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Comissão do PSDB contraria Doria e propõe prévias para militantes e políticos

Na avaliação de tucanos, a pressa de Doria pelas prévias faz parte de uma estratégia do governador de viabilizar sua candidatura ao Planalto
Fábio Serapião*
• Publicado em 31 de maio de 2021 – 16:34
Copa América
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

BRASÍLIA, DF – A comissão das prévias presidenciais do PSDB finalizou, nesta segunda-feira (31), sua proposta de eleições internas para a direção nacional do partido, que irá deliberar as regras sugeridas pelo grupo e aprovar a versão final.


Em uma derrota para o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que defendia voto de todos os filiados e com o mesmo peso, a ideia é fazer a votação em quatro grupos, “todos com peso unitário de 25% do total de votos (observada a proporcionalidade)”. Um dos adversários de Dória será Arthur Neto.

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Os grupos são: um de filiados; um de prefeitos e vice-prefeitos; outro de vereadores, deputados estaduais e distritais; e o quarto grupo reúne governadores, vice-governadores, senadores, deputados federais, ex-presidentes e presidente do PSDB. Dentro de cada grupo, os votos têm o mesmo peso.

Isso significa que os votos de cada candidato dentro de cada grupo serão contabilizados dentro da proporção de 25%. Por exemplo, se um candidato receber 100% dos votos de um grupo, a contagem final será de 25% para ele.


Outro exemplo: no grupo um, o canditato A tem 60% dos votos e o B, 20%. Na conta final, o A soma 15% e o B, 5%. Primeiro, é feita a apuração em cada grupo e, depois, se chega ao resultado final com a somatória.


A data sugerida é o dia 21 de novembro, um adiamento em relação à data inicialmente marcada pelo presidente do PSDB, Bruno Araújo, em 17 de outubro -outro revés para Doria, que queria a manutenção das prévias na data prevista. Se houver segundo turno, seria em 28 de novembro.

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Já Eduardo Leite (PSDB), governador do Rio Grande do Sul, defendia o modelo federativo para limitar a vantagem de São Paulo -segundo o TSE, o estado concentra a maior fatia (22%) dos 1,3 milhão de filiados do PSDB pelo país.


Na terça-feira (1º), o parecer da comissão será entregue à executiva nacional do PSDB, que irá deliberar e aprovar, na próxima semana, no dia 8, a versão final do texto.

“Nesse intervalo, o partido e os pré-candidatos à presidência manterão os diálogos e entendimentos para homologar a versão definitiva do relatório”, afirma o presidente do PSDB, Bruno Araújo, em nota.


Para membros do PSDB consultados pela reportagem, a proposta final garante que todos os presidenciáveis tenham chance de vencer -desde que articulem dentro de cada grupo- e não entrega nenhum favorito logo de cara.

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Doria tinha minoria na comissão das prévias, coordenada pelo ex-presidente do PSDB e ex-senador José Aníbal. Seu representante era Marco Vinholi, secretário do governo e presidente do PSDB em São Paulo. Também fizeram parte da comissão Lucas Redecker, deputado gaúcho aliado de Leite, Cinthia Ribeiro (prefeita de Palmas-TO), Izalci Lucas (senador), Marcus Pestana (ex-deputado) e Pedro Vilela (deputado).


Na reunião desta segunda, apenas Vinholi demonstrou contrariedade com a proposta de grupos de mesmo peso, que foi aprovada pela maioria. Segundo o relatório do encontro, “a criação de um colégio eleitoral único formado apenas pelos filiados do partido, com voto paritário” foi proposta, mas não aprovada.


A justificativa para o adiamento para novembro é a preocupação com a pandemia do coronavírus e a previsão de que a vacinação estará mais avançada até lá.

Por outro lado, pesou a avaliação de que as prévias devem ocorrer ainda neste ano, já que outras candidaturas, como de Jair Bolsonaro (sem partido), Ciro Gomes (PDT) e Lula (PT), estão em clima de campanha.

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Na avaliação de tucanos, a pressa de Doria pelas prévias em outubro faz parte de uma estratégia do governador de viabilizar sua candidatura ao Planalto em outro partido, caso perca a votação interna do PSDB.


José Aníbal afirmou à reportagem que considera a proposta de prévias democrática, por ser aberta à participação de todos os tucanos. “Vai estimular o debate e a ação de mobilização e conquista de votos pelos pré-candidatos e a construção de uma candidatura para tirar o Brasil da deriva, com liberdade, democracia e combate às desigualdades”, disse.


Pestana afirma que as prévias têm três objetivos -unificar o partido em torno de um nome; apresentar os presidenciáveis tucanos aos eleitores por meio da campanha e dos debates internos; e construir um programa de governo a ser apresentado no pleito de 2022.

(*) Com informações da Folhapress

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