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Após acusar Carlos Almeida de ligação com tráfico de drogas, Arthur manda-o trabalhar

O prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), foi abordado pela imprensa sobre a avaliação do governo de Wilson Lima (PSC) e de seu vice, Carlos Almeida (PRTB), e relembrou que Almeida defendeu membros de uma facção criminosa ligada ao tráfico de drogas, quando atuava como defensor público e que o governo do Estado não está conseguindo fazer uma administração responsável na Segurança Pública e na gestão de conflitos.

A declaração de Arthur foi dada na quinta-feira, 15, durante uma coletiva de imprensa sobre a construção de uma estação de ônibus. Após a afirmação, Almeida rebateu o prefeito, dizendo que ele estava tendo “devaneios”. Nesta sexta-feira, 16, Arthur voltou a fazer críticas ao governo e questionou a ausência do vice-governador nas ruas.

Prefeito de Manaus, Arthur Neto, e o vice governador do Amazonas, Carlos Almeida: polêmicas sobre tráfico de drogas e capacidade de gestão (Reprodução)

“Eu sempre fui muito crítico, mas eu não faço nenhuma crítica desprovida de fundamentos. Quando eu disse que o vice-governador (Carlos Almeida) defendeu aquela obra do tráfico de drogas ali na Cidade das Luzes (nome dado a uma invasão no bairro Tarumã, na zona oeste de Manaus), é verdade. Ele estava lá, era o mais adiantado de todos, e não era inocente, não era criança, já era uma figurinha grande”, disparou o prefeito, ontem.

Arthur Neto continuou falando sobre o assunto, citando a participação de outras autoridades na defesa da invasão dos moradores da Cidade das Luzes. “Ah, mas estava o arcebispo (de Manaus, Dom Sérgio Eduardo Castriani). Enganaram o arcebispo. Ah, mas estava a secretária Kátia (Helena, titular da Secretaria Municipal de Educação – Semed), enganaram a Kátia. Aquilo ali (invasão) não era para pobrezinho não. Na verdade, o pobre sofre o jugo daquela gente. Tem construção civil lá, todo o material vai para o tráfico. Tudo só pode comprar ao preço do tráfico. E a gente sabe como eles agem, enfim”, declarou.

O prefeito explicou o motivo de ter levantado a polêmica sobre o assunto envolvendo a invasão Cidades das Luzes. “É preciso ter muita coragem para abordar essa chaga que é o tráfico de drogas, que ameaça a vida de todos nós. Então, não é no meu governo que tem gente desse tipo não, não é no meu governo não. Não é no meu governo que as coisas se passam com essa leviandade e nem com essa característica”, concluiu.

Ausência nos conflitos

Ao falar sobre gestão de crise, Arthur Neto citou a greve dos professores do Estado. “No meu governo, quando acontece qualquer coisinha, eu estou aqui. Quando acontece uma passeata dos professores, o cara pega um avião, às custas da gente, e vai embora. O que é isso, o que é isso?”, questionou o prefeito, referindo-se às viagens de Wilson Lima, durante os quase 40 dias de conflito entre o Estado e os educadores por reivindicações ligadas à reposição salarial.  

Arthur, também, falou da relação entre o governante e a população. “O povo não nasceu para ser enfrentado. O povo nasceu para ser dialogado, para ser amado. Então, eu respeito o direito das pessoas. Quem quiser falar comigo, sempre vai ter guarida, porque eu não vou fugir de problema nenhum. Quando eu não posso dar o que estão pedindo, eu digo: eu não posso. E se eu não posso, eu não dou”, explicou.

Crise financeira

Ao falar sobre estabilidade financeira na gestão pública, Arthur cita Wilson Lima. “Quando eu não posso eu não dou, porque eu prezo a estabilidade financeira do governo. Se não, eu seria ele, o governador, fingindo que está no Reino da Alice, no País das Maravilhas, mas a realidade é dura. E dura para ele, e está ficando mais velha para mim. Eu levei muito tempo para consertar, o que eu recebi do antecessor dele. Ele não pode usar o antecessor dele como desculpa para não fazer nada contra uma crise, que está aí por causa do antecessor dele e por causa dele. Porque não é capaz de tocar para frente o Estado”, dispara.

