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AM registra 30 casos de suicídios somente nos primeiros meses de 2019

No mesmo período em 2018, o número era de 21 suicídios no Amazonas e 21 em Manaus, isso corresponde a um crescimento de 42,86% e 23,81% respectivamente.


No Amazonas, segundo os dados apresentados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), Instituto Médico Legal (IML) e o Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp), 30 pessoas já tiraram a própria vida de janeiro a abril deste ano. Em Manaus, o número é de 26 pessoas.

No mesmo período do ano passado, o número era de 21 suicídios no Amazonas e 21 em Manaus, isso corresponde a um crescimento de 42,86% e 23,81% respectivamente.

No ano passado, o Ministério da Saúde apresentou os dados das taxas de suicídios no Brasil e o país registrou 11.433 mortes por suicídios em 2016, o que significa uma média de um caso a cada 46 minutos. As maiores taxas de crescimento foram registradas entre jovens e idosos, de acordo com o Ministério da Saúde.

No mundo todo, o suicídio acontece mais de 800 mil pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). É a segunda causa de morte no planeta entre jovens de 15 a 29 anos — a primeira é a violência.

De acordo com a professora de psicologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Denise Gutierrez, ainda há um déficit muito grande de pessoas que procuram tratamentos como forma de se prevenir de futuros problemas psicológicos. “As pessoas em geral ainda escondem muito suas vivências com medo de recriminações” disse a psicóloga.

Sinais

Embora não seja tão simples reconhecer quando uma pessoa está passando por algum sofrimento ou crise, existem alguns sinais que podem ser levados em consideração e permitem que os familiares ou pessoas ao redor estejam sempre atentas.

De acordo com o Ministério da Saúde, alguns dos principais sinais é o aparecimento ou agravamento de reclamação dos problemas durante pelo menos duas semanas, preocupação com a própria morte, falta de esperanças, isolamento e expressão de ideias ou de intenções suicidas.

“As pessoas sob risco de suicídio costumam falar sobre morte e suicídio mais do que o comum, confessam se sentir sem esperanças, culpadas, com falta de autoestima e têm visão negativa de sua vida e futuro. Essas ideias podem estar expressas de forma escrita, verbal ou por meio de desenhos” informou o Ministério da Saúde.

Causas

O suicídio é um fenômeno complexo e pode afetar qualquer tipo de pessoa, de diferentes origens, classes sociais, idade, orientações sexuais e identidades de gênero. Alguns dos fatores que podem ser considerados são: exposição ao agrotóxico, perda de emprego, crises econômicas, discriminação, agressões físicas e psicológicas, sofrimento no trabalho, conflitos familiares, perda de um ente querido, entre outros fatores vulneráveis.

No entanto, de acordo com especialistas, um dos maiores fatores é a relação com a depressão ou outras questões psicológicas. Para Denise Gutierrez, depois de uma perda significativa para a pessoa, “ela não consegue dar respostas adaptativas ressignificando sua nova situação”. Ou seja, a pessoa não consegue lidar com certas frustrações. 

Saúde Pública

Aos poucos, conforme as pessoas vão criando consciência, a ideia de que suicídio deve ser tratado como um assunto de saúde pública vem sendo introduzida cada vez mais na sociedade. No entanto, essa questão ainda é tratada como um pecado e também como fraqueza em relação a pessoa que tentou tirar sua própria vida.

“No meio científico o tema tem tido cada vez maior destaque, pois as estatísticas indicam a relevância dos estudos do tema para a saúde publica” informou a psicóloga.

Denise Gutierrez afirma que quando se trata de saúde mental, a ausência de atenção dos vários setores da sociedade é ainda maior. “De fato, todos os temas ligados à saúde mental são negligenciados pelo sistema saúde e são invisibilizados pela sociedade que vê o doente de forma preconceituosa e estigmatizada”

Além disso, segundo a psicóloga, se houvesse um maior preparo dos profissionais para o assunto, os índices de suicídio não seriam tão elevados. Os profissionais de saúde não estão preparados para avaliar o risco e agir com agilidade e efetividade.

Diante disso, o ideal seria capacitar profissionais e mobilizar a população para a realidade dessas ocorrências. Além disso, as relações familiares são fundamentais para o equilíbrio emocional de uma pessoa. “É  importante que haja uma melhora na qualidade das relações familiares e humanas nos diversos contextos institucionais como forma de transformação desse contexto social do suicídio” afirma.

 

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