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2 de dezembro de 2020
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Vento da Mudança

Olhava o tempo. Janela da memória. Horizonte histórico indecifrável que não se apresenta jamais como um panorama claro ou uma aquarela, mais sim e sempre, como uma longa estrada com muitas curvas, níveis e desníveis, muitas vezes se entrecruzando com outras estradas, formando verdadeiros labirintos; uma imagem formada por muitas pistas, imitando retas de diversos […]

Vento da Mudança

Olhava o tempo. Janela da memória. Horizonte histórico indecifrável que não se apresenta jamais como um panorama claro ou uma aquarela, mais sim e sempre, como uma longa estrada com muitas curvas, níveis e desníveis, muitas vezes se entrecruzando com outras estradas, formando verdadeiros labirintos; uma imagem formada por muitas pistas, imitando retas de diversos tipos. Devir interminável.

Ventos do Leste e do Oeste levantavam poeiras e formavam redemoinhos em pontos diferentes das estradas, mas não eram brisas suaves, e, sim, nimbos, que, surgindo em pontos descontínuos, deixavam transparecer continuidades em suas formações. Uma ventania que roubava minha liberdade, aprisionava minha consciência e me desesperava. Espírito em agonia.

Vejo-me como um andarilho nos vãos da memória, subindo e descendo os seus degraus, tentando entender cada fato, cada momento de brilhantismo ou de obscurantismo, indo e vindo nesse edifício humano chamado história. Busco captar sua teleologia, o seu caminhar. A sua simbologia é pendular: guerra/paz, ciência/insciência, evolucionismo/criacionismo, Direita/Esquerda, Comunismo/Capitalismo. A promiscuidade política parece mesmo estar no cerne das atitudes humanas. Volto a caminhar. Paro, abro bem os olhos para observar cada paisagem, tudo é interessante, mas nem tudo é indolor. Um espectro dantesco observa os holocaustos, as carnificinas, os crimes contra a humanidade. Refugiados, despatriados. Terras de ninguém. Terras de alguém.

História, mãe da verdade. Que verdade? Com dedo em riste, eu digo qual é a verdade. Mas toda história tem dois lados, duas verdades: a do vencedor e a do vencido. Deterioração humana. Uma decisão política. A vida é uma fissura da vontade do Deus sem rosto. A morte é uma fissura do átomo. Ciência e Política, opostos que se imiscuem para a salvação e destruição do homem. Nesse caminhar, o homem segrega Deus da história e assassina seu criador. Imagem estranha e espetacular: o anjo da história de Benjamin pilotando a Arca de Karl Kraus: de olhos arregalados, ele passa de ruínas em ruínas, catástrofe em catástrofe. Tempestade de progressos, ordem de desarmonia. O anjo silencia diante de tanta maldade. Os últimos dias da humanidade. A voz de Deus: Eu não quis isto.

Muralhas, muros, mundos, divisões. Diferenças. Igualdade. Utopia. O homem é um ser dividido. No seu espírito reina o caos. Vencedor e vencido. Passageiro agônico da história. Argonauta em busca de sua consciência. A destruição de um muro, metáfora da metamorfose de um mundo. Oriente e ocidente, inexistem. Rui o socialismo/comunismo, vitória capital do outro ismo, fim da história, fim da picada. Paradigma em mutação: Norte/Sul, novo confronto. Ricos/pobres. Esfomeados do mundo uni-vos! Nações ricas, um computador para cada criança. Nações pobres, uma lata de lixo para cada menino/menina. Novas lutas: gênero, raça, crenças, ideologias. Tecnologias da alienação e da destruição. O homem é um dígito. Internauta que perde a consciência. Novamente, a morte de Deus e a morte do homem. Vencedor e vencido.

Vento da mudança, conforto da alma. Vento Norte. Democracia. Liberigualfraternidade. Nova velha forma de ver o mundo. Extremodireitesquerdismo. Uma forma retroantiga de ver a vida. Ponto fora da curva. Entrelaçamento de visões de mundo. Homens em conflito. Diferenças. Harmonia na desarmonia. O anjo da história ressurge e começa a soprar. Nova ventania: paradigma da mudança, que não destruirá muros, mas, sim, seus construtores. Como diz a canção: “Vento da mudança, leve-me à magia do momento em uma noite de glória, onde as crianças do amanhã ficam sonhando…”.

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