(Foto: Erlon Rodrigues/PC-AM)
Manaus (AM) — A falta de efetivo na Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) não estaria limitada à sobrecarga dentro das delegacias. Segundo Luiz Gorayeb, integrante do movimento dos aprovados no concurso de 2022, o problema também teria reflexos no atendimento à população, nas investigações e até no tempo em que equipes da Polícia Militar permanecem fora do patrulhamento para apresentar ocorrências.
Em entrevista ao Portal AM1, Luiz Gorayeb afirmou que a PC-AM trabalha atualmente com aproximadamente 50% do efetivo previsto em lei. O dado é apresentado pelo movimento e foi questionado pelo Portal AM1 aos órgãos responsáveis.
Segundo ele, a redução no quadro de servidores contribui para que unidades funcionem apenas em determinados horários, com limitações de atendimento durante noites, fins de semana e feriados.
PM parada na delegacia
Um dos efeitos apontados por Luiz Gorayeb ocorre quando policiais militares precisam apresentar flagrantes nas delegacias.
Segundo o representante, dependendo da demanda e da estrutura disponível, equipes da PM podem permanecer por horas aguardando a conclusão dos procedimentos. Durante esse período, deixam temporariamente o patrulhamento ostensivo.
“Uma equipe que deveria estar patrulhando determinado bairro passa horas dentro de uma delegacia aguardando a formalização de uma ocorrência”, afirmou.
Na avaliação de Luiz Gorayeb, a situação cria um efeito em cadeia: a sobrecarga na Polícia Civil também pode reduzir temporariamente a disponibilidade de equipes da Polícia Militar nas ruas.
A afirmação é do representante dos aprovados e o Portal AM1 solicitou à Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) dados sobre o tempo médio de apresentação e processamento de ocorrências nas unidades policiais.
Investigações sob pressão
O déficit apontado pelo movimento também teria reflexos na atividade investigativa.
A Polícia Civil é responsável pela apuração de crimes e atua em procedimentos como diligências, identificação de suspeitos, coleta de elementos e cumprimento de medidas relacionadas às investigações.
Para Luiz Gorayeb, quanto menor o número de servidores disponíveis, maior é a quantidade de procedimentos concentrados entre os profissionais em atividade.
“Quanto menor o efetivo disponível, maior tende a ser a sobrecarga dos policiais que permanecem na instituição”, declarou.
O movimento relaciona essa situação à capacidade de resposta das delegacias e ao tempo necessário para o andamento das investigações.
Efetivo entra no centro da discussão
A situação do quadro funcional ganhou espaço nas reivindicações dos aprovados no concurso da PC-AM de 2022. O grupo defende que a recomposição do efetivo deve ser discutida não apenas sob a perspectiva dos candidatos, mas também pelo impacto da quantidade de servidores sobre os serviços prestados à população.
Uma reunião entre representantes dos concursos da Segurança Pública e a SSP-AM está prevista para sexta-feira (11). No encontro, o movimento pretende apresentar as demandas relacionadas ao efetivo e cobrar informações do Estado.
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