(Foto: Divulgação /Acnur)
Manaus (AM) – O Brasil abriga atualmente mais de 2 milhões de imigrantes internacionais, entre residentes permanentes, temporários, refugiados e solicitantes de refúgio, provenientes de cerca de 200 nacionalidades. Os dados fazem parte do 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), divulgado nesta quinta-feira (30) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, em Brasília.
Entre os principais grupos migratórios no país, destacam-se venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos. Apenas os venezuelanos somam cerca de 680 mil pessoas no início de 2026, com predominância de mulheres e crianças. A presença dessa população se distribui por todas as unidades da federação, embora haja maior concentração em estados como São Paulo, Paraná e Roraima.
O levantamento tem como base subsidiar a implementação da nova Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia, instituída por decreto em 2025, que orienta ações de acolhimento e integração social. O relatório analisa aspectos como mercado de trabalho, educação, proteção social e governança local.
No campo do trabalho, o estudo aponta crescimento significativo da participação de imigrantes no mercado formal. Entre 2023 e 2025, houve aumento de 54%, totalizando mais de 414 mil vínculos com carteira assinada. Venezuelanos lideram esse grupo, seguidos por haitianos e cubanos. Apesar disso, o relatório destaca que muitos migrantes com alta qualificação acabam ocupando funções de baixa remuneração, indicando a necessidade de políticas de reconhecimento de diplomas e melhor inserção profissional.
Na área social, houve aumento no número de migrantes inscritos no Cadastro Único, passando de 562 mil em 2023 para mais de 650 mil em 2024. A maioria é composta por mulheres e há crescimento expressivo de crianças e adolescentes, o que reforça a demanda por políticas públicas integradas, especialmente em educação e assistência social.
A educação, aliás, apresentou avanços relevantes. O número de estudantes imigrantes na educação básica cresceu mais de 400% desde 2010. No ensino superior, o aumento foi de 77,5%. Ainda assim, desafios como barreiras linguísticas e adaptação escolar persistem.
O relatório também chama atenção para a necessidade de fortalecer a atuação de estados e municípios, responsáveis diretos pela oferta de serviços públicos. A recomendação é ampliar a cooperação entre os entes federativos para garantir atendimento adequado e inclusão efetiva da população migrante.
Representantes da Agência da ONU para Refugiados (Acnur) destacaram que o Brasil mantém uma política considerada referência internacional, baseada em direitos humanos e cooperação global. O país deve levar essas diretrizes para debates internacionais nas próximas reuniões das Nações Unidas.
De forma geral, o estudo conclui que, apesar dos avanços, o desafio central é transformar o acolhimento em integração plena, com acesso igualitário a oportunidades e direitos em todo o território nacional.
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