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‘Decidiam e mandavam Pazuello fazer’, diz Omar sobre gabinete paralelo

As imagens mostram o aconselhamento do chamado “ministério paralelo” sendo feito a Bolsonaro, sobre ressalvas à aplicação de vacinas.
(*) Da Redação – Portal Amazonas 1
• Publicado em 05 de junho de 2021 – 09:15
Foto: Divulgação/ Metrópole

O senador Omar Aziz (PSD-AM), que preside a CPI da covid-19, afirmou que a divulgação de um vídeo onde o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aparece em uma reunião ao lado do ex-ministro Osmar Terra e da médica Nise Yamaguchi, é a prova de que o “gabinete paralelo” de orientação durante a pandemia de fato, existiu, e de que o ministro Pazuello apenas “recebia ordens” à frente da pasta.

“Todos que foram lá [na CPI] negaram. A Dra. Nise negou. Vamos descobrir quantas vezes ela foi a Brasília, de São Paulo a Brasília. Diz um requerimento para saber quantas vezes ela veio, quem pagou as passagens, hospedagens, para que a gente tenha condições de investigar esse gabinete. Tenho certeza absoluta que haverá convites e convocações para várias pessoas que estão na reunião. Aquilo que tínhamos certeza está comprovado nesse vídeo. A discussão sem a presença de um ministro, sem um técnico da saúde. O gabinete paralelo trata de vidas, eles tão decidindo a sua vida. Dia 20 de setembro, conforme está datado, não tenho certeza – certeza eu tenho das palavras que estão na gravação, tanto a Pfizer quanto o Butantan já tinham oferecido vacina para o Brasil. Você vê um menosprezo. Não tinha 200 mil mortes. Agora a gente vai chegar a 500 mil em uma semana, duas no máximo”, afirmou, em entrevista à GloboNews.

“Se isso não é uma reunião tratando de saúde, não sei o que é. Não sou eu que estou dizendo, é um fato. Não tem prova maior. É um vídeo em que o presidente está discutindo a política de saúde para o Brasil. Não é um seminário, é uma reunião com o presidente sem a presença de nenhum membro do ministério. Por isso que o ministro Pazuello recebia ordens. Decidiam ali e mandavam o Pazuello fazer. Por isso que ele disse que ‘um manda’ e ele ‘obedece’. Tá mais que provado o gabinete paralelo, negado pela Dra. Nise Yamaguchi, que disse que o presidente só foi uma vez. O presidente era o primeiro da fila”.

Leia mais: Omar diz que bateu ‘desespero’ em Bolsonaro: ‘o povo já aderiu à CPI’

As imagens foram reveladas nesta sexta-feira (4) pelo portal Metrópolis, e mostram o chamado “gabinete paralelo” orientando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a ter cautela com vacinas contra a covid-19. O vídeo mostra a médica Nise Yamaguchi, o ex-ministro Osmar Terra e o virologista Paulo Zanotto, entre outros participantes —entusiastas do chamado “tratamento precoce” e da imunidade de rebanho.

Aziz afirmou que Terra também receberá um convite para prestar esclarecimentos na comissão. “Tem o convite ao deputado Osmar Terra, espero que ele compareça. Parece que existe ali um problema jurídico que deputados federais não podem ser convocados, estamos discutindo isso. Mas tenho certeza que ele tem todo interesse em ir na CPI e falar daquilo que defendeu e defende. Você tem o deputado Osmar Terra, que por várias vezes disse que quase foi ministro da Saúde. Tinha o ministro paralelo, que era o Osmar Terra, e o de direito. O de direito era o Pazuello, que recebia ordens. Olha as contradições”, apontou.

“Eu sempre disse: o presidente não acordou e sonhou que tratamento precoce e imunização de rebanho seria a solução para o Brasil. Ele não recebeu em um sonho dizendo isso salvaria o Brasil. Ele foi convencido, até porque ele não tem nenhum conhecimento na área de ciência, nada, zero. Ele não conhece absolutamente nada sobre saúde. E ele passou a prescrever remédios através das suas redes sociais e lives”.

O senador afirmou que a recomendação de remédios sem a orientação médica é uma “afronta” aos profissionais da área. “É uma afronta, não a mim, não a você, mas a sociedade médica que não permite. Nenhum médico gosta que um leigo fique prescrevendo remédio porque ouviu falar. Você viu até que ele faz um gracejo com a cloroquina. O gabinete paralelo, está mais que provado. Agora, o deputado Osmar Terra, Arthur Weintraub, aquele Felipe [Martins, ex-assessor internacional da Presidência]. Talvez esse doutor que fala aí [provavelmente, Paulo Zanotto]. Hoje é fácil: se a pessoa não mora em Brasília, não tem consultório em brasilia, pegou um avião de qualquer estado, é fácil detectar quantas vezes esteve aqui. É fácil. Ou se não, se faz uma varredura nos hotéis de Brasília”.

Gabinete paralelo

Imagens obtidas pelo Metrópoles mostram o aconselhamento do chamado “ministério paralelo” sendo feito diretamente ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) – com trechos explícitos de ressalvas à aplicação de vacinas. Trechos de uma reunião, ocorrida em 8 de setembro, também confirmam que Arthur Weintraub intermediava os contatos entre o grupo e o Palácio do Planalto.

Entre os participantes do encontro, estão a imunologista Nise Yamaguchi, o deputado Osmar Terra, o virologista Paolo Zanoto e outros médicos de diversas especialidades. Confinados em uma sala de reuniões do Planalto, nenhum dos profissionais usa máscara.

As imagens também apontam Osmar Terra como o cacique intelectual do grupo. “Uma honra trabalhar com o senhor neste período” afirmou Nise Yamaguchi ao deputado. Na CPI da Covid, ela negou a existência de um gabinete paralelo, e disse que prestava apenas “aconselhamento”.

Tratado com deferência especial, o virologista Paolo Zanoto parece ter intimidade com Bolsonaro. O presidente faz questão de que ele saia da plateia e se sente ao seu lado. Para cumprimentá-lo, o presidente da República bate continência.

Na ocasião, Zanoto aconselha Bolsonaro a tomar “extremo cuidado” com as vacinas contra a Covid-19. “Não tem condição de qualquer vacina estar realisticamente na fase 3”, diz. Na data do encontro, e-mails da Pfizer estavam sem resposta nos computadores do Ministério da Saúde.

A orientação antivacina prossegue. “Com todo respeito, eu acho que a gente tem que ter vacina, ou talvez não”, afirma o virologista, enquanto uma médica balança a cabeça de forma negativa. Ele baseia sua argumentação em um suposto problema dos coronavírus no desenvolvimento vacinal, sem apresentar qualquer evidência.

Confira o vídeo:

(*) Com informações dos portais Metrópoles e UOl.

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