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Descontente com Bolsonaro, presidente do ICMBio pede demissão

Para servidores do ICMBio, é inaceitável o tratamento que o governo Bolsonaro vem dispendendo aos órgãos ambientais


O presidente do Instituto Chico Mendes (ICMBio), Adalberto Eberhard, pediu demissão nesta segunda-feira (15) em meio a uma crise envolvendo a fiscalização ambiental no país. Em uma palestra. concedida a ruralistas, No Rio Grande do Sul, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ameaçou investigar agentes que atuam no combate a irregularidades envolvendo o meio ambiente.

Além disso, corre nos bastidores do Ministério do Meio Ambiente que haverá uma restruturação no ICMBio para elevar o poder que governadores têm sobre o órgão nos estados. A intenção é de que os chefes dos executivos estaduais possam indicar nomes para as representações regionais do instituto, o que não ocorre hoje.

Para servidores do ICMBio, é inaceitável o tratamento que o governo Bolsonaro vem dispendendo aos órgãos ambientais. (Câmara)

Para servidores do ICMBio, é inaceitável o tratamento que o governo Bolsonaro vem dispendendo aos órgãos ambientais. O descaso é tão grande que há o risco de o Executivo acabar com os centros de pesquisas do Instituto Chico Mendes, fundamentais para a preservação de espécies em extinção. Dentro da nova estrutura que vem sendo desenhada para o órgão, os centros de pesquisas passarão a ter o mesmo tratamento dispensado às áreas burocráticas.

“Se aceitasse continuar no cargo, Eberhard ficaria desmoralizado”, diz um servidor do ICMBio. “Como pode o ministro dizer que vai investigar funcionários porque não compareceram a um evento em que ele falaria. Isso não existe”, acrescenta outro servidor. O temor, no entanto, continua grande. “A perseguição, a partir de agora, pode ser geral”, emenda um terceiro funcionário. No entender dele, a percepção que se tem é de que querem acabar com todo o sistema de fiscalização ambiental.

Desmatadores

Em um vídeo divulgado na internet no domingo (14), o presidente da República, Jair Bolsonaro, desautorizou fiscais do Ibama em relação a destruição de veículos usados por desmatadores. A legislação prevê que tratores e demais utensílios usados para degradar o meio ambiente devem ser queimados.

Bolsonaro pretende reutilizar os equipamentos. “Ontem, o ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, veio falar comigo com essa informação. Ele já mandou abrir um processo administrativo para apurar o responsável disso aí. Não é pra queimar ninguém, nada né, ninguém não, nada, maquinário, trator, caminhão, seja o que for, não é esse procedimento, não é essa a nossa orientação”, disse Bolsonaro.

Na carta de demissão, Adalberto Eberhard afirma que está saindo por decisão pessoal. “Por motivos pessoais, venho solicitar a minha exoneração do cargo de presidente deste instituto. Agradeço a oportunidade e toda a confiança em mim depositada”, frisou.

(*) Informações retiradas do Correio Brasiliense 

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