O projeto havia sido apresentado na última terça-feira (28) e previa a venda de participações minoritárias da nova empresa para investidores privados. A expectativa da entidade era arrecadar cerca de US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 21,5 bilhões) com a operação.
Segundo a Fifa, os recursos seriam utilizados para ampliar os investimentos no futebol e aumentar os valores destinados às federações nacionais por meio do programa Fifa Forward.
Em comunicado oficial, Infantino afirmou que a proposta foi retirada após gerar divergências entre as entidades envolvidas. De acordo com o presidente da Fifa, o plano dependia do apoio das 211 associações filiadas, além de consultas ao Conselho da entidade, às confederações continentais e demais partes interessadas.
“Ficou claro que o projeto criou divisões de uma natureza que, independentemente do nível de apoio, não atendem mais ao interesse do objetivo estabelecido em primeiro lugar”, declarou o dirigente.
Confederações se manifestaram contra proposta
A proposta recebeu críticas principalmente da Europa. A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) afirmou que suas 55 associações filiadas poderiam boicotar competições organizadas pela Fifa caso o plano fosse mantido.
A entidade europeia indicou que a medida poderia afetar a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil.
Após a manifestação da Uefa, outras confederações também se posicionaram contra o projeto. A Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (CONCACAF) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) demonstraram oposição à iniciativa.
Já a Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), além das confederações da África e da Oceania, divulgaram manifestações mais cautelosas e não anunciaram apoio ou rejeição ao projeto.
Modelo comercial da Fifa
A criação da Fifa Forward Enterprise fazia parte de uma estratégia para reunir as operações comerciais dos torneios da entidade em uma única estrutura. A empresa seria controlada pela própria Fifa, mas permitiria a participação de investidores externos.
O plano ainda estava em fase de consulta e tinha prazo até 19 de setembro para receber manifestações das associações filiadas. Com a decisão anunciada por Infantino, a proposta não seguirá para análise final.
A Fifa informou que continuará buscando alternativas para ampliar investimentos no futebol e manter o financiamento destinado às federações associadas.