Manaus, 27 de julho de 2026
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Política

‘Coisa boa não estavam fazendo’, diz governador do Rio sobre mortes no Salgueiro

'Gente, aqui ninguém é criança. Ninguém vai camuflado pro mangue trocar tiro com a polícia de airsoft. Se foi completamente vestido camuflado trocar com tiro com a polícia no mangue, certamente coisa boa não estava fazendo', disse Castro

‘Coisa boa não estavam fazendo’, diz governador do Rio sobre mortes no Salgueiro

Foto: reprodução

Rio de Janeiro/RJ – O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, se manifestou, nessa quinta-feira (25), sobre os nove mortos no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no último domingo (21), durante uma ação policial. Segundo o gestor, ‘coisa boa não estavam fazendo’.

A declaração foi dada em visita à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde Castro de uma entrevista coletiva a jornalistas.

“Gente, aqui ninguém é criança. Ninguém vai camuflado pro [sic] mangue trocar tiro com a polícia de airsoft. Se foi completamente vestido camuflado trocar com tiro com a polícia no mangue, certamente coisa boa não estava fazendo”, sugeriu Castro na Alerj.

Airsoft é um modo de prática esportiva de tiro com armas não letais. Nas armas de pressão do airsoft, usadas em esporte de ação, são colocadas cápsulas de plástico no lugar de balas reais.

Segundo a CNN Brasil, os laudos periciais indicaram que seis das nove vítimas foram encontradas usando roupas camufladas, que seriam usadas como uma espécie de “uniforme” do tráfico de drogas no estado.

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Antes da declaração, Castro disse que o governo “trabalha todos os dias para melhorar as ações das polícias”. Ao ser questionado sobre as frequentes mortes ocorridas em operações no estado, em especial a chacina no Jacarezinho, o governador negou haver recorrência de mortes em operações das instituições fluminenses. Ocorrida em maio, a operação da Polícia Civil na comunidade do Jacarezinho deixou 28 mortos, incluindo um policial.

Eu não creio que isso seja uma recorrência. A [ação] da Polícia Civil no Jacarezinho foi o cumprimento de mandado judicial e agora foi uma operação da Polícia Militar. Como eu digo, a gente apoia sempre as polícias, mas não apoia, por óbvio, os erros.

Governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro em entrevista a jornalistas:

O governador explicou que a operação no Complexo do Salgueiro está sendo investigada pela Polícia Civil e afirmou que se for constato erros de agentes, eles serão punidos pela corporação. Apesar da fala, Castro reforçou o apoio às polícias do estado.

“Eu duvido que uma instituição puna tanto os seus quanto as polícias do Rio de Janeiro. A polícia tem punido exemplarmente os seus que fazem mal feitos, mas o nosso papel aqui é de apoiar a instituição Polícia Civil, a instituição Polícia Militar, a instituição Corpo de Bombeiros”, completou.

Secretario faz discurso moderado

O secretário de Polícia Civil, Allan Turnowski, que acompanhou Castro na Alerj, fez falas mais moderadas aos jornalistas. Questionados sobre a ação no Complexo do Salgueiro, o secretário declarou que será preciso aguardar o fim das investigações para ter um posicionamento concreto sobre as mortes.

“No final a gente vai ter uma investigação que vai dizer se todos aqueles que estavam lá, os motivos que estavam lá naquele momento, por que estavam camuflados, por que as pessoas que não estavam camufladas estavam no mangue, o que faziam ali naquele horário, então assim a gente tem que aguardar, eu sempre peço para aguardar a investigação para no final a gente se posicionar”, explicou.

Para o secretário, esse é o “momento é de produzir provas técnicas” para entender o caso.

“Se a polícia estiver errada ela sempre vai ser punida e se ela estiver certa ela vai sempre tentar aprimorar, se qualificar para não errar”, finalizou o secretário.

OAB e entidades cobram explicações ao MP sobre ação

A Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ enviou ontem um ofício ao MPF (Ministério Público Federal) e ao MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) para pedir explicações sobre a ação policial que terminou com nove mortos no Complexo do Salgueiro.

Além da comissão, assinam o documento as ONGs Conectas e Justiça Global e a Associação Juízes pela Democracia. O texto contextualiza os fatos conhecidos até hoje, quatro dias após as mortes, e pede que providências sejam tomadas pelo Ministério Público. As entidades argumentam que, diante dos altos índices de violência policial, não é possível falar em “excepcionalidade” que justifique o uso da força por por agentes de segurança do Rio de Janeiro.

O documento também cita um levantamento exclusivo do UOL, que mostra serem do Rio de Janeiro oito das dez cidades com as maiores taxas de negros mortos pela polícia, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública — São Gonçalo ocupa a quarta posição da lista.

A comissão e as organizações que assinam o documento pedem uma audiência com o Ministério Público, além de respostas sobre o controle externo da atividade policial. As entidades cobram ainda esclarecimentos sobre a realização ou não de perícia no local em que policiais teriam realizado uma festa, conforme relatos de moradores e noticiado em primeira mão pelo UOL.

(*) Com informações do UOL

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