Venda do pirarucu manejado teve crescimento de 62%
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31 de maio de 2020
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Venda do pirarucu manejado teve crescimento de 62%

Foram quase 500 toneladas de pescado sustentável produzidas por comunidades ribeirinhas do interior da Amazônia

Venda do pirarucu manejado teve crescimento de 62%
Pirarurcu Foto- Divulgação/ Instituto Mamirauá

Em 2019, os manejadores de pirarucu das reservas de desenvolvimento sustentável Mamirauá e Amanã, no Amazonas, venderam 494.438 quilos de pescado do maior peixe de escamas de água doce do mundo.

O valor representou um aumento de 62% em relação a 2018, quando foram produzidos 303.911 quilos.

O aumento foi reflexo do maior número de pirarucus capturados na temporada, possível pela retomada do pedido de maior quota para três grupos de manejo.

No ano passado, foram 9.637 peixes, um aumento de mais de 3 mil em relação à temporada anterior, quando foram capturados 6.169.

Os dados são do relatório técnico anual do manejo feito pelo Instituto Mamirauá, organização social fomentada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) que oferece assessoria técnica ao manejo de pirarucu na Amazônia.

“O aumento da cota em 2019 veio acompanhado de um reajuste modesto no preço. Isso significa que os grupos de manejo estão conseguindo manter a estabilidade da renda, mesmo diante de um cenário desafiador para venda da produção”, explica Ana Cláudia Torres, coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá.

Os resultados simbolizam o crescente fortalecimento da pesca sustentável de pirarucu na Amazônia como fonte de renda viável a milhares de ribeirinhos.

Em 2019, o manejo rendeu R$ 2.533.603 que beneficiou 1.165 de pescadores e pescadoras envolvidos na atividade.

Com a venda de outras espécies de valor comercial, como o tambaqui, o desempenho do manejo de pesca na região foi de mais de 3 milhões de reais.

Os números gerais são de 10 dos 12 projetos de manejo de pesca no interior e arredores das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, em um território total de mais de 3 milhões de hectares.

O manejo do pirarucu de 2019 incluiu 48 comunidades ribeirinhas, três colônias de pescadores, uma associação de pescadores e um sindicato de pescadores.

A caminho do mercado nacional

Como nos outros anos, a maior parte da produção (90,8%) foi comercializada e consumida dentro estado do Amazonas.

O relatório mostra a capital do estado, Manaus, e os municípios de Manacapuru e Iranduba como principais compradores do pescado.

Os 9,2% que saíram do Amazonas tiveram como destino o município de Monte Alegre, no Pará.

Manejadores e instituições apoiadoras trabalham, entretanto, para que nos próximos anos o pescado se expanda para o mercado nacional.

Em junho, foi oficializada a criação da Federação dos Manejadores de Pirarucu da Região de Mamirauá (Femapam), organização gestora do selo de Indicação Geográfica (IG) do pirarucu de manejo, cujo processo se encontra na etapa final.

Selo

O projeto “Indicação Geográfica Pirarucu Manejado de Mamirauá” conta com o apoio do Programa de Manejo de Pesca e do Núcleo de Inovação e Tecnologias Sustentáveis (Nits) do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), além de órgãos como SEBRAE, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Prefeitura de Tefé e outras entidades parceiras.

A Indicação Geográfica (IG), explica Ana Cláudia, é uma ferramenta de mercado.

“A divulgação do nome tem capacidade de atrair compradores de fora do estado do Amazonas e essa demanda ajudará a regular o preço do mercado interno. Com isso, o produtor irá receber um valor mais justo pela produção.”

Apesar do aumento de mais de 20% nos últimos dois anos, o preço médio pago pelo quilo do pirarucu manejado ainda está abaixo do ideal.

Um estudo realizado em 2017 concluiu que o preço médio para garantir a viabilidade econômica para as comunidades ribeirinhas seria de cerca de 13 reais.

O produto sofre desvalorização pela prática de pesca ilegal e também pela falta de estrutura adequada que descentralize o escoamento do produto.

“Existe uma carência de infraestrutura. Faltam unidades de processamento e armazenamento mais próximo das unidades de produção. Atualmente, existem estruturas centralizadas na capital e esse escoamento de produção impõe dificuldade por causa do grande número de intermediários nesse processo”, diz a técnica, ao referir-se aos atravessadores, responsáveis pelo transporte do pescado até os frigoríficos.

Em agosto, o projeto ‘Gosto da Amazônia’ que busca contribuir para melhoria da qualidade de vida das comunidades envolvidas no manejo legal da espécie levou o pirarucu manejado ao Rio Gastronomia, maior evento de gastronomia do país que reuniu mais 50.000 pessoas na cidade do Rio de Janeiro.

A iniciativa é fruto da cooperação internacional entre o governo do Brasil e dos EUA, executada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Serviço Florestal dos EUA (USFS), com recursos da Agência para o Desenvolvimento Internacional dos EUA (USAID) e apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ).

 

(*) Com informações do Instituto Mamirauá

Amazonas1 TV

Publicado por Amazonas1

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