(Foto: Fotos Pública)
Manaus (AM) – O poder mudou de mãos na Rússia, conforme admitiu o primeiro-ministro Rishi Sunak, do Reino Unido, após derrota nas eleições gerais na última quinta-feira (4). Após governar por 14 anos o país, o Partido Conservador perdeu de forma esmagadora, abrindo espaço para a oposição trabalhista.
No domingo (7), a coligação de partidos de esquerda, Nova Frente Popular (NFP), também obteve o maior número de cadeiras no Parlamento da França no segundo turno das eleições legislativas no país. Considerado por todos um resultado surpreendente após a direita radical ter alcançado uma vitória histórica no primeiro turno.
Para o cientista político e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Luiz Antônio Nascimento, tanto na França quanto no Reino Unido, há aspectos interessantes e importantes para destacar:
“A extrema direita entrou no vácuo deixado pela direita e pelo centro, à medida que não consegue mais entregar o que foi prometido. O desenvolvimento do capitalismo, o capitalismo social-democrata, não tem sido mais capaz de, por exemplo, promover igualdade, superar desigualdades. Combinado a isso, em especial na França, mas também na Inglaterra, houve uma enorme campanha da extrema direita, explorando a insatisfação do eleitor. Os eleitores estão insatisfeitos e a extrema direita vai lá e, de uma forma muito pragmática, associa essa insatisfação geral que essas pessoas têm com as pautas da esquerda”, analisa o cientista político.
Conforme Luiz Antônio, a direita “tenta colocar na conta da esquerda a insatisfação”. O cientista político destaca que, no Brasil, a direita e a extrema direita também têm feito isso”.
“Eles não medem esforço de fazer isso com mentira, com fake news, com publicidade enganosa. Aí, o que aconteceu no caso da Inglaterra? Eles venderam um pacote de vantagens com o advento do Brex, – startup que atingiu um valor de US$ 12,3 bilhões com um cartão de crédito corporativo.”
A jornalista e cientista política Liege Albuquerque observa que, apesar dos resultados favoráveis à esquerda na França, a direita sabe fazer campanhas convincentes.
“Eles sabem fazer campanhas extremamente emocionais e provocativas. Contratam marqueteiros poderosos e usam o emocional para persuadir eleitores. A França, por ser um país mais politizado, ainda consegue resistir melhor às campanhas da extrema direita,” aponta Liege.
Liege também reflete sobre a situação política no Amazonas e no Brasil, afirmando que a tradição política brasileira tende a favorecer partidos majoritários que apoiam o Executivo, dificultando a ascensão da esquerda nas câmaras municipais e assembleias legislativas. “Infelizmente, não sou otimista quanto à esquerda chegar ao poder, exceto se eleger um prefeito de esquerda”.
No Brasil, petistas comemoram:
Grande vitória da esquerda unida nas eleições na França. Foi fundamental para o resultado a reação popular à ameaça da extrema-direita antidemocrática. E as urnas demonstram mais uma vez o fracasso das políticas neoliberais e antipopulares q vinham sendo implantadas pelos…
— Gleisi Hoffmann (@gleisi) July 7, 2024
Uma multidão se reúne na praça da República em Paris para comemorar a vitória da esquerda nas eleições legislativas. pic.twitter.com/1PZ26QGNKU
— José Guimarães (@joseguimaraesce) July 8, 2024
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