Pecuaristas comemoram alta da carne e elogiam o presidente Bolsonaro

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Pecuaristas comemoram alta da carne e elogiam o presidente Bolsonaro

Segundo o produtor, a classe estava sendo 'massacrada', mas agora está podendo investir mais na inseminação, comprando boi de qualidade

Bolsonaro conversa com pecuarista (Foto: Reprodução)

Em um vídeo publicado na página oficial do presidente Jair Bolsonaro, no último sábado, 30, um pecuarista de Minas Gerais agradece ao presidente pela alta no preço da carne.

O homem diz que faz parte de um grupo no whatsApp com mil pecuaristas e elogia Bolsonaro. “Nós viemos aqui pra te dá um abraço porque o que o senhor está fazendo por nós é a diferença, viu. O Brasil precisava de um presidente igual você. Presidente o senhor vai ficar pra história”, diz. 

Segundo o pecuarista, a classe estava sendo ‘massacrada’, mas agora está podendo investir mais na inseminação, comprando boi de qualidade para dar produção, e acrescenta: “Com esse aumento na arroba que tá hoje, para nós que somos pecuaristas, vai ficar para a história presidente”.

Em resposta ao pecuarista o presidente diz: “Mas a carne, aqui, internamente, daqui a um tempo acho que vai diminuir o preço”. 

Veja o vídeo:

 

Pecuarista agradece Bolsonaro pelo aumento no preço da carne

 

Preço em alta

Contrapondo a expectativa do presidente, na última quinta-feira, 28, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que, o preço da carne não vai baixar.

“Sabemos que essa situação decorre de uma conjuntura de fatores. Agora, a arroba não vai baixar mais ao patamar que estava”, disse.

O preço da carne vermelha começou a subir em agosto deste ano, quando o produto já registrava um aumento de 2, 09% segundo o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Associação Paulista dos Supermercados (Apas) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). 

Em outubro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que revelou naquele mês, o aumento de 1,77% no preço da carne, sendo o item de maior pressão sobre a inflação de outubro, ao lado da gasolina, ambos contribuindo com 0,05 ponto porcentual cada um para o IPCA.

Segundo o gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE, Pedro Kislanov, o aumento nas exportações justifica a alta.

“Aumentou muito a demanda pela carne brasileira no exterior. Esse aumento das exportações restringiu a oferta no mercado interno e fez com que o preço subisse. É demanda de exportações”, explicou.

Essa também foi a justificativa dada por algumas redes de supermercados em novembro, segundo elas, a exportação de carne está limitando a oferta da proteína no País, além de inflacionar o produto.

A rede paraense Líder, por exemplo, colocou cartazes em suas 20 lojas de supermercados alertando os consumidores sobre problemas com o abastecimento de carne bovina, a alta dos preços e a falta dos produtos nas lojas.

Para a Tereza Cristina, além do efeito das exportações, é preciso considerar fatores internos, como o preço nacional cobrado pelo pecuarista, que estava sem reajuste há três anos, além da seca prolongada, que mexeu com a produção do boi gordo. 

No Ministério da Agricultura, a análise é de que o preço da carne vermelha deverá se estabilizar em um patamar de preços influenciado diretamente pelo custo internacional da proteína.

Hoje, o preço da arroba do boi gordo – o equivalente a 15 quilos de carne – oscila entre US$ 40 e US$ 50. Se considerada a cotação desta sexta-feira, 29, com o dólar a R$ 4,23, chega a um preço de até R$ 201 pela arroba do boi.

O governo refuta qualquer risco de desabastecimento de carne no mercado nacional. O País tem hoje um rebanho de 215 milhões de cabeças de gado, ou seja, há mais bois no pasto que cidadãos no Brasil.

Inflação

Na avaliação de economistas, a alta não só da carne bovina como de outras mercadorias agrícolas – como feijão (de 38,1%, no atacado, até a metade de novembro), café (5,6%) e frango (3,2%) – deve colaborar para uma aceleração da inflação nos próximos meses.

“Deve haver alguma pressão na inflação”, diz Fabio Silveira, da Macro Sector. Ele estima que as altas dos preços dos alimentos, somadas aos dos combustíveis e energia elétrica, devem fazer com que 2020 comece com uma inflação de 4% a 4,2%.

(*) Com informações do Estadão Conteúdo

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