O movimento #8M, que acontecerá em Manaus, na tarde desta sexta-feira (8), reúne diversas ativistas mulheres e movimentos sociais em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. A iniciativa, também chamada de ‘Greve Internacional das Mulheres’, acontece em todo o mundo e este ano trás o tema ‘Basta de Feminicídio e Retirada de Direitos’. A concentração será a partir das 14h, na Praça da Saudade, no centro de Manaus.
A data 8 de março é celebrada há 43 anos desde o dia em que a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou como o dia Internacional da Mulher. Simbolizando a luta pela igualdade completa de direitos, a data possui muitas histórias e contextos que contribuíram para que ela de fato viesse a ser oficializada, uma delas é a morte de dezenas de mulheres em um incêndio da fábrica Triangle Shirtwaist, em Nova York. O incidente revelou as condições precárias nas quais as pessoas trabalhavam, muitas delas eram muito pobres.

(Foto: Divulgação)
A tragédia ocasionou uma reviravolta muito grande, fazendo com que diversas mulheres se mobilizassem e saíssem às ruas para reivindicar por seus direitos e por melhorias nas condições de trabalho.
Segundo a assessoria do movimento, o #8M tem como objetivo ressaltar a necessidade da igualdade de direitos e do respeito às mulheres. “A inciativa é para exigir que as mulheres sejam respeitadas e seus direitos reconhecidos pelos poderes institucionais, na casa e no trabalho. Por isso é que os movimentos sociais, fóruns, ativistas, organizações sindicais e coletivos feministas se juntaram para promover o movimento na cidade” disse.
Além disso, a união reivindica também os casos de feminicídio e violência contra as mulheres de uma maneira geral, a fim de que aumente a visibilidade para esse âmbito.
De acordo com os dados do Fórum de Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) estima-se que 16 milhões de mulheres, ou 27,35% das brasileiras, sofreram algum tipo de violência no ano passado. Foram 536 mulheres agredidas por hora no Brasil. Entre os crimes contra as mulheres, o feminicídio coloca Manaus entre as cidades onde há mais casos registrados no país: foram assassinadas 22 mulheres entre os anos de 2016 a 2018, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas.
Casos
A delegada titular da Delegacia Especializada em Crimes contra Mulher (DECM), Débora Mafra, relata que os casos mais recorrentes de violência contra mulher são de ameaças. “Os casos mais recorrentes ainda continuam sendo os crimes de ameaça e injúria, mas nós fazemos o possível para dar atenção integral à mulher” disse.
A representatividade feminina influencia bastante neste contexto social, isso porque as mulheres são minorias em quase todas as áreas da sociedade. No Amazonas, apenas quatro mulheres ocupam o cargo de deputada estadual, sendo que o total das vagas são de 24. No ano passado era ainda pior, apenas uma mulher, a deputada estadual Alessandra Campêlo (MDB) fazia parte do grupo de parlamentares.
Para ela, mesmo já sendo o seu segundo mandato e tendo, neste ano, a companhia de mais três mulheres na Assembleia Legislativa, ainda é um desafio muito grande, mas destaca que “a participação da mulher no processo eleitoral, sobretudo como candidatas e representantes da sociedade no Amazonas é tímida frente à esmagadora maioria masculina, demonstrando que ainda estamos longe de alcançar a igualdade de gêneros e o potencial da mulher na vida política” disse a parlamentar.
Projetos Sociais
Todos os movimentos engajados na iniciativa do #8M são de organizações lideradas por mulheres feministas. Alguns desses projetos, inclusive, é o Coletivo Filó que acolhe novas feministas do movimento. Há ainda o Coletivo Humaniza, que trata especificamente de violência obestétrica amparando mulheres que sofreram algum tipo de violência na hora de dar à luz, oferecendo apoio jurídico e psicológico. Além desses, o #8M conta também com líderes de organizações que tratam do direito da mulher.





