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Em Manaus, traficantes barram vacinação nas casas e prefeito questiona Estado


O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, relatou, em seu perfil nas redes sociais, a ação de traficantes em impedir as equipes de vacinação de combate ao sarampo, da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), de atuar nas casas do bairro Jorge Teixeira, na zona Leste da cidade. A capital amazonense sofre com uma epidemia da doença, levando o município a decretar situação de emergência este mês e realizar um mutirão de vacinas em domicílio.

Arthur Neto disse que equipes da Semsa estão impedidas de entrar em determinadas ruas do Jorge Teixeira (Semcom)

“É uma notícia muito grave e triste que eu trago ao conhecimento do povo de Manaus e do povo brasileiro. Uma equipe nossa de combate ao sarampo, trabalhando com muito amor pela cidade, com muito amor pelas pessoas, estava vacinando moradores do bairro Jorge Teixeira e sendo acompanhada de uma rede de televisão, quando traficantes do bairro, filiados à falange de tráfico que ameaça dominar este Estado impediram a continuação da vacinação que pode salvar bebês e adultos manauaras”, disse o prefeito.

Na semana passada, o número de casos confirmados de sarampo em Manaus teve novo aumento, passando de 317 para 444, segundo boletim epidemiológico divulga pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Foram 127 novos casos no período de uma semana. A maioria é em crianças com idade entre um e cinco anos.

Atualmente, 2.097 casos estão sob investigação, na capital amazonense. A zona Leste é a segunda região na capital com o maior número de casos confirmados: são 140 casos de sarampo e 699 sob análise; em segundo, aparece a zona Norte com 157 confirmados e 773 em investigação.

Em seu relato, Arthur questiona o controle do governo do Estado sobre as áreas da cidade já que a entrada das equipes de vacina parece estar condicionada à “autorização” de grupos de traficantes, e fez um apelo ao governador Amazonino Mendes.

“Eu faço um apelo muito encarecido ao governador do Estado, que entre com tudo que possa ter de força policial, porque nós não podemos deixar nunca que o Amazonas vire propriedade de traficantes. O Amazonas é propriedade dos amazonenses”, completou.

Apesar das ameaças, o prefeito afirmou que vai continuar com o mutirão de vacinas nas casas e solicitou de Amazonino reforço das equipes policiais. “(…) eu estarei com as equipes da Saúde na rua a partir de amanhã. E se o tráfico quiser impedir que isso aconteça, vai ter que impedir que eu pessoalmente faça o acompanhamento à vacinação.  Mas eu peço encarecidamente que o governador coloque as forças policiais todas na rua porque realmente é de indignar qualquer um nós imaginarmos que tem uma equipe salvando vidas e ao mesmo tempo arriscando as suas vidas”, disse.

Veja na íntegra o relato de Arthur Neto

NOTA SOBRE OCORRÊNCIA DURANTE VACINAÇÃO NO BAIRRO JORGE TEIXEIRA“É uma notícia muito grave e triste que eu trago ao…

Posted by Arthur Virgílio Neto on Wednesday, July 18, 2018

Secretaria de Segurança

Em nota à imprensa,  a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) informou que determinou que o caso relatado pelo prefeito Arthur Neto seja investigado pela Polícia Civil.  Ainda segundo a SSP, desde o início da semana, o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) está em contato com a Semsa para apoiar e oferecer segurança as equipes de imunização em um trabalho que envolve os comandos de policiamento militar de cada área da cidade.

A secretaria declarou, ainda, que tem intensificado operações policiais no bairro do Jorge Teixeira nos últimos meses, com base em levantamentos do setor de inteligência. A Secretaria pede que a população colabore denunciando essas ações criminosas através do telefone 181. A denúncia é anônima, a ligação é gratuita e o atendimento funciona 24 horas por dia.

Repercussão nacional

A guerra entre facções criminosas pelo controle de áreas em Manaus teve repercussão nacional na última terça-feira, 17, quando o jornal da Globo noticiou o aumento de homicídios na capital. Segundo a reportagem, de janeiro a maio foram registrados, em média, 70 casos por mês. Em junho, esse número pulou para 103 casos, nos 30 dias.

 

 

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