Manaus, 11 de julho de 2026
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Cidades

‘Crises sensoriais e emocionais em crianças com TEA exigem atenção’, diz especialista

Neuropsicóloga explica sinais de alerta e estratégias para lidar com episódios de crises na infância.

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(Fotos: Gabriel Alves/Portal AM1/Sewcream/Depositphotos)

Manaus (AM) – As crises sensoriais e emocionais fazem parte da realidade de muitas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e ainda são pouco compreendidas pela sociedade. Em entrevista ao AM1 Entrevista, a psicóloga clínica e neuropsicóloga Conceição Barbosa destacou que, nesses momentos, a criança não está fazendo birra, mas sim pedindo ajuda.

“Essa criança não está chamando atenção ou fazendo birra; ela está pedindo ajuda e buscando segurança naquele momento. Por isso, a empatia é essencial: colocar-se no lugar do outro permite que você realmente atue como um socorrista”, afirma.

Ela ressalta que além da empatia, a comunicação assertiva desempenha um papel fundamental para acalmar a criança durante a crise.

“A comunicação assertiva é hoje uma das primeiras estratégias para conduzir crises em crianças com autismo. É importante incentivar a criança, dar oportunidade para que ela perceba que é capaz, mostrar que o que está acontecendo vai passar e colocá-la em um lugar seguro. Isso ajuda a reduzir o medo, que é um dos principais sinais emocionais da desregulação. Muitas vezes a criança se desregula por medo, às vezes até sem saber o motivo, então identificar e acolher esse medo é fundamental.”

Segundo a especialista, os episódios de crises podem ser divididos em dois tipos:

  • Sensoriais: irritabilidade causada por barulhos, sons de celular, excesso de estímulos visuais, coceiras ou desconforto físico.
  • Emocionais: choros intensos, gritos, alegria exagerada, pensamentos negativos e, principalmente, o medo.

“Os sinais sensoriais podem aparecer de várias formas: incômodo com áudios de celular, barulhos do ambiente, coceiras pelo corpo ou irritabilidade. Já os sinais emocionais envolvem gritos excessivos, choros, alegria exagerada ou pensamentos negativos. Tudo isso pode desencadear uma crise, especialmente em crianças com TEA”, destaca.

Como agir diante da situação

A doutora Conceição Barbosa explica como agir com segurança e empatia diante de crises sensoriais e emocionais em crianças com TEA

“O primeiro passo é respeitar e compreender que a pessoa está desregulada, oferecendo segurança. Também é importante usar palavras positivas para ajudá-la a reorganizar os pensamentos, que estão confusos no momento. Para demonstrar empatia sem invadir o espaço da criança, é essencial se prontificar a ajudar e não criticar. As crises são comuns, principalmente na escola, embora também possam ocorrer em outros lugares, como shoppings.”

Entre as atitudes que devem ser evitadas, ela destaca que são principalmente o julgamento e o tumulto.

“A primeira coisa que nunca deve ser feita é julgar: nem a criança, nem os familiares. Também é importante não tumultuar a situação. Se você não é socorrista, criticar ou atrapalhar não ajuda”, destaca.

Prevenção e apoio

De acordo com a especialista, é essencial que pais, professores e colegas recebam treinamento para reconhecer os sinais iniciais e aplicar estratégias simples no dia a dia.

“Existem protocolos de regulação que ajudam a prevenir crises. Isso pode incluir desde a criação de um canto sensorial até o uso de planos individuais de regulação”, explicou.

A falta de preparo da sociedade e dos serviços de saúde ainda é um desafio.

“Uma mãe atípica com uma criança autista severa enfrenta muitas vezes esse problema sozinha. Precisamos de protocolos de urgência e emergência específicos para o TEA infantil”, defendeu.

Assista à entrevista:

Oficina em Manaus

Ela destaca a importância da oficina de primeiros socorros para crises emocionais e sensoriais em crianças com TEA.

“Estamos trazendo para Manaus a primeira Oficina de Primeiros Socorros para Crises Emocionais e Sensoriais de crianças com autismo. Se você é um profissional da saúde, sua ajuda é valiosa. Mas muitas vezes vemos crianças em crise sendo julgadas ou expostas a ambientes desafiadores, locais com muita gente, calor ou estímulos desconhecidos. A oficina oferece treinamento para que pais, cuidadores e profissionais saibam agir corretamente nesses momentos”, finaliza.

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