Vanda Witoto durante entrevista ao Portal AM1 (Foto: Isac Sharlon/Portal AM1)
Manaus (AM) — A candidata a deputada federal Vanda Witoto (MDB) criticou a permanência de famílias tradicionais nos espaços de poder do Amazonas e defendeu uma renovação da política estadual. Em entrevista ao Programa Cenário Político, do Portal AM1, ela afirmou que a sucessão de cargos entre parentes contribui para manter grupos políticos no controle das decisões públicas.
Vanda citou famílias tradicionais da política amazonense e questionou o que chamou de “política de carreira”. Entre os exemplos mencionados estão os Lins e os Pinheiro, além de outros grupos que, segundo ela, mantêm parentes em diferentes cargos eletivos. As citações foram feitas pela candidata durante a entrevista como crítica à concentração de poder político.
Ao ser questionada se pretende construir uma trajetória política para os próprios filhos, Vanda afirmou que seu projeto eleitoral não é familiar. Segundo ela, a prioridade é formar novas lideranças e ampliar a presença de indígenas, mulheres e jovens nos espaços de decisão. “Nós queremos eleger mulheres, não só indígenas. Nós queremos eleger jovens”, declarou.
A candidata afirmou que pretende trabalhar pela eleição de vereadores e prefeitos indígenas no interior do Amazonas.
Crítica aos vereadores e aos deputados
Vanda também discordou da declaração atribuída ao deputado federal Amom Mandel de que vereador não serviria para nada. Para ela, o vereador possui papel fundamental na criação de leis municipais e na fiscalização do prefeito.
A candidata afirmou que o parlamentar municipal não deve prometer obras como asfaltamento de ruas ou construção de escolas, já que essas são atribuições do Executivo. Segundo Vanda, cabe ao vereador receber as demandas da população, fiscalizar a administração municipal e articular soluções com prefeitos, deputados, senadores e governo.
Na avaliação da candidata, parte dos vereadores do interior acaba se submetendo aos prefeitos por depender politicamente da estrutura municipal. “Vereador não é para estar puxando o saco de prefeito”, afirmou.
Vanda defendeu maior formação política para os parlamentares municipais e estaduais e criticou propostas que, segundo ela, não produzem impacto relevante para a população.
A Assembleia Legislativa do Amazonas também foi alvo da candidata. Vanda afirmou que o Legislativo deveria concentrar esforços em problemas como saúde, saneamento e preparação para as secas, em vez de priorizar projetos que considera secundários.
Ela citou como exemplo a falta de um plano de enfrentamento para períodos de estiagem e questionou a ausência de medidas para garantir o abastecimento de alimentos e medicamentos nos municípios durante as secas. “Ninguém está preocupado com isso”, afirmou.
Crítica à política indígena
A candidata também afirmou que os povos indígenas não possuem aliados suficientes dentro da Assembleia Legislativa. Segundo Vanda, comunidades precisam recorrer constantemente a manifestações e audiências para reivindicar melhorias em saúde, educação e agricultura.
Ela defendeu que a população indígena amplie sua participação eleitoral e escolha representantes que tenham compromisso direto com essas pautas.
Vanda afirmou que entrou na política para transformar demandas sociais em políticas públicas, e não para construir uma carreira familiar. Ela lembrou que, antes de disputar um mandato, já havia atuado na criação de uma escola de conhecimento ancestral e na montagem de um hospital de campanha durante a pandemia.
A candidatura ao Congresso, segundo ela, seria uma forma de ampliar esse trabalho por meio de emendas e articulação política.
Candidatura pelo MDB
Vanda disputou uma vaga de deputada federal em 2022 pela Rede e recebeu cerca de 26 mil votos, mas não foi eleita porque a legenda não alcançou o quociente eleitoral, segundo seu próprio relato na entrevista.
Em 2026, ela concorre novamente à Câmara dos Deputados pelo MDB. O registro da candidatura foi deferido pela Justiça Eleitoral. (Opera Mundi)
Na nova disputa, Vanda aposta na ampliação da representação indígena e na formação de novas lideranças como alternativa aos grupos políticos tradicionais do Amazonas.
Assista à entrevista na íntegra:
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