(Foto: Arquivo/Agência Brasil)
O Amazonas registrou o segundo maior aumento percentual de estupro de vulnerável do país em 2024. Segundo a 19ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o número de casos no estado cresceu 45,4% em relação ao ano anterior.
Apenas a Paraíba superou esse crescimento, com alta de 110,2% entre 2023 e 2024.
No Amazonas, os registros saltaram de 791 casos em 2023 para 1.161 em 2024, um aumento expressivo que ultrapassa com folga a média nacional. Em todo o Brasil, o crescimento de crimes dessa natureza foi de apenas 1% no mesmo período.
Além do crescimento alarmante, o cenário se torna ainda mais preocupante diante da possibilidade de subnotificação. O próprio Anuário alerta que os dados oficiais não refletem toda a realidade.
“Em se tratando de violências e crimes, considerar a existência da subnotificação é necessário para a compreensão de que as estatísticas oficiais não dão conta de mensurar a criminalidade de forma precisa”, diz o relatório.
O documento também apresenta dados sobre crimes sexuais, com foco tanto em estupros de vulneráveis quanto em casos envolvendo mulheres adultas. Ambos os tipos de violência tiveram aumento expressivo no Amazonas.
Entre 2023 e 2024, os casos de estupro no estado cresceram 33,1%. Na média geral, o Amazonas também aparece em segundo lugar no ranking nacional, com um aumento de 41,5% nos registros, novamente atrás apenas da Paraíba, que teve alta de 94,4%.
Na semana que antecedeu a divulgação dos dados, dois casos reforçaram a gravidade do problema. Em Lábrea, a Polícia Civil do Amazonas prendeu um homem de 45 anos, investigado por estupro de vulnerável contra sua enteada, de 12 anos. A prisão ocorreu após solicitação do Ministério Público do Amazonas.
Outro caso semelhante foi registrado em Amaturá. Um homem de 29 anos foi preso preventivamente pelo mesmo crime, contra uma adolescente de 12 anos. A prisão foi realizada em Benjamin Constant.
Segundo o delegado Frank de Freitas, da 49ª Delegacia Interativa de Polícia, o suspeito liderava um grupo religioso em Amaturá, do qual a vítima fazia parte. Ele usava a posição de liderança para aliciá-la, oferecendo presentes e tentando convencê-la a iniciar um relacionamento, o que culminou no abuso sexual.
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