Manaus, 17 de julho de 2026
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Manaus, 17 de julho de 2026

Cenário

Homicídios de indígenas mais que dobram no Amazonas em 2024, aponta Anuário de Segurança Pública

Estado registrou 73 homicídios de indígenas em 2024, ante 36 no ano anterior; taxa de mortes cresceu 123,4% e chegou a 47,8 por 100 mil habitantes.

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(Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Manaus (AM) – O Amazonas registrou um aumento de 102,8% no número de homicídios de indígenas entre 2023 e 2024, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Os registros passaram de 36 para 73 casos em apenas um ano, consolidando o estado entre os principais focos de agravamento da violência contra povos indígenas no país.

O crescimento foi muito superior ao observado nacionalmente. Em todo o Brasil, os homicídios de indígenas aumentaram 9,3% no período, passando de 227 para 248 casos.

No Amazonas, a alta superou 100%, o que levou o estado a responder por quase três em cada dez homicídios de indígenas registrados no país em 2024.

Além do avanço em números absolutos, a taxa de homicídios apresentou crescimento ainda mais expressivo. O indicador saltou de 21,4 para 47,8 homicídios por 100 mil indígenas entre 2023 e 2024, uma variação de 123,4%.

De acordo com a análise apresentada no anuário, a Região Norte tem registrado a consolidação de estados com elevada incidência de violência e crescimento recente dos indicadores.

O Amazonas aparece como um dos casos mais emblemáticos desse cenário. Segundo o levantamento, o número de homicídios registrados no estado duplicou em apenas um ano, sinalizando um agravamento da violência contra a população indígena.

A evolução recente chama atenção porque o estado vinha apresentando relativa estabilidade nos anos anteriores. Entre 2019 e 2023, os registros oscilaram entre 36 e 49 casos anuais.

Em 2024, contudo, houve uma ruptura dessa trajetória, com o maior número de homicídios de indígenas da série histórica apresentada pelo anuário.

O contraste fica evidente quando o Amazonas é comparado a outros estados da própria Região Norte. O Pará, por exemplo, apresentou uma trajetória de redução ao longo da última década. A taxa de homicídios de indígenas caiu de 71,9 por 100 mil habitantes em 2014 para 9,0 em 2024, o que representa uma redução de 87,5%.

Em números absolutos, o Pará passou de 11 homicídios registrados em 2014 para cinco em 2024. Apesar da tendência de queda, o estado apresentou oscilações ao longo do período. Em 2020, por exemplo, os registros chegaram a 14 casos, acima dos níveis observados em diversos outros anos da série.

Segundo a análise do anuário, esse comportamento indica que, embora a redução tenha se consolidado ao longo dos anos, a dinâmica da violência no Pará permaneceu instável e sujeita a variações conjunturais.

Os dados nacionais também mostram que a violência letal contra indígenas continua acima da observada para a população brasileira em geral. Em 2024, a taxa registrada entre indígenas foi de 24,6 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto a taxa geral do país ficou em 20,1 por 100 mil.

Embora ambos os indicadores estejam abaixo dos níveis observados no início da série histórica, o crescimento registrado em estados como o Amazonas demonstra que a violência contra povos indígenas segue avançando em áreas específicas do território nacional.

 

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