Manaus, 12 de julho de 2026
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Manaus, 12 de julho de 2026

Cidades

Especialista defende pacto institucional e sistema sobre trilhos para transformar mobilidade em Manaus

O professor afirmou que um sistema desse tipo teria potencial para alterar significativamente a mobilidade urbana da capital, ampliando a eficiência das viagens e oferecendo mais opções à população.

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(Foto: João Viana /Semcom)

Manaus (AM) – A implantação de um sistema de transporte público coletivo de maior capacidade e a construção de um pacto entre lideranças políticas, empresariais e institucionais estão entre as medidas que deveriam integrar os planos de governo voltados à mobilidade urbana em Manaus. A avaliação foi feita pelo doutor em Engenharia de Transportes Geraldo Alves durante entrevista ao programa Cenário Político, do Portal Amazonas 1, divulgada em 11 de junho.

Segundo o especialista, a capital amazonense precisa discutir alternativas que ultrapassem a dependência dos ônibus e dos veículos particulares. Para ele, a mobilidade urbana deve ser tratada como um projeto de longo prazo, construído de forma conjunta por diferentes setores da sociedade.

“Eu acho que a gente precisaria construir um pacto entre governo municipal e governo estadual, além das lideranças que hoje têm o poder de debater e decidir sobre a cidade”, afirmou.

Proposta de sistema sobre trilhos

Durante a entrevista, Alves defendeu a implantação de um sistema de transporte sobre trilhos como alternativa para ampliar a capacidade de deslocamento na capital.

Segundo ele, um anel ferroviário interligando diferentes zonas da cidade poderia modificar significativamente a mobilidade urbana e atender parte importante da demanda atualmente absorvida pelo transporte coletivo por ônibus.

“A gente precisaria de uma proposta que enxergasse para além do ônibus e para além do automóvel para realizar viagens urbanas em Manaus”, disse.

Na avaliação do especialista, um sistema desse tipo teria potencial para atender trabalhadores do Polo Industrial de Manaus e outros usuários que realizam deslocamentos diários em diferentes horários.

Ele afirmou que a estrutura poderia operar com eficiência ao longo do dia, aproveitando períodos de menor demanda em outros setores da economia.

“Se a gente construísse um sistema sobre trilho, a gente mudaria tremendamente a mobilidade urbana da cidade”, declarou.

Transporte coletivo no interior

Ao abordar a realidade dos municípios do interior do Amazonas, Alves destacou que cidades maiores, como Itacoatiara, Parintins e Manacapuru, ainda possuem oferta limitada de transporte coletivo.

Segundo ele, a mobilidade nesses municípios é realizada predominantemente por motocicletas e automóveis, com participação reduzida das bicicletas.

O especialista defendeu a implantação de sistemas regulares de ônibus com rotas definidas e pontos de parada estruturados.

“Implantar um sistema de transporte coletivo nessas cidades maiores seria de suma importância”, afirmou.

Redução dos acidentes de trânsito

Além da ampliação da oferta de transporte coletivo, Alves apontou a redução dos índices de acidentes como um dos principais desafios para futuros governantes.

Segundo ele, tanto Manaus quanto os municípios do interior enfrentam dificuldades relacionadas ao cumprimento das normas de trânsito, especialmente no uso de motocicletas.

“O grande desafio de quem assumir o governo do estado é fazer baixar os indicadores de acidentalidade no trânsito de Manaus e do interior”, disse.

O especialista afirmou que o controle desse problema exige fiscalização, cumprimento da legislação e mudanças de comportamento por parte da sociedade.

Debate considerado impopular

Na avaliação de Alves, propostas voltadas ao endurecimento das regras de trânsito costumam enfrentar resistência política por serem consideradas impopulares.

Ele afirmou que muitos agentes públicos evitam discutir o tema devido ao possível impacto eleitoral dessas medidas.

“Se alguém vier falar que vai agir com energia para colocar o trânsito dentro da lei, acho que isso mais vai perder voto do que ganhar”, declarou.

O professor também relacionou o elevado número de mortes no trânsito à forma como a sociedade lida com as infrações e os comportamentos de risco.

“Morre muito no trânsito porque a sociedade ainda não escolheu a vida”, afirmou.

Segundo ele, a tolerância a práticas irregulares, tanto na capital quanto no interior, contribui para a manutenção dos altos índices de acidentes registrados no estado.

 

 

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