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‘Politicagem boba de adversário’, diz Bi Garcia sobre o cachê de Anitta

A presença de Anitta, "a maior estrela da música brasileira com dimensão internacional", foi um investimento, segundo o chefe do Executivo Municipal

Prefeito de Parintins, Bi Garcia, afirma que o show de Anitta foi um investimento para a cidade. (Foto: Divulgação)

O prefeito do município de Parintins, Bi Garcia, classificou como “politicagem boba de adversário” a polêmica envolvendo o valor do cachê pago a Anitta para Festa dos Visitantes, evento que antecede ao Festival Folclórico de Parintins. Apesar da investigação do Ministério Público e críticas da imprensa nacional, o gestor afirmou estar ‘bem tranquilo’ em relação ao assunto. O fato foi denunciado em primeira mão pelo portal Amazonas1

Para Garcia, a logística é uma justificativa óbvia para o valor desembolsado pela prefeitura para contratar a artista. No levantamento feito pelo Amazonas1, a cantora cobra R$ 200 mil para se apresentar em outras cidades brasileiras, mas em Parintins, a quantia paga foi de R$ 500 mil.

“Ela [Anitta] cobra R$ 200 mil no Sul e Sudeste, quando se desloca para Região Norte, tem toda logística. Ela cobrou 250 mil para o show e mais 250 mil para logística que envolve o jatinho dela, passagens para 36 componentes, aluguel de avião aqui em Manaus para se deslocar a Parintins (ida e volta). Ela não mora em Manaus, mora no Rio de Janeiro, então ter que ter essa compreensão. Isso é politicagem boba de adversário”, justificou.

Veja também: Prefeito Bi Garcia ainda não respondeu ao MP sobre cachê de Anitta

Bi Garcia pagará R$ 500 mil para Anitta; em Parintins, pobreza afeta 60%

Justiça bloqueia R$ 6,8 mi de Bi Garcia e do ex-prefeito Carlos Alexandre

O Ministério Público instaurou um procedimento preparatório para apurar as irregularidades no contrato do show e local de realização da festa. A prefeitura foi notificada no dia 5 de julho e tem até o próximo dia 30 para prestar os esclarecimentos.

Ao ser questionado se a prefeitura entregaria uma resposta dentro do prazo, Bi Garcia não demonstrou certeza sobre o andamento do processo. “Já estamos respondendo, eu acho que já foi ou estão fazendo tudo lá para entregar. […] Nós estamos prestando toda informação ao MP, não tem intermediário, o show foi contratado direto com a empresa da própria cantora que realiza o show e faz toda logística. Então estou muito tranquilo em relação a isso”, enfatizou.

O gestor argumentou ainda que o Festival de Parintins é o maior festival folclórico do Brasil e a presença de Anitta “a maior estrela da música brasileira com dimensão internacional” foi um investimento. “A gente sabe muito bem e tem tranquilidade do investimento que está sendo feito na cidade. O festival coloca R$ 80 milhões na economia de Parintins, gerando emprego e melhorando a qualidade de vida do povo parintinense”, finalizou.

Pobreza

Para os moradores de Parintins a realidade financeira é outra. Além de 60,07 % da população viver com cerca de R$ 600 por mês, as perspectivas de emprego estão difíceis. O último levantamento do IBGE apontou que somente 4,3% de toda população é considerada “ocupada”, ou seja, tem emprego fixo formalizado. 

Contas bloqueadas 

No último dia 15 de julho, o prefeito teve R$ 6,8 milhões bloqueados em bens após uma decisão da Justiça. O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra o Bi Garcia e o ex-prefeito do município, Carlos Alexandre Ferreira da Silva.

Segundo o MPF, o município firmou um contrato em 2007, por meio da Caixa Econômica, e recebeu R$ 8,8 milhões. A verba seria destinada à modernização e ampliação do sistema de abastecimento de água.

No entanto, na gestão da Garcia (2009 e 2011) e Carlos (2013 a 2016), as obras não tiveram nenhum avanço.

Bi Garcia afirmou que recorreu da decisão e foi uma “barbeiragem” do MPF. Isso porque os recursos do convênio são administrados pela Caixa Econômica e o prefeito só é autorizado a pagar a construtora com autorização do banco.

“Se meu sucessor não deu continuidade no projeto, ele deve ser responsabilizado por que até 2012, nós executamos a obra, sob minuciosa fiscalização da Caixa. Portanto, o prefeito que paga o convênio administrado pela Caixa não deveria ter responsabilidade nenhuma”, declarou.

Ainda segundo o prefeito, o seu sucessor não deu continuidade as obras por “birra”, causando o problema, e que o Ministério Público Federal não está atualizado sobre o projeto.

“O MPF está tão desavisado que sequer procura saber no Tribunal de Contas da União (TCU) que o convênio está ativo, funcionando e autorizado pelo TCU para retomar e concluir obras, com os recursos que ficaram na conta. Eu não tenho responsabilidade nenhuma com este projeto, a não ser de ter conquistado, assinado e levado ao município de Parintins”, declarou.

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