Erudito ou tradicional, os tipos são vários. Professam a fé no dito popular: “é melhor puxar saco do que puxar carroça”.

O bajulador diverge do cidadão. Este cobra, exige, fiscaliza. Não pede favor, mas, sim, o cumprimento dos seus direitos. Aquele, não passa de adulador e serviçal.

O Brasil tem muitos problemas no âmbito moral, social, político e econômico. Faltam cidadãos, sobram bajuladores. Isso dificulta o desenvolvimento do Estado. Talvez, seja necessária uma criança inocente dizer que o País está nu para que o povo acorde, como na história de Hans Christian Andersen.

Hoje o país está atolado de bajuladores e os mandatários caminham sorridentes.

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