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Após dizer que herdou déficit bilionário no AM, Wilson Lima ‘cai’ na balada


Três dias após informar um déficit orçamentário de R$ 1,5 bilhão e dívidas de R$ 867 milhões para a realização e manutenção de obras e serviços públicos no Amazonas, o governador do Estado, Wilson Lima (PSC), divertiu-se com a mulher, a primeira-dama Taiana Lima, em uma boate de classe média alta, na Avenida Efigênio Sales, na zona Centro-Sul de Manaus, na noite de sábado, 5, virando para  a madrugada de domingo, 6.

No dia 5 de janeiro, Taiana, Wilson Lima e Luciano Kikão (Reprodução)

As imagens do casal cantando e dançando foram divulgadas em uma rede social do compositor e produtor musical de forró, Luciano Kikão. Acomodados em um camarote que custa, aproximadamente, R$ 1,5 mil, o governador e a primeira-dama chamaram atenção de quem estava na casa noturna pela alegria e desenvoltura no acompanhamento do repertório das bandas. A reportagem apurou que o camarote foi cortesia.

A descontração de Wilson e Taiana em nada  lembrava o semblante de preocupação e indignação do governador pela dívida herdada da administração do ex-governador Amazonino Mendes (PDT). No último dia 2, Lima disse que o levantamento de sua equipe de transição constatou insuficiência de orçamento público e dívida milionária no caixa do governo, podendo comprometer, inclusive, a continuidade de serviços essenciais à população, como atendimento médico e realização de cirurgias nos hospitais da capital e interior do Estado.  

Wilson Lima, no dia 2 de janeiro, em coletiva à imprensa para comunicar dívida no orçamento público (Secom)

“O que temos em caixa não vai dar para pagar as dívidas. É a mesma coisa que você receber um salário de R$ 1 mil e contrair dívidas de R$ 1,2 mil. Tem esses R$ 200 de déficit. Além de não conseguirmos pagar as dívidas que o Estado tem, ainda temos dívidas anteriores, como da saúde, de R$ 600 milhões, por exemplo”, declarou o governador em entrevista à imprensa.

‘Um governador novo’  

Wilson Lima conseguiu derrotar grandes “caciques” em uma campanha simples, com o apelo do termo “novo”, nas eleições gerais do ano passado. A palavra foi usada exaustivamente pelo então candidato em discursos, comícios, vídeos publicitários e, principalmente, no horário eleitoral gratuito.

Em alta no cenário político brasileiro, o termo foi empregado pelos marqueteiros de Wilson Lima como sinônimo de renovação na política e na administração pública, especialmente, no acompanhamento e fiscalização das obras e dos serviços prestados à população.

Assim como fez na posse do cargo, com uso de discursos curtos e genéricos, o governador Wilson Lima inovou, também, na forma como conduz o início de sua gestão à frente de um Estado que é o segundo mais rico da região Norte do país, com um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 89 milhões (IBGE-2016), mas que, de acordo com ele, acumula um déficit de R$ 1,5 bilhão, para manutenção de serviços públicos a uma população de mais de 4 milhões de pessoas (estimativa do IBGE para 2018).

Diferentemente do novo governador do Amazonas, chefes do Executivo dos últimos 12 anos, assumiram seus cargos evitando expor em público as descontrações noturnas nos primeiros meses de mandato.

O senador Eduardo Braga (2007-2010) tinha o costume de convocar os jornalistas da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) durante à noite, inclusive nos finais de semana, para acompanhá-lo em vistoriais de locais para futuras obras e obras em andamento deixadas pela gestão anterior a sua.  

Além de fiscalizar obras em horário noturno, o senador Omar Aziz (2010-2014) acompanhava, à noite, ações da Secretaria de Segurança Pública (SSP) com a equipe de imprensa e assessores, principalmente no processo de pesquisa e elaboração do programa Ronda no Bairro. Já o governador José Melo (2014-2017) preferia fazer reuniões com secretários até depois da meia-noite e geralmente postava em redes sociais.

O mesmo costume de usar as mídias digitais para expor o trabalho institucional noturno teve o governador interino David Almeida (2017), que fazia reuniões com assessores, mas tinha o costume de dormir por volta das 22h. Já o antecessor de Wison Lima, Amazonino Mendes, antes do período eleitoral, evitava expor imagens pessoais fora do ambiente de trabalho.

Wilson Lima em boate de classe alta 

 

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