Manaus, 15 de julho de 2026
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Manaus, 15 de julho de 2026

Cidades

Manaus é o ‘El Dorado’ para centenas de venezuelanos

Cerca de 4 milhões de venezuelanos já saíram de seu país de origem. Um dos principais refúgios para os imigrantes é a capital amazonense

No entorno da rodoviária de Manaus, venezuelanos vivem em situação precária. (Foto: Carlos Bolívar/Amazonas1)

Quando a crise na Venezuela atingiu o seu ápice, em 2016, muitos venezuelanos têm buscado refúgio em outros países. Cerca de 4 milhões já saíram do país de Nicolás Maduro, conforme a Organização das Nações Unidas (ONU). Antes da crise econômica do país vizinho, grande parte da população ganhava um salário que proporcionava uma vida com dignidade, conforme Arseidit Rodriguez.

“Podíamos comprar comida, pagar a casa, mas depois o dinheiro perdeu o valor e com o salário mínimo, não era mais possível nem mesmo comprar comida”, disse Arseidit, que chegou em Manaus há dois meses.

Na Venezuela, Rodriguez deixou três filhos, mas ainda não conseguiu colaborar com a família no país de origem. Ela tem experiência como camareira de hotel e cozinheira. Até o momento, não conseguiu emprego no Brasil. Hoje a venezuelana vive na casa de uma amiga que a acolheu.

Questão de sobrevivência

Sem moradia fixa, o principal refúgio de Venezuelanos que se encontram em Manaus tem sido a rodoviária da capital, que já abriga mais de 200 pessoas, mesmo com a Operação Acolhida, realizada pela prefeitura. 

Apesar de morar em Manaus ainda não ser economicamente bom para os estrangeiros, eles dizem que viver no Brasil é muito melhor do que a vida que tinham na Venezuela, pois aqui, pelo menos, com o dinheiro que eles conseguem ganhar ainda é possível comer e sobreviver.

Para Bryan Gonzalez, 19, que mora há três meses em Manaus com a irmã, a mãe e duas sobrinhas, a vida na cidade manauara tem melhorado. Mesmo sem emprego fixo, a venda de broas e cascalhos tem ajudado em casa. 

Romero Luis, 26, e Bryan Gonzalez, 19, são jovens venezuelanos quem procuram por oportunidades. (Foto: Carlos Bolívar/Amazonas1)

“Ainda é muito difícil, muito mesmo. Eu vendo broas e cascalhos, mas ainda ganho pouco. Apesar de tudo, as vendas têm ajudado em casa. Tenho fé em Deus que as coisas podem melhorar e agradeço de estar aqui, pois ainda é muito melhor do que viver lá”, disse o jovem.

A venda de broas e cascalhos tem sido “a salvação” para muitos desempregados. (Carlos Bolívar/Amazonas1)

Para o mecânico José Péres, a crise na Venezuela acontece, principalmente, por culpa do presidente Nicolás Maduro. José mora em Manaus há um mês, com a filha de 10 anos e a mãe. Diariamente, ele fica no sol a procura de uma oportunidade de trabalho e mesmo ainda não falando português, o venezuelano disse que já conseguiu alguns trabalhos de pintura e capinação.

José Péres mora em Manaus há um mês e ainda não conseguiu um emprego formal. (Foto: Carlos Bolívar/Amazonas1)

“Maduro está acabando com tudo. A crise tem acabado com o país. Eu estou em Manaus há um mês, sei fazer de tudo: sou mecânico, trabalho como pedreiro, pintor, carpinteiro. Já consegui trabalhos rápidos, mas preciso de um oportunidade de emprego fixo, estou com toda minha documentação em dia, carteira de trabalho atualizada”, disse Péres que fica diariamente no sol, com uma placa em busca de oportunidade para trabalhar.

Operação Acolhida

A “Operação Acolhida” surge como uma alternativa para sanar o problema do fluxo migratório venezuelano acampado no entorno da rodoviária e, em outras áreas da cidade. Atualmente, nos abrigos da prefeitura, há mais de 700 refugiados acolhidos.

Conforme a prefeitura, a última operação integrada que aconteceu no final do mês de março, envolvendo vários órgãos municipais e estaduais, Ministério Público Federal (MPF) e Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), acolheu mais de 200 refugiados, pois já havia um número de vagas disponíveis nos abrigos da prefeitura. Alguns se recusaram a sair da rodoviária, pois queriam receber o Auxílio-Aluguel operacionalizado pela Cáritas Arquidiocesana.

Em nota, a prefeitura destaca que possui três espaços de acolhimento provisório: um  Coroado, no Centro e no Alfredo Nascimento. Todos recebem alimentação diária e acompanhamento socioassistencial (assistência social, educação e saúde), além da inserção no Cadastro Único e articulação para retirada de documentação, viabilizados pela Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc).

Desde maio, a secretaria também tem realizado um trabalho de sensibilização das famílias contra o trabalho infantil, além da identificação dos pais e responsáveis que ficam nos logradouros públicos com crianças em mendicância.

Saúde

Na área da saúde, enfatiza a prefeitura, os primeiros contatos da Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA) com os venezuelanos ocorreram no terminal rodoviário em 2016, por meio da equipe do Consultório na Rua, junto aos indígenas da etnia Warao. Com o aumento gradual do fluxo migratório, registrou-se a incidência de agravos que exigiram atuação emergencial e, a partir disso, a Semsa vem atuando diariamente na atenção à saúde aos migrantes venezuelanos indígenas e urbanos, sendo possível constatar que, em grande medida, os agravos de saúde resultam da situação de extrema vulnerabilidade social em que os mesmos chegam a Manaus, apresentando as mais variadas necessidades de saúde.