Ele  finaliza  ironizando a ideia do “novo” na política, um termo usado exaustivamente por Wilson Lima em sua campanha eleitoral ao governo, no ano passado. “Votaram no novo. Se eu soubesse, eu tinha lançado a minha netinha Júlia de nove anos que é mais nova que ele. E poderia fazer as mesmas coisas que ele, só desonestidade que não. Mas faria as mesmas besteiras que ele. Esse negócio de novo foi bom que acabou. Valorize a experiência. O novo está encolhido em alguma toca. O velho está aqui trabalhando, fiscalizando obras e dando satisfação para o seu povo”, concluiu.

Declaração na íntegra 

Prefeito Arthur Neto fala sobre parada de ônibus que custará R$ 207 mil na Ponta Negra

Posted by Amazonas Atual on Thursday, August 15, 2019

 

Explicações e ironias

Depois de ouvir a declaração do prefeito de Manaus, o vice-governador do Amazonas, Carlos Almeida, se pronunciou na imprensa, defendendo-se da acusação do envolvimento com o tráfico de drogas. Ele disse que é de conhecimento público o trabalho que ele desenvolve junto a questões relacionadas a invasões.

Tentando ironizar a idade do prefeito, que tem 73 anos, Carlos Almeida “recomendou” que ele deixasse o cargo, visando a sua história.  “Quero registrar e até dar uma recomendação. Acredito que o prefeito deveria fazer que nem Pelé, sair por cima e respeitar a própria história em vez de ficar estragando aquilo que é o seu patrimônio, que foi conquistado ao longo de tantos anos em devaneio senis”.

Desconsiderando as críticas ao governo, no que diz respeito às ausências em momentos de crise, o vice-governador mudou de assunto e fez ironias.  “Quero deixar muito claro: quando a gente vai trabalhar todo dia para poder enfrentar os problemas que nós temos de frente, a gente não fica prestando atenção no cachorro que fica latindo para a roda do carro”, finalizou Almeida.

Idade e trabalho

Procurado para comentar nesta sexta-feira, 19, a declaração do vice-governador sobre seguir o exemplo de Pelé, que encerrou a carreira no auge, Arthur Neto respondeu: “Ele fala em parar por cima. Ele reconhece que estou por cima…”

Ao citar a administração de Wilson Lima, o prefeito disse: “Eu acho que eles deveriam parar, ele lá. Seriam um bom serviço que prestariam à população se abandonassem esse poder, porque ele estão por baixo. Não tem aqui ninguém que goste deles ou do governo que estão fazendo”, afirmou.

Arthur manteve as críticas relacionadas ao tráfico de drogas.  “Ele (Carlos Almeida) não estava só atiçando na Cidade das Luzes.  Não chama invasão de invasão não, ele chama de ocupação. Ele considera ocupação uma coisa justa. Ele perturbou muita o início da  nossa obra no Corredor do Mindu (igarapé que corta Manaus).”

Nessa obra, o prefeito relembrou que havia interesses de facções criminosas na suspensão dos serviços e na desapropriação das casas dos moradores. “Lá, novamente, ele (Carlos Almeida) misturou o interesse dele ao de tráfico de drogas. Não estou dizendo que ele é traficante, mas ele não faz nada para combater (…) ”

Sobre as ironias feitas por Carlos Almeida à idade do prefeito, ele comentou. “Quanto a me ofender, eu me sinto super jovem, me sinto super forte, forte para qualquer coisa (…) Esse que ele diz que tem devaneios senis, organiza a prefeitura que é tida como a mais organizada do país. Esse está enchendo a cidade de obras, porque tem créditos nos bancos. (…) Se eu pudesse dar um conselho para ele (Carlos Almeida), diria: vá trabalhar, ficar sentado no escritório só faz aumentar o tamanho do bumbum. O que é isso, rapaz?”  

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