Caminhoneiros discordam da nova tabela de frete do Governo Federal

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Caminhoneiros discordam da nova tabela de frete do Governo Federal

As novas regras para o cálculo do frete mínimo de transporte de cargas que entraram em vigor neste sábado (20/7) não agradam categoria

Paralisação dos caminhoneiros na Rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

As novas regras para o cálculo do frete mínimo de transporte de cargas que entraram em vigor neste sábado (20/7) não agradam os caminhoneiros. As alterações, publicadas publicadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na quinta-feira (18/7), determinam que o cálculo do frete mínimo passará a considerar 11 categorias na metodologia para os diferentes cálculos dos pisos mínimos e amplia os itens levados em consideração para o cálculo.

A nova maneira de calcular o valor do piso a ser pago para os transportadores de carga foi baseado em estudo feito pela Esalq Log, grupo de pesquisa e extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura da USP, mas os caminhoneiros reclamam dos parâmetros adotados.

“Nós apontamos nas audiências públicas que a velocidade média que eles estavam colocando no cálculo estava muito alta, eles colocaram 75 km por hora, quando que um caminhão carregado anda a 75 km por hora? A média numa estrada boa é de 50 Km por hora, e a carga horária de 155 ou 160 horas é normal, e não 220 como foi colocado”, explica Wallace Landim, que preside a Cooperativa dos Transportadores Autônomos do Brasil.

Os caminhoneiros reclamam que a nova tabela reduziu o piso a um valor abaixo do custo de trabalho e sem margem para a remuneração do trabalhador.

Segundo a norma, o cálculo do piso mínimo de frete levará em consideração o tipo de carga; também serão aplicados dois coeficientes de custo: um envolvendo o custo de deslocamento (CCD) e, outro, de carga e descarga (CC) que levará em consideração o número de eixos carregados. A resolução determina ainda que será levada em consideração a distância percorrida pelo caminhoneiro

“O estudo tem de ser revisto, o ministro [de infraestrutura, Tarcísio de Freitas] tem que rever com sua equipe técnica junto com a ANTT, tem chamar a Esalq e pedir uma explicação, porque do jeito que está não tem condições, não adianta a gente querer falar de paralisação, porque o projeto sistema, o estudo, está fazendo a categoria parar, porque ninguém vai ter condições de trabalhar”, comenta Wallace Landim.

O presidente Jair Bolsonaro comentou a situação nesta sexta-feira. Ele disse que uma nova paralisação dos caminhoneiros pode prejudicar o desenvolvimento do país. Segundo o presidente, o preço do frete tem a ver com a grande quantidade de caminhoneiros no país.

“Tivemos um problema lá trás do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Social]  oferecer crédito em excesso para a compra de caminhões, cresceu a frota de caminhoneiros assustadoramente e o transportado permaneceu igual, lei da oferta e da procura, caiu o preço do frete, então esperamos que os caminhoneiros não façam greve porque atrapalha o Brasil como um todo”, afirmou Bolsonaro.

A ANTT informou que um novo ciclo de estudos para atualizar a tabela de frete no próximo mês de janeiro já está em andamento.

(*) com informações da Agência Brasil

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