Manaus, 22 de agosto de 2026
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Brasil

Canetas emagrecedoras sem supervisão podem causar perda muscular

Os efeitos são mais preocupantes quando o tratamento não é acompanhado por mudanças na alimentação e, na prática de atividade física.

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Caneta Emagrecedora. (Foto: Divulgação /FVS-RCP)

Brasil – Medicamentos popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras” têm se mostrado eficazes no tratamento da obesidade, mas o uso sem acompanhamento adequado pode aumentar o risco de perda de massa muscular e deficiência de vitaminas. Os efeitos são mais preocupantes quando o tratamento não é acompanhado por mudanças na alimentação e, na prática de atividade física.

Em entrevista à Agência Brasil, o endocrinologista Marcio Mancini, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e coordenador do Departamento de Farmacoterapia da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), explica que medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 podem provocar deficiência de micronutrientes e perda excessiva de massa muscular quando utilizados sem acompanhamento.

Segundo o especialista, a redução do apetite e o atraso no esvaziamento do estômago provocados pelos medicamentos podem fazer com que pacientes diminuam drasticamente a ingestão de alimentos. Com isso, o consumo de proteínas, vitaminas e outros nutrientes pode ficar abaixo do necessário.

“Quando o tratamento é iniciado, é preciso dar prioridade à densidade nutricional. O foco principal não deve ser apenas reduzir o tamanho das porções, mas garantir que as pequenas refeições sejam ricas em nutrientes.”

Mancini recomenda uma ingestão de aproximadamente 1,2 grama de proteína por quilo de peso ao dia para indivíduos jovens e saudáveis. Para idosos ou pessoas com risco de sarcopenia, a recomendação chega a 1,5 grama por quilo.

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Caneta Emagrecedora. (Foto: Cristian Camilo/Divulgação)

Monitoramento da massa muscular

O médico também destaca a importância de acompanhar a quantidade de massa magra durante o tratamento. A avaliação pode ser feita por exames como bioimpedância, em consultório, e densitometria de corpo inteiro, em laboratório.

Outra possibilidade é avaliar a força muscular por meio do teste de preensão manual, conhecido como hand grip. O objetivo é evitar que a perda de músculo ultrapasse 25% do peso total eliminado.

Entre as queixas mais comuns relacionadas ao uso das canetas emagrecedoras sem acompanhamento estão queda e afinamento dos cabelos e sintomas gastrointestinais persistentes, como náusea, constipação, flatulência e sensação de estufamento.

Como reduzir os efeitos colaterais

Para diminuir os riscos, o endocrinologista recomenda algumas estratégias alimentares e comportamentais:

Fazer refeições pequenas e frequentes, priorizando alimentos ricos em nutrientes;
Consumir alimentos ricos em proteínas no início das refeições, quando a saciedade ainda é menor;
Evitar alimentos muito gordurosos, que podem intensificar as náuseas;
Aumentar a ingestão de fibras e líquidos para ajudar no controle dos sintomas gastrointestinais.

Também é importante observar sinais que podem indicar desnutrição ou perda excessiva de massa muscular. Entre eles estão redução da força física ou da mobilidade, alterações em exames laboratoriais e restrição alimentar exagerada.

A redução dos níveis de vitamina D, potássio, magnésio, ferro e vitamina B12 também deve ser monitorada. Segundo Mancini, a perda completa do prazer em comer pode ser outro sinal de que a dose do medicamento está elevada para determinado paciente.

“Por isso, é importante o trabalho de uma equipe multidisciplinar, com orientação do endocrinologista, do nutricionista e do educador físico no tratamento”, concluiu.

Acompanhamento pode fazer diferença

A mentora de mulheres Amanda Vila Nova relata que teve resultados positivos com o tratamento e atribui parte dos efeitos à supervisão de especialistas.

Segundo ela, o acompanhamento contribuiu para um processo de emagrecimento eficaz sem comprometer sua qualidade de vida.

“Não tive queda de cabelo nem unha enfraquecida pelo fato de ser acompanhada e fazer a reposição de vitaminas de forma correta”, afirmou.

(*) Com informações da Agência Brasil

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