Manaus, 15 de julho de 2026
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Cidades

Brasileiros no exterior: a busca pela casa própria e os desafios da imigração

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, 4,9 milhões de imigrantes deixaram o Brasil até 2023. Portugal, Estados Unidos e Paraguai estão entre os destinos mais procurados.

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Brasileiros deixaram a vida no Brasil para reconstruir em busca de novas oportunidades - Foto: (Arquivo pessoal)

Brasilia (DF) – Mais de 4,9 milhões de brasileiros residem no exterior. Em busca de melhores condições financeiras e qualidade de vida, muitas famílias deixam o Brasil. O dado é do Ministério das Relações Exteriores.

A pesquisa divulgada em junho de 2024 aponta, atualmente, que as maiores comunidades estão nos Estados Unidos, Portugal, Paraguai, Reino Unido e Japão.

Na Europa, por exemplo, residem oficialmente 1,6 milhão de brasileiros; 95 mil estão na França. Dentro desta margem está a cake designer Kellen Carvalho Gomes, de 44 anos, que mora em Paris com a família.

Sonho da casa própria

Após nove anos morando na capital parisiense, resolveu mudar para o sul da França, região de praia e esportes radicais, lugar onde querem adquirir um imóvel.

No Brasil, ela atuava como professora no entorno de Brasília e encabeçava a marcha “criança brinca, mas não é brinquedo”. Fazia movimentos sociais em orfanatos, escolas, creches, hospitais, prédios, praças, igrejas e ao ar livre. Por defender a causa, sofreu várias ameaças de morte, inclusive a tentativa de sequestro das filhas.

“Quando paro para pensar, imagino que nem estaria viva para contar a nossa história, entrava em muitas confusões por conta dos abusos e violências”.

A professora de artes recebeu um convite para dar aulas de confeitaria em Paris. Inicialmente, seriam três meses, mas eles completam 10 anos de imigração ainda em 2025.

Com a mudança de região, a compra se tornou possível e a família está em busca de uma casa que futuramente pode se tornar uma pousada, visto que residem em uma cidade turística, mas ainda estudam as possibilidades de investimento.

“Estamos procurando onde comprar, onde moramos o aluguel é menos da metade (do pago em Paris), o banco faz o empréstimo e as parcelas ficam quase do valor do aluguel.”

Segundo a missionária, o banco pode liberar até 200 mil euros para a compra da residência. Com este valor, é possível adquirir grandes imóveis com até seis quartos, área de lazer, garagem e um espaço amplo com piscina.

Com o mesmo valor na moeda brasileira, na região de Valparaíso de Goiás, onde a imigrante morava, é possível comprar um apartamento de 60 metros em um condomínio residencial simples.

Conquista

Em Portugal, os brasileiros Gilson Oliveira, de 44 anos, e Djana Matos, de 36, adquiriram seu primeiro imóvel há três anos, próximo à cidade de Leiria. O casal desembolsou 7 mil euros para comprar a propriedade, a 150 quilômetros da capital Lisboa.

A escolha do local foi estratégica para que ambos tivessem facilidade em encontrar trabalho e estabilidade financeira.

O país está dividido em três tipos de terreno: urbano, rústico e agrícola, onde não pode haver nenhuma construção, o local é próprio para o cultivo.

A modalidade rústica foi a escolhida por Gilson, neste terreno é possível construir uma casa seguindo as normas da Câmara, que realiza os mesmos processos que uma prefeitura no Brasil. No local, já existe uma residência pequena de dois pavimentos, mas precisa de uma reforma.

 

Segundo o caminhoneiro, atualmente, adquirir um imóvel é fácil, o imigrante precisa de apenas um ano residindo no país e o dinheiro na mão, ou um empréstimo.

“Não existe muita burocracia para a compra, o pré-requisito é ter dinheiro, tem que ter o documento daqui, o título de residência ou o CPLP daqui e achar o terreno”, disse o imigrante.

Não existe ‘jeitinho brasileiro’

Com 19 anos juntos, o casal compartilha a evolução da obra em vídeos nas redes sociais. Segundo Gilson, a família sempre gostou de roça, mas o que atrasa o andamento do processo é a espera imposta pelo governo português, tudo para eles “tem que esperar um bocadinho”.

“Eles pedem tantos documentos para ligar uma energia. Onde eu morava, no Brasil, era ruim, mas você vai à prefeitura pela manhã, quando é à tarde alguém já está com o poste para colocar no seu terreno. Aqui [em Portugal] são muitos questionamentos.”

Após três anos da compra do imóvel, água e luz continuam desligadas. A solução encontrada pelo proprietário foi adquirir painéis solares para iluminar a chácara.

“Comprei uma placa solar e uma bateria, e agora temos luz solar”.

Residir em Leiria já fazia parte dos planos da família mesmo antes de comprar a passagem para Portugal, pois a cidade possui um polo industrial muito grande, facilitando assim a empregabilidade de ambos.

Segundo Djana, a liberação e a fiscalização da obra são rígidas, e em caso de descumprimento das normas, uma multa é aplicada.

“Nós ainda não moramos na nossa casa, pois estamos no processo de espera das liberações da Câmara. Aqui é tudo muito correto com relação à liberação e obra, a fiscalização é muito correta. Não existe jeitinho brasileiro, se você não segue a lei, você tem que pagar multa.”

O aumento do dólar impacta na compra?

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Foto: (Arquivo pessoal)

Segundo o CEO do CIMI360, Heitor Kuser, a demanda de imóveis no exterior sempre existiu, e nos últimos 15 anos tem aumentado drasticamente, mas com o aumento do dólar, as compras o mercado pode ser prejudicado.

“O cidadão comum que está pensando em começar a comprar no exterior, será o mais afetado, pois o aumento de 23% no dólar é um impacto considerável.”

Kuser detalhou para o Portal AM1 o processo de compra destes ativos usando os Estados Unidos como exemplo. Segundo o especialista, o imigrante precisa ter no mínimo 400 mil dólares para adquirir um imóvel nos EUA.

“Isso pode ser financiado, com uma entrada de 30%, mas a grande sacada dos americanos para não correrem risco é a assinatura de uma declaração que comprove o dinheiro”, explicou o CEO.

No país norte-americano, cada profissional atua em sua área, não é como no Brasil que a corretora faz todos os processos.

“Lá, o advogado é apartado, o contador olha a parte fiscal, o banco senta à mesa e tem empresas especializadas em organizar tudo isso que você senta à mesa e faz o fechamento. Quando você deposita a entrada, ela fica em uma conta garantia no cartório em seu nome. Quando tudo estiver assinado, o cartório libera o dinheiro”, concluiu o especialista.

 

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