(Fotos: Portal AM1 e Arquivo/Divulgação/Dnit)
Manaus (AM) – A possível reabertura da BR-319 pode reduzir o custo de vida no Amazonas e acelerar o abastecimento do estado. A avaliação é do presidente da Federação das Empresas de Transportes de Cargas do Amazonas (Fetramaz), Irani Bertolini, durante entrevista concedida ao Portal AM1 nesta quarta-feira (6), em Manaus.
Segundo Bertolini, a rodovia encurtaria significativamente o tempo de transporte de mercadorias vindas de outras regiões do país, principalmente do Sudeste. Atualmente, grande parte das cargas destinadas ao Amazonas passa por Belém antes de seguir por via fluvial até Manaus.
“Ela vai melhorar o custo de vida, vai melhorar a logística, porque a gente chega mais rápido aqui. Entre oito e dez dias estará aqui a carga. Hoje é mais de 15 dias para chegar via Belém”, afirmou.
O presidente da Fetramaz destacou que o tempo e os custos da logística acabam refletindo diretamente no preço pago pela população. “A população vai ser beneficiada porque chega mais rápido e custa mais barato. A logística é importante no preço dos produtos”, disse.
Bertolini também detalhou as dificuldades enfrentadas atualmente pelo setor de transporte de cargas no Amazonas, principalmente em períodos de cheia e estiagem. Segundo ele, além das longas distâncias, o transporte depende de etapas rodoviárias, balsas e processos burocráticos para liberação das mercadorias.
“Hoje a gente sai de São Paulo, vem até Belém por estrada. Chegando lá, ainda espera uma balsa um ou dois dias para embarcar. Depois são cinco dias e meio a seis dias de água até Manaus”, explicou.
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Ele afirmou ainda que o desembarque das cargas no Amazonas enfrenta exigências de órgãos fiscalizadores, o que amplia o tempo operacional. “Aqui nós temos que fazer despacho da mercadoria na Sefaz, Suframa e Receita Federal para poder descarregar”, declarou.
Questionado sobre a possibilidade de o Amazonas se consolidar como um polo logístico nacional com a BR-319 reaberta, Bertolini avaliou que a principal mudança seria na eficiência operacional e no abastecimento regional.
“Não vai ser um polo logístico, mas melhora a logística para Manaus e Boa Vista. O importante é que a gente vai ganhar muito em tempo e em capital de giro para as indústrias e o comércio”, afirmou.
A entrevista ocorreu durante a apresentação da TranspoAmazônia 2026 — III Feira e Congresso Internacional de Transporte e Logística, que acontecerá entre os dias 27 e 29 de maio, em Manaus. O evento reunirá empresários, representantes do setor logístico e especialistas para discutir infraestrutura e transporte na Região Norte.
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