Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

BR-319: falta de estrutura abre brecha para ilegalidade, diz presidente da Eletros

Para especialista, a pavimentação da BR-319 é um passo importante, mas ainda não será o suficiente para romper o isolamento do estado do Amazonas.

Trecho do meio da BR-319

Trecho do meio da BR-319 - Foto: (Andressa Libório)

Brasília (DF) – Mesmo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defender a retomada das obras na BR-319, a única ligação por estrada entre Manaus (AM), Porto Velho (RO) e aos outros estados do Brasil, permanece em situação precária.

A rodovia, que tem 918 quilômetros, liga os municípios de Careiro da Várzea, Autazes, Careiro, Manaquiri, Borba, Manicoré, Tapauá, Canutama, Lábrea, e Humaitá.

Durante visita ao Amazonas, nas últimas semanas, Lula assinou uma ordem de serviço autorizando a pavimentação de 20 km com previsão de licitar mais 32 km da rodovia, o trecho faz parte da área que possui uma licença ambiental desde 2007.

O presidente destacou que a obra, diferente do que é dito pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, não gerará impacto ambiental.

“Não vamos permitir o desmatamento e a grilagem de terra próxima à rodovia, como é habitual acontecer neste país,” disse o presidente.

O governo federal deve investir R$ 157,5 milhões na pavimentação do trecho. Para a ministra, antes da pavimentação, a rodovia deve passar por uma análise ambiental.

“Os atalhos durante os últimos 16 anos não têm levado a lugar nenhum, por isso que eu insisto que é fundamental que se faça um estudo, uma avaliação ambiental estratégica, para que não se tenha o agravamento da grilagem e do desmatamento naquela área, que é no coração da Amazônia”, disse a ministra.

Nessa terça-feira (1°), o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Nascimento, criticou a paralisação das obras e pontuou que a falta de estrutura abre oportunidades para que atos ilegais aconteçam na região.

“Hoje, tá lá abandonado, o que a gente precisa ter é ocupação do poder público com condições, isso se faz com o asfaltamento dela, que não é somente uma estrada de passagem, não é uma estrada de passeio. A BR-319 [..] é importante para a sociedade por um viés ambiental e econômico”, afirmou Nascimento.

Para o presidente da Eletros, com o término da obra será possível a instalação de postos de fiscalização com monitoramento da rodovia, da Polícia Federal, uma unidade do Ibama e do Exército.

A BR-319 realmente pode tirar o Amazonas do isolamento?

Para o doutor em Ciências Jurídicas, Edson Pinto, a pavimentação da rodovia é um passo importante, mas ainda não será o suficiente para romper o isolamento do estado do Amazonas e também da Amazônia.

“A região é uma das mais ricas em biodiversidade do planeta, mas também é uma das mais vulneráveis em termos de desenvolvimento humano e conservação ambiental. Portanto, é necessário ir além da simples ligação por terra e pensar em uma integração mais profunda do Brasil com a Amazônia. Isso significa investir em políticas públicas que visem à conservação ambiental, proteção da biodiversidade e avanços nos índices de desenvolvimento humano das populações.”

Ao Portal AM1, o cientista político Helso Ribeiro destacou nesta quarta-feira (2) que a BR-319 é uma maneira de tirar o estado do isolamento, além disso, pontuou que é possível criar estradas, minimizando o impacto provocado pela construção.

“Existem cerca de 600 empresas no Polo Industrial de Manaus, (…) 90% do que elas produzem não fica em Manaus, vai para os demais estados brasileiros, por navio ou avião que custa mais caro, e no caso do navio, é muito lento e quando tem seca, você fica isolado. Uma das opções seria a estrada para o fomento do desenvolvimento.”

 

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