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27 de fevereiro de 2021
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Filme de Chacrinha reflete sobre era da TV encerrada por Faustão

No formato documental, novo filme tem a oportunidade de trazer fatos, minúcias e a precisão que ficaram de fora na produção de 2018, em que atores fizeram o papel de personagens da vida real

Filme de Chacrinha reflete sobre era da TV encerrada por Faustão

Explica muito a televisão e o Brasil de outros tempos o documentário “Chacrinha – Eu Vim para Confundir e Não para Explicar”, que estreia nos cinemas agora. Neste novo filme, imagens reais e entrevistas contam histórias que já haviam sido retratadas pelos mesmos produtores no longa-metragem “Chacrinha: O Velho Guerreiro”, em que Stepan Nercessian interpreta o mais popular apresentador do país.

Mas, no formato documental, eles têm a oportunidade de trazer fatos, minúcias e a precisão que ficaram de fora na produção de 2018, em que atores fizeram o papel de personagens da vida real.

Ficamos sabendo, por exemplo, que quando Chacrinha organizou um concurso do cão mais pulguento, logo que entrou na Globo, foi Roberto Marinho quem chegou se coçando à emissora e, nervoso com a bizarrice, perguntou a Boni, o diretor-geral, se o programa estava com boa audiência.

Quando soube dos altos números, perdoou a apresentador. “Ah, então deixa as pulgas pra lá.” No filme com Nercessian, como o dono da emissora não é personagem, a passagem é contada como se o chefe tomado pelas pulgas tivesse sido Walter Clark, o diretor-executivo. É um detalhe, claro, mas que joga mais luz sobre as profundezas da guerra pela audiência.

Tanto o filme anterior quanto o novo retratam a falta de limites na briga por telespectadores com o episódio em que Chacrinha mandou sequestrar uma mãe de santo que seria atração do seu concorrente, Flávio Cavalcanti, da Tupi. No documentário, abrem espaço para análise, inclusive com entrevista com Gugu Liberato, que, nos anos 1990, no SBT, protagonizou disputa semelhante com Fausto Silva, da Globo.

Gugu conta que era frequente que se mantivessem convidados presos em hotel até a chegada do domingo, sem televisão e sem telefone, para evitar o assédio da concorrência, e admite que, nesse ambiente, “às vezes se cometem alguns excessos”. Ele, por exemplo, levou ao ar uma falsa entrevista com um membro de uma facção criminosa, enquanto Faustão tem na lista de “excessos” o sushi erótico, no qual uma mulher nua virava bandeja de arroz e peixe cru para homens degustarem.

Curiosamente, a estreia de “Eu Vim para Confundir” coincide com o anúncio da saída de Fausto Silva da Globo, depois de 32 anos comandando o auditório herdado de Chacrinha, o que convida à reflexão sobre a sobrevida, em tempos multimídia, de formatos televisivos adaptados da era do rádio, do início do século passado.

Outra coincidência com o lançamento do documentário é a notícia de que a família Montenegro, que criou o Ibope há quase 80 anos anos, vai deixar o ramo das pesquisas. No filme, Carlos Montenegro, presidente do instituto, conta que certa vez teve o seu número de telefone divulgado no ar por Chacrinha, irritado com a baixa audiência do seu programa, num período em que estava na Bandeirantes. O executivo não teve dúvida -atendeu a mais de 400 telespectadores afirmando que eles haviam ganhado televisores e geladeiras numa promoção e deveriam se dirigir à sede da Band.

O pano de fundo da história do Brasil tem papel menor. Da mesma forma que o outro filme, “Eu Vim para Confundir” lembra o dia em que Chacrinha foi preso por desacatar uma censora que implicou com o figurino das chacretes. Fica de fora uma visão mais aprofundada sobre a relação da ditadura militar com os programas de auditório.

Para além do moralismo da censura, o regime perseguia Chacrinha e outros apresentadores por os considerar incômodos para o marketing do Brasil moderno, do milagre econômico. E se deu um show de arbitrariedade contra o que era popular.

O documentário, por outro lado, aponta para a atual retomada moralista no país, que, somada ao advento das preocupações politicamente corretas, tornariam inviável um programa com tanta liberdade como o de Chacrinha. Bacalhau atirado à plateia, diz Luciano Huck, seria o escândalo do desperdício da comida. Para Angélica, hoje não se poderia mostrar mulheres quase nuas, como as chacretes, à tarde na TV.

É exibido com discrição, já quando sobem os créditos ao final do filme, o depoimento de Tony Bellotto sobre a anarquia dos bastidores, com oferta de cocaína e uísque paraguaio. Era caótica, amadora e cheia de excessos a TV de Chacrinha, mas permanece na memória afetiva, porque, como resume reportagem resgatada pelo documentário, “espelhava com irreverência e alegria as cores da confusão brasileira”.

SÃO PAULO

CHACRINHA – EU VIM PARA CONFUNDIR E NÃO PARA EXPLICAR

Quando Estreia nos cinemas do Rio e de São Paulo dia 28

Produção Media Bridge

Direção Claudio Manoel e Micael Langer

Avaliação Muito Bom

*Com informações Folhapress

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