Melhor crescer menos do que artificialmente, diz Guedes

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Melhor crescer menos do que artificialmente, diz Guedes

Nesta sexta, Guedes afirmou que o Brasil cresceu artificialmente nos anos de 2009 e 2010, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Paulo Guedes Ministro da Economia, durante o evento BNDES com S de Social e Saneamento nesta sexta-feira, 6, na sede no centro do Rio de Janeiro. Um encontro com discussões sobre as principais acoes de investimentos e instruturacoes de projetos no setor. - (Foto: Adriano Ishibashi/FramePhoto/Folhapress)

O ministro da economia, Paulo Guedes, defendeu na manhã desta sexta-feira, 6, em evento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), no Rio de Janeiro, que não adianta forçar o crescimento do país. Segundo ele, é melhor crescer menos do que crescer artificialmente.

“É melhor, se for o caso, crescer mais baixo. Investe mais em educação, saúde, saneamento. Crescer mais rápido […] não acontece também, sem fazer esses investimentos. É um crescimento artificial”, disse.

O orçamento de 2019 foi elaborado com uma previsão de crescimento de 2,5%. Após sucessivos cortes na projeção, o Ministério da Economia elevou a previsão oficial para 0,9% no mês passado. Nesta sexta, Guedes afirmou que o Brasil cresceu artificialmente nos anos de 2009 e 2010, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

“Bota os juros mais baixos, bota o governo para criar mais emprego, rápido. Depois sabemos o que acontece. Inflação foi embora para dois dígitos, começou a confusão. Brasil caiu, teve impeachment. Então, não adianta forçar.”

O ministro participou do evento “BNDES com ‘S’ de Social e de Saneamento”, com a presença do presidente do banco, Gustavo Montezano, da ministra Damares Alves e dos governadores do Acre, Alagoas e Amapá.

Ele relacionou a queda dos juros longos à aprovação da reforma da Previdência e afirmou que, segundo cálculos do governo, as despesas com os juros da dívida pública em 2020 vão cair em R$ 96 bilhões.

“Recurso que estava aí […] paraíso dos rentistas. Para que criar emprego se pode ganhar 100 bilhões de dólares todo ano só aplicando em título público? É uma deformação completa”, disse. Guedes voltou a defender a desindexação dos recursos públicos e maior autonomia para governadores e prefeitos alocarem os investimentos. 

Ele também disse que investidores estrangeiros têm muito interesse em aplicar no saneamento no país e que este é o legado que o novo BNDES quer deixar. O ministro criticou, mais uma vez, a antiga política dos campeões nacionais, atrelada às administrações petistas, e afirmou que o governo está “despedalando” os bancos públicos. 

“Ninguém pode virar campeão mundial bombado pelo governo”, disse. Quase duas semanas após afirmar a jornalistas que não se assustem “se alguém pedir o AI-5”, Guedes dedicou parte de sua fala para defender que a democracia brasileira (“resiliente, brilhante e forte”) funciona normalmente.

“A gente está vendo as instituições brasileiras robustas, se aperfeiçoando. É um sistema vibrante. E, dentro disso tudo, um presidente e um Congresso que estão apoiando as reformas”. Guedes foi seguido pela ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que abriu sua fala afirmando que o economista é seu ministro preferido.

Damares defendeu sua presença no evento sustentando que o saneamento é um direito humano. “Não posso falar de direito de minorias, da mulher, e esquecer o direito ao saneamento […] Tem maior violência contra uma mulher de ver seu filho agonizando no colo com dores por causa de hepatite?”. Ela pediu desculpas por ser a “ministra exagerada”, afirmando que “alguém tem que ser exagerado” no governo.

(*) Com informações da FolhaPress

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