Manaus, 9 de julho de 2026
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Manaus, 9 de julho de 2026

Cidades

Funcionários desviam mais de R$ 3 milhões de faculdade de Manaus

Prática acontecia nos últimos 2 anos, e três funcionários são investigados como os principais autores

Mais de R$ 3 milhões foram desviados dos cofres financeiros de uma faculdade de Manaus, localizada na zona Sul, nos últimos 2 anos. Três funcionários são investigados como os principais autores, entre eles um desenvolvedor de sistema, que alterava os algorítimos do programa, e uma operadora de caixa, que escondia o dinheiro. A suspeita começou quando alunos que já tinham pago a mensalidade continuavam sendo cobrados, e o valor não constava nos registros de caixa.

Foram anunciados na tarde de hoje, 13,  pelo 23° Distrito Integrado de Polícia, 8 mandados de busca e apreensão em “Operação Algorítimo”, segundo a qual funcionários que praticavam esquemas fraudulentos de desvio de recursos desde 2017 em uma instituição de ensino superior foram investigados por crime qualificado de lavagem de dinheiro.

Os desvios foram gastos em viagem, construções luxuosas e materiais de valores, e uma pequena parte desse acervo, incluindo o livro de Sergio Moro sobre a Lava Jato, foi apresentada pela polícia.

“O desenvolvedor de sistemas da empresa alterou um algorítimo do programa que gerenciava a parte financeira da faculdade, e o esquema era feito quando se recebia o dinheiro do aluno. Nele era colocado em uma sigla específica pra identificar o valor desviado, e no final do dia era apresentado oficialmente para faculdade um valor arrecadado, e os operadores de caixa, juntamente com o coordenador do sistema fraudulento, desviavam a outra parte do dinheiro. Foi apurado de 2017 até 2019 o valor mais de R$ 3 milhões”, informou o delegado Henrique Brasil.

Dessa forma, a funcionária saía com dinheiro no bolso ou na bolsa, passava pela fiscalização de caixa, que conferia os registros e não encontrava diferença de valores.

De acordo a autoridade policial,  todos eram amigos, realizavam viagens juntos e demostravam vida e patrimônio incompatível com o salário que eles recebiam da faculdade. Foram encontrados diversos comprovantes bancários, e todo dia eram depositados valores abaixo de R$ 10 mil em uma conta, visando burlar a fiscalização.

“A operadora de caixa da instituição de ensino estava em união criminosa com os supervisor de T.I. Então o aluno pagava a mensalidade, e a caixa colocava o dinheiro no bolso, como visto nas imagens de segurança, e entregava o comprovante ao aluno. Ela acionava o supervisor de T.I para excluir o registro do lançamento. Para a empresa, constava como se o dinheiro nunca tivesse sido registrado”, concluiu o delegado Edgar Moura, que também acompanha as investigações.

Os indiciados podem responder por furto qualificado pela fraude, pelo concurso de pessoas e pela lavagem de dinheiro, e, no decorrer das investigações, pode entrar também a sonegação fiscal e, ao final do inquérito, dependendo da quantidade de pessoas, podem ser caracterizados como uma organização criminosa.