Laudo da queda de avião não está pronto; sobreviventes relatam problemas de saúde

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Laudo da queda de avião não está pronto; sobreviventes relatam problemas de saúde

Acidente aconteceu dia 16 de setembro dentro da área do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, após a aeronave decolar rumo à cidade de Maués

Aeronave caiu logo após decolar ainda dentro da área do aeroporto (Foto: Divulgação)

Cinquenta e três dias após a queda do avião modelo Caravan C202, da empresa Two Flex, em uma área verde da avenida do Turismo, próximo do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes no dia 16 de setembro, o laudo com o resultado do motivo que ocasionou a queda ainda não foi concluído pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidente Aeronáuticos (Cenipa), que fica em Brasília.

O Amazonas1 procurou o Comando da Aeronáutica (Comaer) vinculada à Cenipa, que é o órgão responsável pelas atividades de investigação e prevenção dos acidentes aeronáuticos que ocorrem no território brasileiro, para saber se tem algum prazo para finalizar essa investigação, mas, conforme a assessoria de imprensa do órgão, a conclusão para o laudo do motivo da queda da aeronave de matrícula PT-MHC ainda está em andamento. “A necessidade de descobrir todos os fatores contribuintes garante a liberdade de tempo para a investigação”, disse em nota.

O órgão informou ainda que “a conclusão de qualquer investigação conduzida pelo CENIPA terá o menor prazo possível dependendo sempre da complexidade do acidente”. “Os profissionais trabalham na identificação dos fatores contribuintes presentes, direta ou indiretamente, na ocorrência e na emissão de Recomendações de Segurança (RS) que possibilitem a ação direta ou tomada de decisões que eliminem aqueles fatores ou minimizem as suas consequências”, conclui a nota.

Saúde fragilizada 

A aeronave caiu ainda na mata do aeroporto de Manaus tão logo iniciou a decolagem, por volta de 12h30 com destino ao município de Maués, a 276 quilômetros em linha reta. À bordo, estavam dez pessoas, entre passageiros e tripulantes. Por sorte, todos sobreviveram. Um dos passageiros era o contador Dilson Marcos Kovalski, 56.

Ele sofreu queimaduras, escoriações e fratura e foi encaminhado para o Pronto Socorro 28 de Agosto. Dilson sobreviveu, mas por conta dos ferimentos, sua saúde está bem debilitada, conforme revelou a filha, Diana Kovalski.

“Meu pai ficou muito machucado após a queda, ele precisou ficar 10 dias internados na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo). Quando ele foi liberado para o quarto chegou a passar mal e retornou para à UTI, onde ficou mais 13 dias lá. Ao total, foram 36 dias de hospital”, disse Diana, que ficou sabendo do acidente por meio de seu irmão e pensava que ele estaria brincando. Passado o choque ao receber informação, ela seguiu para o local da queda.

Dilson Kovalski perdeu a força dos movimentos e não está mais andando. Diana conta que ele vai precisar passar por uma nova cirurgia. “Estamos nos adaptando para ele, por falta desses movimentos e locomoções precisamos mudar muitas coisas. Mas assim, o maior milagre já foi feito, pois todos sobreviveram”, disse. O desespero de Diana quando soube do acidente foi duplo: seu marido, Ricardo Lorentino Koba, também estava na aeronave.

“Meu irmão me falou que já tinha falado com meu pai e meu esposo e que eles estariam bem, eu estava muito nervosa mas consegui chegar ao local do acidente debaixo de muita chuva e fiquei lá na expectativa das informações. Somente após uma hora e meia de espera, de muita aflição, angústia para saber qual era o real estado de saúde deles, é que ficamos sabendo que meu esposo e meu pai haviam sido encaminhados para o 28 de Agosto.” 

Diana relembra que, ao chegar no Hospital havia muito tumulto, mas consegui entrar com sua mãe na unidade, onde receberam um atendimento prévio com uma assistente social e psicólogo. “Em seguida, eu consegui ver meu pai passando na maca, muito machucado, ele não me viu foi quando eu fiquei mais desesperada só orava e pedia para que Deus guardasse a vida do meu pai. Depois de uma hora e meia que eu vi meu pai, o meu esposo foi liberado. Fiquei muito emocionada e um casal de amigos nos levou pra casa”, disse. 

O esposo de Diana, Ricardo Lorentino Koba, relatou que momentos antes da queda não houve nenhum barulho antes de cair, mas, sim, uma turbulência. “Não deu tempo de pensar que o avião estava caindo, foi tudo muito rápido. Após a queda houve um silêncio momentâneo, depois ouvia-se uns gemidos, e como eu estava bem fui começar a socorrer meu sogro que estava ao meu lado e os demais passageiros”. relembra a vítima.

Ricardo  sofreu uma leve lesão na lombar e teve distração no cotovelo após a queda, ele foi atendido no Pronto Socorro 28 de Agosto e foi um dos primeiros a ter alta, ao chegar em sua casa passou mal e retornou para um hospital particular, onde foi diagnosticado com algumas alterações no sistema nervoso e fisiológico, Koba ficou internado e foi liberado após 6 dias. Atualmente ele segue realizando fisioterapia devido o impacto sofrido no cotovelo.

Questionados se iriam executar alguma ação para recurso de idenização contra a empresa Two flex responsável pela aeronave, a família informou que até o momento ainda não sabem, pois a empresa está prestando o apoio. “A gente agora tá esperando só o tempo, para todos se recuperarem” finalizou Diana. A reportagem tentou contato com a empresa Two flex mas não obteve resposta.

Todos os que estavam a bordo sobreviveram ao total 10 pessoas incluindo o piloto, eles são: Antônio José Maciel de Oliveira, 60 anos, André Costa de Oliveira Neve, Dario Teixeira, 35 anos, Dilson Marcos Kovalski, 56 anos, Dilvete Nunes Magalhães, 45 anos, Francisco Pereira de Souza, 40 anos, Marcos Antônio Mousardo (piloto), Maria Cristina Magalhães, 51 anos, Ricardo Lorentino Koba, 35 anos, Vanna Agostinho da Mota, 33 anos.

O Resgate

O sargento Denis Wilson, da assessoria de comunicação do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), relembrou momento após receberem a ocorrência e deslocarem as viaturas do posto central do comando de socorro e uma equipe que fica na sessão contra incêndio no aeroporto Internacional Eduardo Gomes para o resgate, onde não se sabiam o ponto exato da queda.

“Assim que nós conseguimos a localização dessa aeronave adentramos na área de mata, que fica ao lado da cabeceira da pista do aeroporto e as nossas equipes iniciaram o resgate de buscas. Haviam 6 pessoas do lado de fora do avião e 4 dentro presas às ferragens, todos estavam com sinais vitais, iniciamos as triagens para encaminhar às unidades hospitalares, graças a Deus todos sobreviveram.”

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