Suspeito de envolvimento no desaparecimento do jornalista inglês Dom Philips e do indigenista Bruno Araújo, na região do Vale do Javari, no Amazonas, o pescador Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como Pelado, reconheceu ter visto o barco em que os dois viajavam no dia em que eles sumiram.
Em depoimento à Polícia Federal (PF), Pelado disse que Dom e Bruno passaram com a embarcação em frente à comunidade São Gabriel, onde mora, mas negou ter saído de casa naquele dia 5 de junho. Aos investigadores, o pescador afirmou que só saiu no dia seguinte para “caçar porcos”.
Leia mais: PF prende mais um suspeito na investigação sobre desaparecimento de Bruno e Dom
Pelado também disse que conhecia Bruno “apenas de vista” e que nunca conversou com ele. Em outro trecho do depoimento, negou ter arma de fogo, embora tenha sido preso em flagrante com munições de uso restrito. A Justiça do Amazonas decidiu manter o pescador preso por pelo menos 30 dias enquanto as investigações avançam.

As declarações contradizem depoimentos de testemunhas, que colocam o pescador no centro das suspeitas de participação no desaparecimento de Dom e Bruno.
Uma das testemunhas ouvidas pela PF, que teve a identidade preservada, disse que o indigenista vinha sofrendo ameaças de pessoas que “não aceitavam as atividades de combate às ilegalidades recorrentes contra indígenas da região”. A testemunha afirmou ter ouvido queixas do próprio Bruno.
“Entre as ameaças recebidas por Bruno, algumas delas foram proferidas por ‘Pelado’, indivíduo tempos atrás teria efetuado disparos de arma de fogo contra a base local da Funai e, recentemente, ameaçado os ‘vigilantes’ da região ostentando uma arma de fogo do tipo espingarda”, diz um trecho do relatório enviado pela Polícia Federal ao STF para atualizar o andamento das buscas.
Leia mais: Embaixada se desculpa com família de Dom por informar que corpos foram achados no AM
Moradores de São Rafael também disseram que a embarcação de Pelado passou em alta velocidade atrás de Bruno e Dom. A PF estima que o repórter e o indigenista tenham desaparecido entre 7 e 9 horas da manhã do último dia 5.
(*) Com informações da Agência Estado





