Manaus, 6 de julho de 2026
×
Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Guiana pavimenta futuro enquanto BR-319 mantém Amazonas isolado

A Guiana já planeja construir cerca de 50 pontes, atravessando florestas e terrenos desafiadores, com prazos e orçamento definidos. No Brasil, a BR-319 virou um símbolo de promessas quebradas.

guiana-pavimenta-futuro-enquan

(Foto: Asscom/Governo de Roraima)

Manaus (AM) – A Guiana deu um passo decisivo para integrar sua economia ao cenário internacional: o governo anunciou a pavimentação de 500 km da rodovia que liga Georgetown, capital do país, até Lethem, na fronteira com o Brasil. O investimento de quase US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,4 bilhões) promete transformar a logística regional até 2030, reduzindo o tempo de transporte de mercadorias de 21 dias para apenas 48 horas.

Enquanto o país vizinho acelera, o Amazonas segue aprisionado pelo abandono da BR-319, a estrada que deveria ligar Manaus a Porto Velho, e que há décadas sofre com obras paradas, entraves burocráticos e disputas ambientais. A falta de infraestrutura mantém o estado em isolamento crônico, dependendo do transporte aéreo e fluvial, que encarece produtos e dificulta a competitividade.

O contraste: avanço da Guiana x paralisia da BR-319

O contraste entre as duas obras expõe a diferença de prioridades políticas. A Guiana já planeja construir cerca de 50 pontes, atravessando florestas e terrenos desafiadores, com prazos e orçamento definidos. No Brasil, a BR-319 virou um símbolo de promessas quebradas: cada nova eleição reacende discursos de revitalização, mas o asfalto nunca chega em definitivo.

Esse atraso não é apenas um problema de mobilidade. Ele compromete o crescimento econômico do Amazonas e impede a integração plena da região Norte ao restante do país.

Os impactos econômicos para o Amazonas com a rodovia guianesa

Se a BR-319 continuar abandonada, o Amazonas pode depender cada vez mais da rota internacional pela Guiana. E, paradoxalmente, essa estrada no país vizinho pode abrir novas oportunidades econômicas:

Escoamento mais rápido e barato – A pavimentação permitirá que produtos da Zona Franca de Manaus (ZFM) cheguem ao Atlântico pelo porto de águas profundas em construção em Georgetown. Isso reduzirá custos logísticos e prazos de exportação, favorecendo a competitividade das indústrias locais.

Integração da ZFM ao comércio global – A nova rodovia cria uma alternativa concreta de exportação para mercados da Europa, Ásia e América do Norte. Em vez de depender exclusivamente do transporte fluvial até os portos do Sudeste, o Amazonas pode ganhar uma rota mais curta e eficiente.

Estímulo ao agronegócio e mineração – Com rotas mais viáveis para escoar soja, carne, peixe, madeira legalizada e minerais, a economia do interior pode se beneficiar diretamente.

Novos empregos e renda – O corredor logístico impulsionará cidades fronteiriças em Roraima e, indiretamente, o Amazonas, com geração de empregos no transporte, na indústria e nos serviços associados.

Redução da dependência do modal aéreo e fluvial – Com estradas integradas ao porto de Georgetown, empresas terão mais opções de transporte, o que pode baratear o preço dos produtos no mercado interno do Amazonas.

O dilema do Amazonas

A nova superestrada da Guiana prova que, com planejamento e vontade política, a integração amazônica é possível. O país vizinho avança com cronogramas, obras e bilhões em investimentos, enquanto o Amazonas continua refém da BR-319 inacabada, uma estrada que simboliza décadas de descaso federal.

Se o governo brasileiro não agir para concluir a BR-319, os amazonenses poderão depender cada vez mais da infraestrutura da Guiana para acessar mercados e se integrar ao mundo. A ironia é clara: enquanto o vizinho projeta o futuro, o Brasil mantém o coração da Amazônia isolado no passado.

Governo federal

O Governo Federal criou dois colegiados para coordenar a recuperação da BR-319, com participação de sete órgãos do Executivo, sob a coordenação da Casa Civil. Os grupos vão focar em medidas emergenciais no entorno da rodovia, em um raio de 50 km para cada lado.

A proposta envolve governança socioambiental, ações contra desmatamento, grilagem e ilegalidades. As reuniões serão ordinárias trimestrais e estão previstas articulações entre governo, sociedade civil e setor produtivo.

A BR-319 é considerada crucial como única ligação rodoviária entre Manaus e o restante do Brasil, importante para saúde, educação e mobilidade da população local.

LEIA MAIS: