O alerta do Inpe e a inércia do Ibama no Amazonas

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O alerta do Inpe e a inércia do Ibama no Amazonas

Passados quase seis meses da operação ‘Arquimedes’, da Polícia Federal (PF), que descobriu um esquema de corrupção de servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em 2017, a superintendência regional do instituto se retraiu para a imprensa e tem se mostrado alheia às questões do combate às queimadas e desmatamento, divulgadas até na imprensa internacional.

A justificativa é que, depois da operação, toda informação divulgada à sociedade deve passar pelo crivo da presidência do Ibama, em Brasília, e o retorno nunca vem. Mesmo com o alerta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), nesta sexta-feira, 11, para o aumento de 96% do desmatamento na Amazônia em setembro, o Ibama, na capital, ignorou os pedidos de informações sobre o dado estatístico.

Procurada, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semma) confirmou uma informação passada pela assessoria do Inpe: que o foco do desmatamento ocorria, principalmente, na região sul do Estado, em áreas do governo federal, sob a responsabilidade do Ibama.

Alternativa ao instituto

Hoje, o Ibama do Amazonas conta com 79 fiscais, sendo um fiscal para cada 19.883 quilômetros quadrados. Com a reclusão do instituto, a Delegacia de Combate a Crimes Ambientais da Polícia Federal tem auxiliado no monitoramento das florestas em terras federais.

‘Planet’ da PF

Há um ano, a PF obteve um sistema de monitoramento por satélites, o Planet, usado em outros países. “Esse sistema nos dá uma visão de até três metros da terra e, também, um retorno de até 12 horas”, disse superintendente regional, Alexandre Saraiva.

Sistema questionado

Usado pelo Inpe, o Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) é questionado por alguns técnicos por apresentar, segundo eles, “certa superficialidade”. Dúvidas sobre o Deter motivaram a demissão do diretor Ricardo Galvão pelo presidente Jair Bolsonaro, este ano.

TCE homenageia 

O empresário Carlos dos Santos Braga, 94, foi agraciado pelo Tribunal de Contas do Estado Amazonas (TCE-AM), com o Colar do Mérito de Contas, na manhã desta sexta-feira, 11. A condecoração faz parte das comemorações pelo aniversário de 69 anos da Corte de Contas, que homenageou personalidades do Estado.

Combate ‘fake’

Disponível no Assembleia Legislativa do Estado (ALE), uma matéria da assessoria do deputado estadual Sinésio Campos (PT) dava conta de que o Parlamento havia aprovado um projeto de lei que visava “combater as fakes news” no Amazonas.

Mais uma data

Em pesquisa ao sistema de matérias legislativas no site da Assembleia Legislativa, consta que o Projeto de Lei 277/2019, aprovado, nesta sexta-feira, 11, instituía o dia 24 de março como o dia do Direito à Verdade e já faz parte do calendário nacional de datas comemorativas (Lei 13.605/2018).

Lei Valendo

Há dois meses, o Congresso derrubou o veto presidencial e conseguiu fazer valer o Projeto de Lei 1978/11, que tipifica a produção e disseminação de ‘fake news’, nas eleições, como crime sujeito à pena de prisão de dois a oito anos.

Congresso x ZFM

Hoje, apáticos às lutas pela manutenção da Zona Franca de Manaus (ZFM), os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), devem visitar o Amazonas para discutir o modelo, informou o governador Wilson Lima.

Apoio e conveniência

Quando estava em campanha pela presidência da Câmara, Rodrigo Maia visitou Manaus, em janeiro deste ano, e prometeu lutar pela ZFM. Ele disse que entendia que o modelo preservava a floresta. Em agosto, ele mudou o discurso e criticou distorções.

Discurso abstrato

Também na conquista pelos votos da bancada do Amazonas no Senado, Alcolumbre afirmou que a manutenção dos incentivos ao Polo Industrial de Manaus (PIM) seria um assunto prioritário. “Quero me comprometer com o Amazonas. A Zona Franca é uma pauta do presidente do Senado”.

 

(*) Esse conteúdo é publicado simultaneamente na Coluna Claro&Escuro do Portal D24am e do Jornal Diário do Amazonas

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