(Foto: Divulgação / IBGE)
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta quinta-feira, 26, dados preliminares do Censo Agropecuário de 2017, revelando que houve evolução no número de estabelecimentos agropecuários no Amazonas em relação ao Censo anterior.
Conforme o estudo divulgado, a quantidade de estabelecimentos passou de 66.784 em 2006 para 80.914 em 2017, em onze anos a evolução foi de 21%. Desde de 1975 os Censos Agropecuários do IBGE vêm demonstrando o quantitativo de estabelecimentos no estado. A menor quantidade ocorreu em 2006 (66.784) e a maior em 1985 (116.302 estabelecimentos). A partir da década de 1980, com a diminuição da população rural, o número entrou num processo de declínio, recuperando-se somente agora em 2017.

(Foto: Divulgação / IBGE)
A pesquisa mostra que entre os municípios amazonenses, São Gabriel da Cachoeira com 3.904 estabelecimentos, liderou o número de unidades, superando inclusive aqueles que possuem maior população. Juntamente com Boca do Acre, Parintins, Manicoré e Autazes formam o grupo que lidera os estabelecimentos.
“O Censo Agro de 2017 considerou como estabelecimento agropecuário toda unidade de produção ou exploração dedicada, total ou parcialmente, a atividades agropecuárias, florestais e aquícolas; tendo como objetivo a produção, seja para venda (comercialização da produção) ou para subsistência (sustento do produtor ou de sua família)”, informou o IBGE.
Quanto a utilização das terras, o Censo aponta que 65% das áreas dos estabelecimentos ainda são ocupadas por matas naturais (2.529.517 hectares). As áreas utilizadas por pastagens plantadas são 20% (795.593 hectares), ocupando a segunda posição. A terceira maior utilização dada à terra são as pastagens naturais com 9% (346.836 hectares). Lavoura temporária e lavoura permanente com 3,1% e 2,7% respectivamente, ocupam a terceira e quarta posição. As matas naturais sempre foram as maiores áreas das unidades agrícolas do estado. Mas, as pastagens plantadas passaram a ser superiores às pastagens naturais só a partir do Censo Agro 2006.
“Entre os municípios amazonenses com maiores áreas de pastagens plantadas, destaque para Lábrea, Boca do Acre, Apuí, Manicoré, Canutama e Novo Aripuanã”, apontou o Censo.
Ocupação das pessoas
O número de pessoas ocupadas nas atividades agropecuárias em todo o Estado foi de 329.932 pessoas. Os números de 2017 são bem superiores aos do último Agro de 2006, o aumento foi de 23,7% (63.265 pessoas). Em 1985 foi o ano em que a pesquisa mostrou o maior quantitativo de pessoas trabalhando no campo (545.077), a partir daquele ano, os números vinham caindo até 2017 quando voltou a aumentar. Considerando que a população na força de trabalho do último trimestre de 2017 foi de 1.784.000, a agricultura foi responsável por 18,5% da força de trabalho do Estado.
Segundo apontou o Censo, entre os municípios, São Gabriel era aquele que mais ocupava pessoas nas atividades agropecuárias (14.243). Tefé (11.688), Parintins (11.413), Manicoré (10.790) e Itacoatiara (10.420) formavam o grupo com maior número de ocupados.
Efetivo de animais
De acordo comas informações divulgadas pelo IBGE, bovinos são os animais com maior presença na agropecuária amazonense, o rebanho encontrado pelo Censo Agro foi de 1.253.852 cabeças; essa quantidade supera o número encontrado o Censo anterior em 83.214 cabeças, um aumento de 7,1%; foi o maior rebanho bovino pesquisado desde o primeiro censo, em 1975.
Entre os municípios, Lábrea lidera a criação de gado com 219.429 cabeças. Boca do Acre possui o segundo maior rebanho do estado com 202.553 cabeças, em seguida, Apuí (137.231), Manicoré (122.305) e Parintins (62,231); São estes os 5 maiores criadores do estado do Amazonas.
“A criação de bovinos no estado é bastante diversificada, são 14.654 estabelecimentos criadores, sendo a maioria (91.361) formada por pequenos produtores com menos de 50 cabeças. Mas os municípios líderes na produção de bovinos possuem característica inversa, predominando aí os grandes produtores. Lábrea possuía 584 estabelecimentos agropecuários criadores de bovinos, sendo 397 (68%) com mais de 50 cabeças. Apuí possuía 897 estabelecimentos, sendo 640 (71%) com mais de 50 cabeças”, informou o IBGE.
Em 2017 a pesquisa do IBGE encontrou 4.279.000 cabeças contra 2.551.000 cabeças encontradas o penúltimo Censo em 2006, o que representou um crescimento de 67%. Os ovos de galinha também experimentaram crescimento em 2017, passando de 17.722 mil dúzias em 2006 para 42.069 dúzias, um crescimento de 137% entre os dois censos. O município de Manaus lidera com folga a produção de aves, seguido por Iranduba, Manacapuru, Itacoatiara e Presidente Figueiredo. Quanto aos ovos de galinha, Manaus também lidera a produção, seguida de Iranduba, Itacoatiara, Presidente Figueiredo e Careiro.
Agroindústria
O produto mais importante da agroindústria amazonense é a farinha de mandioca. No período de referência do Censo Agro (01.10.2016 a 30.09.217) foram produzidas 98 milhões de quilos de farinha em 56,4 mil estabelecimentos. A farinha é um item tão importante na agroindústria amazonense que 67,2% dos estabelecimentos agrícolas a produzem. O segundo maior produto agroindustrial é a goma ou tapioca, foram produzidas 5,8 milhões de quilos em 25,9 mil estabelecimentos no período de referência da pesquisa. Carvão vegetal (3,2 milhões de quilos) e polpa de frutas com uma produção de 3 milhões de quilos produzidos em 4.914 estabelecimentos.
Lavoura Temporária
A mandioca continua sendo o principal produto da lavoura temporária, no período de referência do Censo Agro foram colhidas 403,3 milhões de quilos de mandioca em 57,9 mil estabelecimentos onde a cultura ocupou 45,1 mil hectares. O segundo produto desse grupo foi a cana-de-açúcar com uma produção de 267,2 milhões de quilos em 5,8 mil estabelecimentos ocupando área de 4,5 mil hectares. O terceiro maior produto foi a melancia com 10,1 milhões de quilos em 8,3 mil estabelecimentos. O abacaxi ocupou a quarta posição entre os produtos da LT com 22,8 milhões de quilos em 13.5 mil estabelecimentos.
Lavoura Permanente
Entre os produtos da lavoura permanente, a banana possuía a maior quantidade de pés na data de referência do Censo (30.09.2017), eram 10,4 milhões de pés em 37,6 mil estabelecimentos. Entre os estabelecimentos com mais de 50 pés, a quantidade produzida foi de 70 milhões de quilos (70 mil toneladas). O açaí foi a segunda cultura com 7,4 milhões de pés existentes em 18,1 mil estabelecimentos. Nas propriedades com mais de 50 pés (8,4 mil) a produção alcançou 20,8 milhões de quilos (20,8 mil toneladas). Cupuaçu (2,02 milhões de pés) em 18,4 mil estabelecimentos e o Guaraná (2,01 milhões de pés) em 1,9 mil estabelecimentos, foram respectivamente o terceiro e o quarto mais importante produto da lavoura permanente.
*Com informações da assessoria





