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11 de agosto de 2020
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Por uma requalificação profissional inovadora

A afirmação de um empresário que atua no mercado de seleção e recrutamento de recursos humanos, aumentou minha preocupação com o que estamos produzindo em nossas escolas, em todos os níveis. Afirmou ele, ao grupo em que estávamos, que existe sim uma escassez de empregos, com uma clara redução no número de vagas, mas acrescentou […]

Por uma requalificação profissional inovadora

A afirmação de um empresário que atua no mercado de seleção e recrutamento de recursos humanos, aumentou minha preocupação com o que estamos produzindo em nossas escolas, em todos os níveis. Afirmou ele, ao grupo em que estávamos, que existe sim uma escassez de empregos, com uma clara redução no número de vagas, mas acrescentou outra variável nesta equação, que é o aumento da qualificação solicitada pelas empresas clientes, aumentando as dificuldades de seleção de candidatos que atendam aos requisitos exigidos. Esse é um problema urgente a ser solucionado.

É bem verdade que o Governo Federal com o Pronatec, iniciou um movimento neste sentido mas que, em uma consulta ao Portal do Pronatec (disponível em http://pronatec.mec.gov.br/inscricao/)  e do Pronatec Voluntário (disponível em https://sistec.mec.gov.br/meu-cadastro) , verificamos que não estão, no momento, sendo oferecidas vagas para cursos que atenda a nenhuma faixa de escolaridade no município de Manaus. Os cursos, de acordo com o site, seriam oferecidos pela rede Federal e Estadual de ensino, e pelo  SENAC, SENAI, SENAR e SENAT.  Certamente por estarmos em um período inicial do novo Governo Federal, o programa deve estar passando por um processo de avaliação de resultados e deve ter continuidade com a mesma sigla ou não. O importante é que se tenha uma continuidade na ação. Já o Governo do Amazonas, por meio do CETAM, vem oferecendo regularmente cursos técnicos de ensino médio, de qualificação profissional, inclusão digital e cursos à distância.

A questão aqui, não é tecer qualquer crítica às ações desta ou daquela esfera, e sim buscar conscientizar todos os atores envolvidos da importância que a qualificação, seja qual for a carreira ou área de atuação, terá daqui para a frente. Não se trata mais do interesse que um profissional tem por outra ocupação dentro da mesma área de atuação, como o pedreiro que se aventura em projetos elétricos, ou a cozinheira que arrisca pratos de gastronomia. As vagas no mercado de trabalho migram, reduzem ou até mesmo desaparecem. Assim, o operador de computadores de grande porte busca um curso de conexão de redes, recepcionistas viram vendedoras e porteiros transformam-se seguranças patrimoniais. Até mesmo aquela ocupação que era um hobby pode ter que virar a nova profissão, por conta das oportunidades disponíveis no mercado, e é preciso estar preparado para enfrentar esse momento. Essa capacidade de reinventar-se é uma das habilidades que todos os jovens terão que desenvolver e que as escolas, em todos os níveis, tem a responsabilidade de inserir de alguma forma em seus currículos ou em suas atividades complementares. As pessoas devem ser capazes de adaptarem-se às condições que se apresentarem no futuro.

O problema é que esse futuro já começou, silenciosamente, e uma grande parcela das pessoas foi ou será afetada em suas ocupações, efeito das diversas crises econômicas e das mudanças no mundo do trabalho, ocorridas nos últimos dez, quinze anos, e sem que a sua condição de empregabilidade fosse atualizada. Isso as deixou sem as ferramentas necessárias para reagirem. Algumas conseguiram tirar proveito das oportunidades que surgiram e obtiveram uma nova colocação trocando ou não de área de atuação. Outras passaram pelo “empreendedorismo da necessidade”, quando a opção que restou foi investir em um negócio próprio, mais pela falta de opções do que pela identificação de uma oportunidade de empreender. Pesquisa da Serasa indica que, quase 80% das novas empresas abertas nos três últimos anos são no formato de microempreendedor (MEI). Um estudo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) indica que o percentual de novas empresas (com até 3,5 anos) criadas por necessidade saltou de 29% em 2014 para 43% em 2015, e em 2017 chegou próximo a 50%. Isso representa cerca de 6,5 milhões de negócios. Alguns tiveram sucesso e foram adiante, outros acabaram agravando sua situação financeira com dívidas deixadas pela empreitada.

Com mais de 13 milhões de desempregados no país, algumas importantes questões precisam ser discutidas para que as ações promovidas pelos governos, tenham o resultado necessário para mudar este cenário social. A oferta de cursos mais básicos, como de inclusão digital ou operação de alguns softwares correntes nas empresas, devem ter continuidade, mas não representam mais um diferencial para a maioria das vagas oferecidas. A disponibilização de vagas em cursos, em grandes quantidades, pode ser uma ação cara e de pouco valor. É preciso inovar.  A sugestão é uma abordagem mais qualificada, que possibilite uma avaliação das aptidões individuais e do perfil dos candidatos, elaborando assim um programa individual de formação que permita, alocar cada um, aos cursos para os quais tenham maior chance de sucesso. Isso pode fazer toda a diferença.

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