Manaus, 16 de julho de 2026
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Manaus, 16 de julho de 2026

Cidades

‘A gente olha para nós e reconhece nosso erro’, diz detento

Projeto 'Trabalhando a Liberdade' coloca detentos do sistema penitenciário para reformar prédios públicos em troca da redução da pena

Foto: Antônio Mendes/Amazonas1

“É uma melhoria para nós, que estamos presos. Uma oportunidade de voltar à sociedade e conseguir alguma coisa, sair do crime, que não dá em nada, só desgosto”, disse o detento Jair dos Santos Costa, 24, que é um dos mais de 1,1 mil internos do sistema penitenciário que faz parte do projeto de ressocialização “Trabalhando a Liberdade”, da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e que atua em várias frentes de trabalho recuperando prédios públicos.

Jair foi preso em 2017 por tráfico de drogas e condenado a oito anos de prisão. Agora, com o projeto, ele vê uma grande oportunidade de voltar à sociedade e à família. “A minha família se sentiu feliz, vou sair de cabeça erguida, um novo homem pra cuidar da minha esposa e filhos”, disse o reeducando, que tem dois filhos e a esposa está grávida do terceiro.

Jair dos Santos Costa, 24, foi preso em 2017 por tráfico de drogas e vê no projeto uma grande oportunidade de voltar à sociedade e à família. (Foto: Jhonny Lima)

Com a previsão de progressão de pena para 2021, Jair se enche de esperança em retornar para casa ainda no próximo ano. “Quero esquecer o passado, isso não é para nós, não”, enfatizou.

Para o titular da Seap, coronel Marcus Vinícius Oliveira de Almeida, todos saem ganhando com o projeto “Trabalhando a Liberdade”, que proporciona ao interno a possibilidade de regressar à sociedade.

Na manhã desta quinta-feira, 12, pelo menos 20 detentos do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) e do Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM) estavam tralhando na reforma e na limpeza do prédio do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). No entanto, o secretário afirma que nem todos os detentos são aptos a participar do projeto.

“O critério é querer se ressocializar. Foi realizado um processo seletivo, o detento passa por psicólogos, assistentes sociais, e depois a capacitação em diversas áreas, como eletricista, pedreiros, pintores, manutenção de ar-condicionado, e ao final recebem o diploma”, explicou o coronel Vinícius ao ressaltar que a cada três dias trabalhados, o detento reduz um dia da pena.

Conforme a Seap, em seis meses, o uso de mão de obra carcerária representou uma economia de R$ 1,6 milhão ao Estado.

‘Quero sair dessa situação’

Condenado a 17 anos em regime fechado por tráfico de drogas e roubo majorado, o detento Elerson Maia Cordeiro de Souza, 22, está focado no trabalho para que possa retornar pra casa o quanto antes. Preso desde 2017, ele vê no projeto uma oportunidade de se redimir diante da sociedade e começar uma nova vida.

“A gente olha para nós e reconhece nosso erro, mas quero voltar à sociedade e poder fazer aquilo que não fiz antes, que é trabalhar honestamente e seguir em frente. Minha família fica honrada e alegre, hoje em dia, me olha diferente, consegue enxergar outra pessoa, até minha fisionomia mudou”, declarou Elerson, que está fazendo curso de pedreiro.

O comandante da Polícia Militar, coronel Ayrton Ferreira do Norte, disse que a ação de ressocialização dos internos é louvável e considera importante saber que “um ser humano está querendo se ressocializar e se reintegrar à população”.

“Nós temos que fazer isso e acolhê-los de braços abertos.  Estão largando o lado do crime para viver como pessoas honestas e trabalhadoras, que é isso que nós queremos”, comentou.

O delegado-geral da Polícia Civil, José Lázaro Ramos da Silva, adianta que tão logo finalizem as reformas no 1º DIP, os detentos seguirão para a Delegacia Especializada de Crimes Contra o Idoso para nova jornada de trabalho.

Lázaro Ramos acrescentou que, por meio do projeto de ressocialização, já foi reformada a garagem da Rocam e no momento atuam em outras frentes de trabalho na Cavalaria e Canil da PM, além da manutenção da rodovia AM-010.

Salários

O secretário da Seap, coronel Vinícius, destacou que dentro do sistema prisional há uma panificadora, onde 12 internos trabalham com direito a salário. No entanto, ele frisa que 25% do salário fica com o preso, 25% com a família, outros 25% são depositados no pecúlio (para ressarcir as vítimas) e 25% volta para o Estado. “Então, todos ganham nesse processo”.