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Sem slogan e sem rumo, governo de Wilson vê popularidade despencar


Eleitos com uma votação histórica de 1.030.632 de votos (58% dos válidos), o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), e seu vice, Carlos Almeida (PRTB), estão vendo a popularidade da dupla conquistada, na campanha eleitoral do ano passado, despencar “ladeira abaixo” em menos de dois meses de administração.

Carlos Almeida e Wilson Lima: dupla mostra-se totalmente perdida no governo (Secom)

Com o slogan de campanha “A bronca, agora, é comigo”, em referência ao programa de televisão que apresentava junto com Carlos Almeida, Wilson Lima passou os primeiros 40 dias do seu mandato jogando a responsabilidade dos problemas do Estado nas gestões anteriores, sem conseguir resolver questões básicas, como planejamento, diálogo com servidores, e outros detalhes não tão importantes, mas que mostram incapacidade à frente do Executivo.

Sem slogan

Hoje, a mesma dupla de apresentadores que criticava as ações do Poder Público, nas esferas municipal, estadual e federal, com frases de efeito e eleitoreiras, não consegue definir seu próprio slogan de governo.

Após o Portal do Holanda questionar que a frase usada para representar o Estado – Amazonas, o governo nas mãos do povo – fazia analogia ao slogan do grupo empresarial que ajudou a eleger Wilson, o Ministério Público do Estado (MP-AM) advertiu o governador a rever o material. A frase foi removida das campanhas institucionais, mas não substituída.

Sem mensagem

Pela primeira vez, um governador do Amazonas não imprimiu uma Mensagem Governamental com um plano de ação para ser apresentado aos deputados na abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa do Estado (ALE). No site do governo, o que se tem é um arquivo em Word com 25 páginas que traz apenas um discurso com frases de efeito do novo governante. Isto é, Wilson Lima não sabe ou ainda não colocou no papel seu planejamento para 2019.

Antes dele, outros governadores conseguiram imprimir um livro com pelo menos 400 páginas de dados e propostas para o primeiro ano de mandato. O seu antecessor direto, Amazonino Mendes (PDT), levou para a ALE uma Mensagem Governamental de 450 páginas que foi entregue a cada um dos deputados para que eles pudessem acompanhar e, em tese, fiscalizar as ações do Executivo.

Mensagem governamental de Wilson Lima

Mensagem governamental 450 páginas

Com suspeitas e confusões

Em quase dois meses, Wilson Lima e Carlos Almeida tiveram que recuar de medidas que envolviam a compra e soro glicosado com subrepreço e até corrigir o Diário Oficial com a nomeação de uma delegada presa por suspeita de comprar votos com o apoio financeiro e logístico de traficantes de drogas.

A   prioridade orçamentária do primeiro mês de mandato do novo governo voltada à gestão do sistema carcerário só piorou a imagem de Wilson e Carlos junto à população. Na internet, a cada dez posts sobre as matérias relacionadas ao governo do Estado, no Portal Amazonas1, pelo menos 8 são negativas. Veja exemplos abaixo:

 

Falta dinheiro e diálogo

Em janeiro, o governador autorizou o pagamento de mais R$ 21.449.021,53 para a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e apenas R$ 3.230.144,46 para a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), que está em total crise nos hospitais com atrasos salariais de até seis meses, falta de medicamentos e ausência de manutenção de equipamentos.  

A notícia indignou os funcionários terceirizados da Susam uma vez que veio à tona uma semana antes do vice-governador informar ao Ministério Público do Trabalho (MPT) que o Estado não tinha recursos para pagar os servidores e prometeu realizar o repasse em parcelas até o dia 8 (última sexta-feira). Perguntado sobre o cumprimento da promessa no dia programado, Almeida  despistou a imprensa e não deu retorno para os funcionários.

Máquina engessada

Além da Saúde, a Educação também foi afetada com as medidas não planejadas do governo Wison Lima. Alegando suspeitas em contratos, o governador suspendeu cerca de 90 processos de licitação entre janeiro e fevereiro,  gerando desabastecimento nos hospitais e paralisando obras de construção e reformas de escolas, na capital e interior do Amazonas.

Por outro lado, a equipe escolhida pelo governador para comandar as secretarias, em sua maioria amigos pessoais ou de empresários, mostra que sem dinheiro, diálogo, planejamento e administração a máquina pode ficar totalmente engessada nos próximos meses. E Wilson Lima pouco tem sido visto nas secretarias.

Até agora, o que se tem de efetivo cumprido pelo governador desde a sua posse, foi a retirada da foto dele das repartições públicas – medida usada por Lima como marketing de gestão -, mas que acabou simbolizando e comprovando a falta de autonomia e a incapacidade de lidar com a administração pública.    

 

 

 

 

 

 

 

 

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