Ao contrário do que diz Paulo Guedes, quem desmata é rico, apontam ações da PF

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Ao contrário do que diz Paulo Guedes, quem desmata é rico, apontam ações da PF

As operações de combate ao desmatamento da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) do Amazonas, Estado com maior extensão territorial da Amazônia Legal, mostram que ao contrário do que disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nesta terça-feira (21), não é o pobre, e sim o rico – milionário – responsável pelos maiores registros de exploração ilegal da floresta.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, representa o governo de Jair Bolsonaro no Fórum Econômico de Davos, na Suíça (Agência Brasil)

Exemplo de que o ministro se expressa com base em sua crença limitante é o resultado da última operação federal no Amazonas: iniciada em 2017, com último desfecho em 2019, a ‘Arquimedes’ indiciou 22 empresários que têm sociedade em 24 madeireiras, com capitais sociais que chegam a R$ 10 milhões, e que em menos de dois anos desmataram 10 mil metros cúbicos de madeira.

Se a quantidade fosse enfileirada, cobriria a distância de 1,5 mil quilômetros, equivalente ao percurso entre Brasília e Belém. A declaração de Guedes, além de preconceituosa, tenta manipular a opinião da comunidade internacional sobre quem realmente são os inimigos da floresta no Brasil.

Sem solução?

Apresentando um cenário pessimista, Paulo Guedes, com sua política de economia liberal, declarou ainda, em Davos, que “as pessoas (brasileiros) destroem o meio ambiente porque precisam comer”, disse, sem apresentar dados técnicos. E falou que não há uma “solução simples”.

Ruralistas

A declaração do ministro de Jair Bolsonaro, em um Fórum Econômico no porte de Davos, foi criticada por cientistas, economistas e formadores de opinião no eixo Rio-São Paulo que apontaram o grande apoio que o presidente recebeu na eleição de ruralistas.

Fiscalização

Outro ponto a ser levantado na fala de Paulo Guedes é a importância de se reforçar o efetivo de agentes federais para combater o desmatamento. Na operação Arquimedes, a PF descobriu que o grupo de empresários fraudava o Documento de Origem Florestal (DOF).

 Cumplicidade

A comunidade internacional, também, não pode figurar de ‘santa’ no impasse sobre o desmatamento da Amazônia. A operação Arquimedes apontou que a madeireira ilegal produzida pelo grupo criminoso era consumida por pelo menos 20 países, entre eles França e Inglaterra.

CBA e business

A comitiva do Brasil em Davos, na Suíça, vai anunciar durante o Fórum Econômico Mundial a criação de um centro de negócios sustentáveis na Amazônia. O projeto já foi apresentado ao professor Klaus Schwab, criador do fórum. Pela agenda, o novo centro será oficialmente lançado em quatro meses, dentro dos trabalhos da versão latino americana do Fórum Econômico, que ocorre de 28 a 30 de abril em São Paulo.

Secretaria Nacional

Especialistas em Segurança Pública comentaram, nesta terça-feira (21), que a criação do Conselho da Amazônia é o primeiro passo para o presidente Jair Bolsonaro iniciar o seu principal projeto no Estado, que é a implantação da Secretaria Nacional da Amazônia.

 ‘Economia Sustentável’

Tendo como polo base o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), o governo quer fazer da nova secretaria uma aceleradora de negócios envolvendo bioeconomia, mas não se viu até agora um projeto concreto sobre o assunto.

Prepara…

Entre os economistas de Manaus há quem diga que o governo federal tenta, pelo menos no discurso, preparar o Amazonas para o fim da Zona Franca, uma medida que já vem sendo aplicada de forma ‘suave’, como gosta de falar Jair Bolsonaro.

Braga reage

O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), reagiu negativamente, nesta terça-feira (21), à decisão do governo federal de abrir o mercado brasileiro às empresas estrangeiras em licitações públicas. O anúncio foi feito pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, no Fórum de Davos.

 ‘Valor’ repercute

Em entrevista ao site ‘Valor Econômico’, Braga disse que a medida é “bonita para inglês ver”, mas “horrível” para os brasileiros. “Isso é exportar empregos. É usar o poder de compra para importar produtos, gera empregos no exterior, no momento em que temos quase 12 milhões de desempregados”, disparou.

 

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