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Empresários do AM condenam redução de impostos de importação

Governo Bolsonaro estuda medida para reduzir os impostos de importação de eletrônicos, como celulares. Empresários temem que medida prejudique o PIM.

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, fala à imprensa.

A recente ameaça do governo Bolsonaro à Zona Franca de Manaus (ZFM) deixou empresários amazonenses preocupados. Isso porque a medida proposta pelo governo afeta um dos principais polos da indústria local. 

O presidente Jair Bolsonaro anunciou, no último domingo,16, que o governo estuda a possibilidade de reduzir os impostos sobre importação de produtos de tecnologia de informação, como celulares e computadores. O objetivo é estimular competitividade e inovação tecnológica, embora especialistas acreditem que a proposta vai ser um retrocesso para economia nacional e regional.

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De acordo com o presidente da CDL Manaus, Ralph Assayag, é necessário um levantamento antes que a medida seja consolidada, uma vez que o país sofre de uma grave crise econômica e o governo “precisa de cada centavo”.

“Nós esperamos que seja mais uma das medidas ‘imediatas’ do presidente que ele acaba recuando. Para diminuir os impostos, ele vai precisar aumentar em outro setor, já que o país está quebrado e o Governo [Federal] precisa da carga tributária para arrecadar . O comércio vai valorizar a importação, vamos vender mais, porém as indústrias nacionais e as que estão na ZFM serão totalmente prejudicadas”, declarou.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, o Governo Federal precisa entender que o Amazonas não possui condições de competir com outras regiões do Brasil de forma igualitária.

“Esses ataques sempre são voltados a retirar nossos incentivos fiscais, mas não há uma compensação. O governo precisa parar de tratar igual com desigual, não temos condições de competir com as outras regiões que possuem uma logística mais viável que a nossa. E reduzir a importação de produtos de informática, além de retirar nossa competitividade e afetar o pólo de componentes, também afeta o de eletroeletrônicos. Uma coisa leva a outra e aos poucos, a ZFM vai acabar”, destacou.

Ainda segundo Azevedo,  para evitar uma reação em cadeia no Polo Industrial de Manaus (PIM), as entidades e autoridades públicas, principalmente a bancada Federal, precisam se manifestar em favor do modelo econômico. Ao todo, a Zona Franca possui 80 mil empregados, desses, 16 mil empregos diretos seriam afetados, caso a medida seja consolidada e as empresas decidam fechar as portas.

Já para Wilson Périco, presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), o anúncio de Bolsonaro é assustador e surpreendente, já que a medida não vai diminuir o valor dos produtos, mas sim aumentar o desemprego.

Périco destacou ainda que, se a proposta tinha intenção de incentivar a competitividade entre as multinacionais, o efeito será o oposto e um  ‘tiro no pé’ do Governo Federal.

“A grande questão entre as multinacionais é: Por que continuar instalado no país, em Manaus, em um cenário como esse? Muito melhor continuar atendendo o mercado brasileiro das suas unidades instaladas ao redor do mundo, do que passar por um cenário econômico de inconstância , insegurança que traz muitos riscos”, afirmou.

Suframa se mantém neutra

Ao ser questionado sobre o anúncio de Bolsonaro, o superintendente da Suframa, Cel. Alfredo Menezes, se manteve imparcial e afirmou que a medida é “teórica” e a autarquia deve participar do processo de análise da medida.

“Ele [Bolsonaro] está estudando, ainda vai ouvir diversos segmentos. Mas hoje, não temos nada nesse sentido. Vamos ao Ministério coletar mais informações sobre essa medida para que a gente possa subsidiar e o presidente tomar a melhor decisão para o Estado e o país”, disse, ressaltando que está indo a Brasília (DF) para tratar de um assunto de grande relevância sobre o Polo Industrial de Manaus, embora não tenha detalhado qual seria.

Governo Bolsonaro marca série de ataques à ZFM

No dia 17 de abril, Paulo Guedes, afirmou à GloboNews que não ferraria o Brasil para convencer vantagens à ZFM. No início deste mês, o governo federal declarou que estava estudando o “Plano Dubai” pra substituir a Zona Franca.

“Todos nós já cansamos de sempre correr atrás de apagar incêndio. Há uma pré-disposição contra a Zona Franca muito grande e sempre, a cada momento, na menor possibilidade, quando se pensa que está tudo bem, lá vem mais uma novidade. A Suframa precisa agir. Querem dar condições excepcionais para os fabricantes de celular produzir fora da Zona Franca. O objetivo é matar o polo de componentes voltado para a telefonia celular que existe na ZFM e que emprega seis mil pessoas”, declarou o deputado Serafim Corrêa, presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação, Informática e Inovação da ALE-AM

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