Manaus, 9 de julho de 2026
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Cidades

Funcionária do Ministério dos Direitos Humanos é brutalmente assassinada por ex

Uma funcionária terceirizada do Ministério dos Direitos Humanos de 30 anos foi brutalmente assassinada a facadas pelo ex-marido, de 21 anos, em uma casa em Santa Maria, região administrativa do Distrito Federal. O crime ocorreu por volta das 18h de sábado (14).

Janaína Romão Lucio tinha duas filhas pequenas com Stefanno Jesus de Amorim e teria sido vítima de uma “crise de ciúmes”, segundo testemunhas relataram à Polícia Civil.  A mulher foi golpeada cinco vezes, no peito e nas costas, frente das duas filhas, uma de 4 e outra de 2 anos. Janaína chegou a ser transportada pelo Samu ao Hospital Regional de Santa Maria, mas não resistiu aos ferimentos.

De acordo com delegado-chefe da 33ª DP, Alberto Rodrigues, há informações de que Janaína “já havia registrado duas ocorrências de violência doméstica” contra o ex-companheiro. O caso está sendo investigado como feminicídio.

Conhecidos da vítima afirmavam que ela havia sido morta ao buscar as filhas na casa do pai – versão que está sendo considerada pela polícia. As meninas teriam sido entregues à avó materna.

Em nota de pesar publicada no site da pasta, o ministro dos Direitos Humanos, Gustavo Rocha, afirma que “repudia com veemência a violência contra as mulheres” e que está em contato com a Secretaria de Segurança Pública do DF para “acompanhar de perto as investigações do assassinato de Janaína.”Após esfaquear Janaína, Stefanno saiu correndo, sem camisa e descalço. A vizinhança está assustada e teme pela própria segurança da rua, já que o acusado estava foragido até o início da noite de ontem. “Em toda a minha vida, nunca vi uma coisa tão triste. Essa rua é muito calma, a gente se sente confortável aqui. Não tem bandidagem, boca de fumo, nada. Mas, agora, as coisas mudaram”, relatou um morador. 

A faca usada para matar Janaína foi deixada no local e apreendida pela equipe de perícia. O delegado-chefe adjunto da delegacia, Alberto Rodrigues, informou que Stefanno “pode ser considerado perigoso por conta de diversos antecedentes criminais”. Em dezembro de 2017, o homem parou na delegacia após se envolver em uma briga. Por causa disso, foi feito um Termo Circunstanciado em que ele aparece como autor e vítima de ameaça e desacato. Em abril deste ano, foi registrado outro documento desse tipo, por disparo de arma de fogo e de uso e porte de drogas.

 

Ameaças constantes

Idas e vindas e um relacionamento conturbado e cheio de violência. Assim o irmão da vítima, Márcio de Souza Lúcio, relatou ser o casamento de Janaína com Stefanno. “Ela apanhava dele e se refugiava na casa dos nossos pais. Foram várias vezes, mas ela só foi à polícia em duas situações. Ele batia nas crianças também, que chegavam roxas em casa. E, agora, que ela finalmente tinha decidido que não dava mais, ele não a deixava em paz”, relatou.

 Em uma postagem de 30 de junho na página do Facebook de Janaína, o acusado escreveu, em tom de ameaça, que evitar que as filhas do casal o encontrassem “dá ruim” (sic). Ainda de acordo com Márcio, no dia do crime, Stefanno ordenou que Janaína fosse até a casa do tio dele buscar as crianças. “Ele disse que, se ela não fosse por conta própria, mataria as meninas. Então ela teve que ir. A covardia foi tão grande que ele fez tudo na frente das filhas. Elas estão traumatizadas e só conseguem dizer que ‘o pai matou mamãe’. Está todo mundo devastado”, lamentou. 

 

Janaína é a quarta filha de cinco irmãos, três homens e duas mulheres. Ela trabalhava na Secretaria Nacional de Cidadania, do Ministério dos Direitos Humanos. A pasta divulgou nota de pesar em nome do ministro, Gustavo Rocha, e manifestou repúdio aos crimes praticados contra as mulheres. “O Ministro repudia com veemência a violência contra as mulheres e reforça a gravidade dessa situação. O Ministério está em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal para acompanhar de perto as investigações do assassinato de Janaína”, destaca o texto.

Os números de violência contra mulher e feminicídios no Distrito Federal aumentaram de janeiro a março de 2018 em comparação com o mesmo período de 2017. Os episódios de violência passaram de 3.432 para 3.789. As mais frequentes foram violência psicológica, agressões físicas e violência patrimonial. 

Direitos Humanos

No Ministério dos Direitos Humanos, Janaína trabalhava como terceirizada na Coordenação-geral dos Direitos da População em Situação de Rua, que monitora, coordena e avalia políticas de atenção a este segmento social.

Segundo funcionários da pasta, ela era “uma moça jovem, alegre e tranquila”, mas circulavam boatos de que Janaína teria sido vítima de violência doméstica mais de uma vez.

A última vez em que ela foi vista pelos colegas de trabalho foi na festa junina da autarquia, nesta sexta-feira (13). Na ocasião, ele levou as duas filhas. “Todo mundo ficou chocado [com o crime]”, disse uma funcionária.

*Informações retiradas do CorreioBraziliense