Manaus, 17 de julho de 2026
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Manaus, 17 de julho de 2026

A continuação dos 7 a 1

O declínio da Seleção Brasileira a problemas de gestão, planejamento e desempenho em campo.

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(Foto: Repprdução/ Redes Sociais)

*Augusto Bernardo Cecílio

Em plena Copa do Mundo de 2014, num estádio lotado em Belo Horizonte, o Brasil passou pela maior vergonha, ao ver a sua seleção ser humilhada de forma devastadora pela Alemanha, episódio conhecido internacionalmente por “apagão”, levando 7 a 1 num jogo com 5 gols em apenas 18 minutos.
Parecia um aviso. Após esse vexame máximo, seguimos colecionando irritações, tristezas e raivas no decorrer não só das Copas, mas também em competições aqui na América do Sul. O que ocorre em sequência continuam sendo vexames, mesmo sem ser goleada. Jogadores sem alma, sem raça, que nem sabem bater pênaltis, mas milionários e famosos.
Antes não passávamos das quartas de final, agora regredimos e sequer passamos pelas oitavas. Quase ficamos de fora nas eliminatórias, ficando atrás da Argentina, Equador, Colômbia e Uruguai, somente à frente do Paraguai, cuja seleção honrou as cores do seu país, lutando com garra e voltando pra casa com orgulho, de cabeça erguida.
Por falar em cabeça erguida, outros povos também receberam as suas seleções em desfiles de carro aberto, em vias públicas. Cabo Verde, um pequeno país isolado no Atlântico, com poucos recursos financeiros, com desafios estruturais, escassez de água potável, solos pouco férteis e com dependência energética, com pouco mais de 500 mil habitantes, deu um show de entrega, mesmo não sendo uma seleção estrelada ou milionária. E voltou nos braços do seu povo.
A Noruega, com uma população de aproximadamente 5,6 milhões de habitantes, que nunca ganhou uma Copa e que ainda não foi longe nas competições internacionais, neutralizou um Brasil covarde, apático e sem vergonha, e voltou para casa com desfile aberto, com jogadores sendo recebidos como heróis.
Quanto à seleção brasileira, é bem melhor não escrever tudo o que sentimos no momento. Mas tudo passa pela CBF, uma entidade cheia de mordomias, rica e particular que pelo visto não deve nenhuma explicação à nossa população, envolvida em confusões e com a justiça. Certamente ela está intimamente ligada aos contantes fracassos do futebol brasileiro.
Nosso país possui cerca de 213,4 milhões de habitantes, uma das maiores economias do mundo, terras férteis e muitos recursos naturais, e um dos países que mais exportam jogadores para o exterior, onde ficam milionários e sequer se preocupam com aqueles que gastam um dinheiro suado pra comprar uma camisa da seleção. Coisa que nunca fiz, até para não ser confundido com torcedor de político.
Além de problemas com planejamento, apesar dos altos valores gastos para bancar as benesses dos seus integrantes e familiares, contrataram um famoso técnico que já entrou sabendo o que lhe esperava, com renovação de contrato já garantida para o próximo ciclo, ganhando cerca de seis milhões por mês, sem nenhuma garantia de conquista.
Mas como conquistar algo com a teimosia na escalação de jogadores em final de carreira, que não conseguem acompanhar o ritmo veloz e pesado que a competição exige? Como ganhar algo com dois laterais que sequer atacam, e um deles improvisado, que nem é titular no seu clube?
Isso sem falar na produção ofensiva, com vários jogadores falhando terrivelmente na conclusão a gol, “a terminar” na partida do luto, pelo tão pedido Endrick, que talvez seja o novo “Menino Ney” da torcida, e que nos faz lembrar dos velhos tempos de Ronaldo e Romário, que deixariam aquele goleiro da Noruega esparramado no chão.
Enquanto isso, envergonhados (se é que existe vergonha), ficaram por lá mesmo e sequer voltaram ao Brasil. Certamente estão curtindo suas férias bem acompanhados, em iates e locais paradisíacos mundo afora, vários deles sequer têm identificação com o Brasil, por terem saído cedo daqui. O avião voltou vazio, trazendo apenas um lateral improvisado, e um lembrete para quem gasta dinheiro inutilmente pra torcer por quem não merece a nossa consideração.
Por fim, nunca é tarde para sugerir a esses jogadores que se preocupem mais com os loiros do que com as loiras, porque foi justamente um norueguês loiro, forte e alto, com longa cabeleira, andando em campo, que decretou na hora certa mais um capítulo lamentável de uma seleção que não honra o seu povo e as suas cores.

*Auditor fiscal e professor.

 

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