MENU
logo-amazonasum

Copyright © Portal Amazonas1. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita.

Netanyahu ataca coalizão que pode pôr fim a sua era de poder em Israel

No Twitter, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu disse que 'todos os legisladores eleitos por votos da direita devem se opor a este perigoso governo de esquerda'
Da Redação – Portal AM1
• Publicado em 03 de junho de 2021 – 11:33
Netanyahu ataca coalizão que pode pôr fim a sua era de poder em Israel
Foto: Reprodução

SÃO PAULO, SP – Com sua era como líder do governo de Israel por um fio, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu adotou em suas redes sociais uma estratégia de combate ao bloco de oposição que pode pôr fim a seu período de 12 anos no cargo.

Nesta quinta-feira (3), em publicações no Twitter, Bibi, como ele é conhecido, disse que “todos os legisladores eleitos por votos da direita devem se opor a este perigoso governo de esquerda”.

O premiê se refere à coalizão anunciada nesta quarta-feira (2), depois de 28 dias de negociações, por Yair Lapid, líder do partido Yesh Atid e cabeça do bloco que agora busca sustentação no Parlamento para formar um novo governo.

Embora tenha, sim, membros da esquerda radical, como os do partido Meretz, a coalizão também é formada por legendas de espectros que vão do centro à direita nacionalista. Em comum, apenas a vontade de afastar Netanyahu, o mais longevo primeiro-ministro da história israelense e o primeiro a enfrentar acusações criminais –corrupção, suborno e fraude– durante o mandato.

Lapid é o atual chefe da oposição, mas quem vai assumir o cargo de primeiro-ministro nos primeiros dois anos do novo governo será Naftali Bennett, líder da legenda de ultradireita Yamina e antigo aliado de Netanyahu.

Em outra publicação no Twitter, Bibi destacou os vínculos da nova aliança com Mansour Abbas, líder da Lista Árabe Unida (ou Ra’am), partido que representa a minoria árabe em Israel e também compõe a coalizão. A postagem inclui um vídeo em que Bennett aparece dizendo que Abbas “visitou terroristas assassinos na prisão” após um ataque em 1992 no qual cidadãos árabes de Israel mataram três soldados.

A tentativa de associação pejorativa reitera, ainda que de forma indireta, posturas de Netanyahu que lhe renderam acusações de racismo. No passado, o premiê instou seus partidários a votarem usando o argumento de que “os árabes estavam indo às urnas em massa” –algo que soa como uma ameaça para a direita nacionalista.

Durante anos, Netanyahu afirmou que nunca faria alianças políticas com essa minoria e, em campanhas anteriores, também recorreu a uma retórica racista associando árabes ao terrorismo fundamentalista. No último ciclo eleitoral, porém, visitou comunidades árabes para pedir votos para o Likud, já que sua permanência no governo parecia depender justamente do apoio do Ra’am.

“Digo aqui com clareza e franqueza: quando o próprio estabelecimento deste governo for baseado em nosso apoio, seremos capazes de influenciá-lo e realizar grandes coisas para nossa sociedade árabe”, disse Abbas durante um pronunciamento a apoiadores.

No total, a coalizão será formada por oito partidos: Yamina, Israel Nossa Casa, Nova Esperança (as três de direita), Yesh Atid, Azul e Branco (ambas de centro), Trabalhista, Meretz (dupla de esquerda) e Ra’am. Inicialmente, a expectativa era a de que o Ra’am apenas apoiasse a aliança no Parlamento, sem fazer parte formalmente do governo. No início da semana, no entanto, Abbas afirmou que irá fazer parte do grupo e que espera indicar alguns nomes para o segundo escalão –será a primeira vez na história que uma legenda árabe vai integrar o governo israelense.

A união entre diferentes forças do espectro político foi a única maneira encontrada para pôr fim à atual crise política em Israel, que já dura mais de dois anos. Nesse período foram realizadas quatro eleições, mas todas terminaram com resultados inconclusivos, com um bloco de apoio a Netanyahu e, outro, de oposição –nenhum dos dois lados tinha cadeiras suficientes para governar sozinho, criando um impasse.

O próximo passo é a aprovação do novo gabinete pelo Knesset, o Parlamento de Israel. Apenas quando todo esse processo for concluído, o novo primeiro-ministro tomará posse, e Netanyahu deixará o cargo.

A sessão parlamentar na qual a nova coalizão pode ser aprovada por maioria simples, no entanto, pode estar a até 12 dias de distância, disse nesta quinta Avigdor Lieberman, líder conservador do Israel Nossa Casa. Qualquer tentativa de antecipar a votação deve ser barrada pelo presidente do Parlamento, Yariv Levin, aliado de Netanyahu, o que gera a expectativa de que o premiê deve seguir tentando reverter o cenário que lhe é desfavorável.

A reviravolta é possível, já que o bloco formado pela oposição tem apenas 61 das 120 cadeiras no Legislativo. Assim, caso um deputado se rebele, a aliança perde a maioria e não consegue remover o atual premiê.

A grande questão no país agora é o que Netanyahu, um político conhecido pelo instinto de sobrevivência, vai fazer. Da outra vez em que foi removido do cargo de premiê, em 1999, ele anunciou que se aposentaria da vida pública e passou a trabalhar como executivo de uma empresa de telecomunicações –apenas para retornar à política alguns anos depois. Desta vez, porém, a expectativa é a de que, enquanto se defende das acusações na Justiça, ele siga no Parlamento como líder do Likud e da oposição, preparando o terreno para tentar reassumir o cargo nas próximas eleições, daqui a quatro anos.

(*) Com informações da Folhapress

Netanyahu ataca coalizão que pode pôr fim a sua era de poder em Israel

Publicidade

Publicidade

MATÉRIAS RELACIONADAS

Copy link
Powered by Social Snap