Manaus, 11 de setembro de 2026
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Cenário

Analista vê risco eleitoral para Maria do Carmo após prisão de homem que se apresentava como coordenador de campanha

Apreensão de 2,5 toneladas de skunk e menções à campanha nas redes sociais ampliaram a repercussão do caso.

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(Foto: Danilo Mello/Aleam)

Manaus (AM) – O caso envolvendo a apreensão de aproximadamente 2,5 toneladas de maconha do tipo skunk em Manaus pode gerar desgaste para a campanha de Maria do Carmo Seffair (PL), segundo avaliação do cientista político Luiz Antônio. Para ele, a associação pública de um investigado por tráfico de drogas com a candidatura deve ser considerada no debate eleitoral.

“Ela é responsável por isso porque candidato nenhum deixaria alguém se apresentar como coordenador de campanha sem que legitimasse essa decisão. Tendo presença deles junto com a Maria do Carmo em vários momentos diferentes”, declarou.

Na avaliação do cientista político, o episódio também levanta uma discussão mais ampla sobre os riscos da aproximação entre política e organizações criminosas. Para sustentar o argumento, Luiz Antônio citou experiências de outros países e estados brasileiros.

“A experiência que a gente tem aqui na América Latina, quando você olha pra Colômbia, a Colômbia abriu as portas, fez acordo com o crime. Ela passou mais de 20 anos refém do crime organizado até que conseguisse se libertar do crime. É isso que nós vamos fazer no Amazonas?”, afirmou.

Na sequência, o analista citou o Rio de Janeiro e mencionou casos de agentes públicos presos, atribuindo essas situações, em sua análise, a concessões feitas ao crime organizado.

“Olha o Rio de Janeiro. Olha as condições, olha os governadores que foram presos, os deputados foram presos, presidente de Assembleia preso, presidente do Tribunal de Contas, todo mundo preso porque fizeram concessões pro crime organizado”, disse.

Para Luiz Antônio, o episódio deve ser levado em consideração pelos eleitores durante a escolha dos candidatos nas eleições deste ano.

“A sociedade amazonense não merece isso e a gente precisa ter responsabilidade na escolha eleitoral sob pena de a gente abrir as portas e depois não saber fechar”, concluiu.

O caso

A declaração ocorre após a prisão de Rodrigo Soares, conhecido como RC Soares, durante uma operação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) na última quinta-feira (3). Os agentes apreenderam aproximadamente 2,5 toneladas de skunk escondidas em dois caminhões dentro de um imóvel relacionado ao investigado, no bairro Aleixo, na Zona Centro-Sul de Manaus.

Segundo as autoridades, Soares era monitorado havia aproximadamente dois anos e é investigado por tráfico de drogas. Ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.

A repercussão eleitoral surgiu porque Soares utilizava seus perfis nas redes sociais para se apresentar como coordenador da campanha de Maria do Carmo. As informações disponíveis, porém, não permitem afirmar que ele ocupasse formalmente a função. O advogado da candidata, Sérgio Bringel Júnior, contestou a existência de vínculo oficial.

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Em seu perfil pessoal no Instagram, Rodrigo Soares se apresentava como coordenador da campanha da professora Maria do Carmo (Foto: Reprodução/Redes Sociais Rodrigo Soares

Durante a operação, a Polícia Civil também divulgou imagens de uma casa onde foram encontrados materiais de campanha com a imagem de Maria do Carmo. As autoridades não informaram quem colocou os itens no imóvel nem estabeleceram relação entre o material e a investigação sobre tráfico de drogas.

Maria do Carmo negou qualquer vínculo com o suspeito e afirmou que não sabe como os materiais de campanha chegaram ao local. A candidata também defendeu uma investigação independente sobre o caso.

 

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