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Dia das Mães: conheça histórias de manauaras que perderam as mães para a covid-19

Este é o segundo Dia das Mães assolado pela pandemia de covid-19. Desde então, inúmeros filhos perderam as mães, mas acharam força para superar a dor
• Publicado em 09 de maio de 2021 – 04:45
Dia das Mães
Elke (de verde, esq.) e Leandro (de preto, dir.) perderam suas mães para a covid-19. Fotos: Arquivos pessoais

MANAUS, AM – “Depois de Deus, o poder da mãe para o bem é a maior força conhecida na Terra.” A citação da escritora norte-americana Ellen G. White exprime bem a influência de uma mãe na formação de seus filhos, e é uma das mais lembradas durante o Dia das Mães.

No entanto, a dor de perder alguém tão influente é incomparável. Com mais de um ano de pandemia da covid-19, inesperadamente, filhos acabaram ficando sem suas mães. Esta, aliás, é a segunda vez que se comemora o Dia das Mães sob a pandemia.

Leia mais: Manaus realizou 36 sepultamentos na véspera do Dia das Mães

Exemplo de mãe

A confeiteira Elke Dutra, de 39 anos, conhece bem a dor desta ausência. Sua mãe, dona Alzira Dutra, faleceu em 20 de janeiro de 2021, após nove dias dos primeiros sintomas da doença.

O drama vivido pela família em busca de oxigênio e leito para Dona Alzira, não evitou o agravamento da doença.  Apesar de todos os esforços, ela não resistiu à segunda onda da Covid-19 e descansou, aos 70 anos de idade. “Minha mãe só queria respirar. Foi difícil vê-la naquela situação. Eu desmoronei”, relembra, com a voz embargada.

Dona Alzira Dutra (dir) faleceu em 20 de janeiro de 2021, aos 70 anos. Foto: Arquivo pessoal/Elke Dutra

“Minha mãe era uma esposa exemplar e extremamente dedicada. Era uma mulher alegre, de muita fé e muita fibra, uma guerreira incansável. Ela tinha o coração gigantesco, era a bondade em pessoa, e era o tipo de gente que dificilmente negaria ajuda para alguém, seja quem fosse”, relembra.

Elke diz que o legado que a mãe deixou foi o de ser batalhadora, guerreira, honesta, leal. Segundo ela, ter a presença da mãe, neste momento, faria toda a diferença na sua vida. “Nós nunca estamos preparados para perder alguém que amamos, principalmente as nossas mães. Minha mãe foi minha grande amiga, minha conselheira, meu braço direito, e sempre quando eu precisei, ela esteve comigo”, conta.

“Hoje, eu estou com um filho de 22 anos internado, com pneumonia. Se minha mãe estivesse viva, tenho certeza que ela estaria ao meu lado para me dar todo o apoio possível, seja lavando uma roupa, seja me ligando, enfim… Dói ainda, não ter minha mãe do meu lado, principalmente neste Dia das Mães”, salienta.

Força para superar os limites

Em abril de 2020, durante a primeira onda da pandemia, o relações públicas Leandro Leite, de 29 anos, não imaginava o que estava por vir à época. No fim daquele mês, ele perdeu o pai, o radialista Roberto Augusto dos Santos, para a covid-19. Isolado em casa, após 10 dias, perdeu também a mãe, Márcia Leite.

“Meus pais haviam se casado recentemente, em 2018, depois de 30 anos juntos. Assim, minha mãe teve um combate duplo: a covid-19 e o luto. Ela morria de medo de hospital, porque meu pai morreu sozinho sem ter ninguém por perto, e ela não queria ficar assim. Quando estávamos nos arrumando pra ir para o hospital, ela não resistiu e morreu na sala de casa, do meu lado, segurando minha mão e me pedindo pra eu não me preocupar, porque estava tudo bem”, relembra, com lágrimas.

Dona Márcia Leite, mãe de Leandro Leite, faleceu em maio de 2020, na primeira onda de covid-19. Foto: Arquivo pessoal/Leandro Leite

Leandro diz que dona Márcia sempre falava que ele devia se cuidar, porque ela já havia vivido uma vida sem ele, mas ele nunca viveu uma vida sem ela. Ele diz que dona Márcia o ensinou a ser forte, independente, e que sempre lhe incentivou a estudar, mudar de vida e prestar concurso. Em resumo, ela o ensinou a superar todos os seus limites

“Prestei concurso até que passei, e graças a Deus e a ela pude ter essa segurança de uma vida estável, mesmo quando tudo desmoronava. Estou onde estou porque ela acordava cedo comigo pra me levar à escola, e sempre quis o meu melhor. Com ela, aprendi a ser gentil. Você ia na minha casa, ela servia comida, fazia algo para comermos, e ajudava como podia. Tenho lutado constantemente para ser assim”, afirma.

Um recado especial

Valorizar a vida e a mãe ao lado é algo que todo filho deveria fazer. Desta forma, a equipe do Amazonas1 tomou a liberdade de transcrever, na íntegra, o recado de Elke e Leandro para todos aqueles que ainda tem suas mães ao seu lado.

Valorize muito sua mãe enquanto ela ainda está por perto para te ajudar e ser sua fortaleza. O mundo inteiro pode se voltar contra você, mas você sabe que sempre vai ter um Porto Seguro para te acolher e te aceitar como for. Enquanto puder aprender o que ela faz também é ótimo, porque um dia você vai acordar e não terá mais aquele tempero bom, ou não saberá como cuidar das coisas de casa, porque só ela sabia fazer. Então, valorize, ame e aprenda, porque nossas mães são nossas maiores inspirações para lutar contra o mundo, e nossas maiores torcedoras na vitória e na derrota.Leandro Leite

Domingo, dia 9 de maio, é o Dia das Mães. É o dia do meu aniversário. A única coisa que eu queria era poder abraçar minha mãe, dizer para ela que eu a amava e sentir o aconchego do colo dela.  Amem suas mães de todo o coração, estejam junto com elas, ouçam elas e as carreguem no colo, no coração, porque é muito difícil viver sem nossa mãe.Elke Dutra

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