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3 de agosto de 2020
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A formação profissional superior para a 4ª. revolução Industrial

Que algumas profissões irão desaparecer é um fato inquestionável. Não há como evitar, já aconteceu no passado, quando o sonho de toda mãe era que seus filhos aprendessem datilografia, que era a porta de entrada para um emprego e uma carreira. Outras profissões irão mudar radicalmente, exigindo dos profissionais da próxima geração habilidades e competências […]

A formação profissional superior para a  4ª. revolução Industrial

Que algumas profissões irão desaparecer é um fato inquestionável. Não há como evitar, já aconteceu no passado, quando o sonho de toda mãe era que seus filhos aprendessem datilografia, que era a porta de entrada para um emprego e uma carreira. Outras profissões irão mudar radicalmente, exigindo dos profissionais da próxima geração habilidades e competências bem diferentes das atuais, como um professor do ensino à distância, que deverá ser um bom comunicador e dominar o uso das tecnologias da informação e comunicação (TICs). Novas profissões também irão surgir, quer diretamente relacionadas às novas tecnologias e a expansão da oferta de tecnologias existentes, como foi o operador de telemarketing, hoje um dos setores que mais empregam no país.  Algumas, que ainda são pouco citadas, surgirão nos próximos anos, como o técnico em próteses cognitivas ou o design de jornadas de realidade aumentada. Quem determinará a velocidade com que isso irá ocorrer é o mercado, o crescimento econômico e o interesse dos jovens por essas novas carreiras. O problema é que não estamos oferecendo essa formação em nossas Universidades.  É preciso uma discussão responsável e rápida sobre o assunto.

Um sinal claro de problemas pode ser visto no caso real adiante: Recentemente, um vídeo que mostra as novas tecnologias, sob o aspecto das mudanças que provocarão no mercado de trabalho, foi apresentado para uma turma de alunos de um curso tradicional e muito procurado, que foi citado como um dos candidatos ao desaparecimento. No vídeo, os profissionais da área são substituídos por um supercomputador dotado de uma aplicação de Inteligência Artificial. Após a apresentação, os alunos começaram a questionar a validade de continuidade dos estudos em algo que tende a desaparecer. O quase pânico causado, indica que o nível de informação e de compreensão sobre o tema, está muito longe do ideal e desejável. 

Todas as mudanças no mercado de trabalho estão diretamente relacionadas às mudanças tecnológicas.  Quando observamos as revoluções industriais passadas verificamos que as mudanças de tecnologia entre elas alteraram profundamente o perfil dos profissionais necessários para as empresas. A troca de fonte de energia é o item em que a tecnologia foi o mais determinante fator de mudança. Na primeira revolução industrial as indústrias eram movidas pela força das águas, o que obrigava a implantação das unidades fabris na margem de rios ou próximo a eles. Na segunda revolução industrial a fonte de energia passou a ser o vapor e na terceira foi substituída pela energia elétrica.

As mudanças de fonte de energia foram decorrentes de inovações tecnológicas, no caso invenções, que possibilitaram mudanças profundas, tanto nas fábricas quanto nos fornecedores de equipamentos e de insumos.  Se nas fábricas da primeira revolução industrial a localização era fundamental, com a mudança da fonte de energia para o vapor e depois para a eletricidade, outros fatores passaram a ser considerados, como a disponibilidade de carvão ou a proximidade de redes de distribuição elétrica. O resultado foi o desenvolvimento de regiões que antes não atraiam investimentos e, portanto, onde também não haviam profissionais qualificados disponíveis para contratação. Cidades cresceram e novas empresas, as startups da época, surgiram.  Essas empresas passaram a fornecer equipamentos e serviços para as indústrias que surgiam e ofereciam empregos para profissionais que as escolas da época não formavam. Não existiam escolas de mecânica de vapor ou de formação de eletricistas, muito menos de mecânica de automóveis, indústria responsável pelas grandes inovações do início do século passado.  A formação era fornecida pelas empresas.

Se a falta de formação de profissionais qualificados era um problema para as empresas expandirem suas ações naquela época, em que a velocidade dos acontecimentos era muito menor do que a atual, imaginem o que ocorrerá nos próximos anos com as novas demandas. Hoje, ainda, as empresas estão assumindo o ônus da formação complementar dos egressos dos nossos cursos superiores, em função do descompasso entre a matriz curricular dos cursos, as práticas trabalhadas e a realidade do mercado de trabalho.

As tecnologias que permitiram a evolução da indústria deram origem a novas profissões e eliminaram ou reduziram drasticamente outras profissões que não mais eram necessárias dentro das novas fábricas.  Passamos por um novo período de evolução tecnológica que forma a base da denominada Indústria 4.0 onde robôs,  impressoras 3D, placas controladoras, aplicações de inteligência artificial, entre outros componentes, exigem profissionais com novas habilidades  e competências, assim, precisamos qualificar os alunos dos nossos cursos, em todos os níveis, a se integrarem nesta nova realidade que se apresenta.

Aos alunos dos cursos que aparecem como candidatos a desaparecer eu recomendo observarem as tendências e prepararem-se para atender aos novos requisitos que serão exigidos em suas profissões. Médicos deverão estar aptos a lidarem com robôs que irão realizar cirurgias e com softwares de Inteligência Artificial que irão refinar os diagnósticos. Advogados irão alimentar bancos de dados com informações para rotinas de deep learning, que indicarão os melhores caminhos para um processo, tendo como base decisões anteriores, a análise da legislação vigente, jurisprudência, entre outros fatores que podem alterar o resultado de ações judiciais, fornecendo dados estatísticos e probabilísticos de possíveis resultados, em minutos, deixando aos profissionais a análise das informações e tomada de decisão, muito mais qualificada.

A mudança é inevitável, já está em marcha e precisamos repensar nossos cursos superiores em todos os aspectos, para que, daqui há alguns anos, coloquemos no mercado profissionais mais qualificados e aptos a incorporarem-se ao mercado de forma mais alinhada à realidade. Não é uma tarefa fácil pois necessita de investimentos na infraestrutura das Universidades, na qualificação constante de professores e técnicos, maior integração entre Universidades e Empresas, internacionalização das Universidades com ampliação do intercambio de discentes e docentes e de projetos conjuntos de pesquisa com instituições estrangeiras, entre outras ações em que o país está muito longe de atingir o patamar ideal.

 

 

 

*Dércio Luiz Reis é engenheiro civil, analista de sistemas, Mestre e Doutor em Engenharia de Produção e Professor Adjunto do Departamento de Engenharia de Produção da UFAM.

 

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